O escândalo envolvendo o conselheiro especial de Donald Trump para parcerias globais, Paolo Zampolli, explodiu nas redes sociais e na mídia brasileira após declarações misóginas e racistas feitas em uma entrevista à emissora italiana RAI. Em um programa investigativo chamado Report, exibido na semana passada, Zampolli se referiu às mulheres brasileiras como uma "raça maldita" e "programadas para causar confusão", ao defender-se de acusações de violência doméstica feitas por sua ex-companheira, a modelo brasileira Amanda Ungaro. A primeira-dama Janja Lula da Silva reagiu com veemência, afirmando que é "impossível não se indignar", destacando a força das brasileiras em romper ciclos de violência. O episódio reacende debates sobre machismo, relações diplomáticas Brasil-EUA e o histórico controverso do enviado de Trump.
A fala de Zampolli veio no contexto de uma reportagem que investigava suas conexões internacionais, incluindo supostas ligações com Jeffrey Epstein e sua proximidade com o círculo de Trump. Ao ser questionado sobre uma amiga de Ungaro chamada Lidia, ele respondeu: "É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais". Ele acrescentou que "mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo" e que "não é a primeira". A declaração, gravada em vídeo, viralizou rapidamente no Brasil, gerando milhares de compartilhamentos e comentários indignados.
Quem é Paolo Zampolli e qual seu papel no governo Trump?
Paolo Zampolli é um empresário ítalo-americano, nascido em 1970, conhecido por sua carreira como agente de modelos. Ele descobriu Melania Trump em 1996, quando ela ainda era uma modelo eslovena chamada Melanija Knauss, e a apresentou a Donald Trump em uma festa em Nova York em 1998. Essa conexão o tornou um aliado próximo do atual presidente dos EUA. Em março de 2025, durante o segundo mandato de Trump, Zampolli foi nomeado enviado especial para parcerias globais, com foco em alianças internacionais, incluindo propostas ousadas como substituir o Irã pela Itália na Copa do Mundo de 2026.
Sua trajetória inclui controvérsias. Zampolli fundou a agência IDT Models, envolvida em escândalos de tráfico de modelos na década de 1990. Mais recentemente, foi ligado a Epstein por meio de eventos sociais e contatos. No Brasil, o nome ganhou notoriedade com o episódio da entrevista RAI, que expôs acusações graves de sua ex-parceira Amanda Ungaro.
O contexto da entrevista: acusações de Amanda Ungaro
Amanda Ungaro, modelo brasileira, manteve um relacionamento de quase 20 anos com Zampolli, com quem tem um filho. Em março de 2026, ela foi presa em Aventura, Flórida, por suposta fraude relacionada a custódia, e deportada para o Brasil. Ungaro alega que Zampolli usou sua influência no governo Trump para intervir junto à ICE (Imigração e Alfândega dos EUA), pedindo sua detenção durante uma disputa pela guarda do filho. Ela descreve anos de abuso físico, psicológico e sexual, e menciona ter frequentado festas com os Trump e Epstein, testemunhando interações comprometedoras.
No programa Report, Ungaro detalhou as agressões e afirmou que Zampolli a isolou e manipulou. A reportagem também ligou Zampolli a Epstein, questionando suas redes. Zampolli negou tudo, atribuindo as acusações a uma "campanha de difamação", e ameaçou processos judiciais coletivos nos EUA, Itália e Brasil contra mídia e perfis que republicarem as alegações.
A reação de Janja Lula da Silva: 'Impossível não se indignar'
A primeira-dama Janja foi uma das primeiras a reagir publicamente via X (antigo Twitter). Seu post completo diz: "Impossível não se indignar diante da fala do enviado especial de Trump, acusado por sua ex-mulher brasileira Amanda Ungaro de violência doméstica e abuso sexual/psicológico. Dizer que somos uma 'raça maldita' e 'programadas para causar confusão' não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente. Com muita força e coragem, rompem diariamente ciclos de violência e silenciamento. Na indignação nos fortalecemos. Nos unimos para combater o machismo, misoginia, feminicídio e toda forma de violência contra nós. Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, sonhos e lutamos por dignidade e liberdade".
O texto de Janja ressoou, recebendo milhares de curtidas e retweets, transformando o escândalo em debate nacional sobre empoderamento feminino e combate à violência de gênero.
Respostas oficiais do governo brasileiro e figuras políticas
O Ministério das Mulheres emitiu nota oficial repudiando as declarações como "discurso de ódio que desvaloriza mulheres brasileiras, afrontando dignidade e respeito". Classificou misoginia como "prática criminosa de ódio e incitação à violência". A ex-ministra Gleisi Hoffmann tuitou que Zampolli, "misógino arrogante da extrema-direita", não é bem-vindo no Brasil.
Outros políticos e ativistas se manifestaram. A indignação se espalhou pelo PT e movimentos feministas, com chamadas para boicote a Zampolli e questionamentos sobre visitas oficiais. Até agora, o Itamaraty não comentou oficialmente, mas fontes indicam monitoramento das relações bilaterais.
Explosão nas redes sociais: #RaçaMaldita e backlash viral
No X, o termo "raça maldita" entrou nos trends brasileiros, com posts ironizando e condenando Zampolli. Usuários destacaram ironia de ele ser ex-marido de brasileira e questionaram influência em deportação. Memes compararam a novelas (citadas por ele) e celebridades como Anitta e Gisele Bündchen zombaram. Hashtags como #RespeitaBrasileiras e #MachismoNão viralizaram, ampliando debate sobre xenofobia e sexismo em diplomacia.
Perfis como MTST postaram "Respeita as mulheres brasileiras". Influencers e anônimos compartilharam histórias de superação, alinhando à mensagem de Janja. O vídeo da entrevista acumulou milhões de views no Brasil.
Zampolli contra-ataca com ameaças de processos
Em resposta, Zampolli postou aviso legal: ações nos EUA, Itália e Brasil contra difamadores, empresas e perfis. Acusou mídia de espalhar falsidades sobre Epstein e Ungaro. Sem retratação, escalou tensão.
Impactos nas relações Brasil-EUA sob Trump e Lula
O incidente ocorre em momento delicado: Trump voltou em 2025, Lula busca parcerias. Zampolli, chave em alianças globais, propôs Itália na Copa substituindo Irã. Comentário pode azedar laços, especialmente com G20 e comércio. Analistas veem risco a cooperações, mas Brasil prioriza economia.
Histórico de controvérsias de Zampolli: Epstein e Melania
Zampolli tem passado turbulento: agência ligada a abusos, Epstein em festas. Introduziu Melania a Trump. Ungaro alega testemunhou interações Epstein-Trumps. NY Times revelou pedido ICE para deter Ungaro em custódia.
Debate sobre misoginia na diplomacia internacional
Caso destaca sexismo em elites globais. No Brasil, reforça luta contra feminicídio (milhares anuais). Janja, ativista, usa visibilidade para agenda. Globalmente, compara a #MeToo.
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O que esperar: repercussões e próximos passos
Zampolli segue em cargo, sem demissão Trump (sem reação). Brasil monitora. Possíveis ações diplomáticas ou boicote. Escândalo impulsiona visibilidade Janja e debate gênero.
Atualização: Sem perdão Zampolli, tensão persiste. Fique atento.
