Lula Discursa para Mais de 5 Mil em Barcelona e Chama Atenção para Crises Globais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, no último sábado (18 de abril de 2026), de eventos em Barcelona, na Espanha, onde falou para milhares de ativistas e líderes progressistas. O destaque foi a primeira Mobilização Progressista Global (MPG), com mais de 5 mil presentes, e a quarta edição do Fórum Democracia Sempre. Lula defendeu a democracia associada à justiça social, criticou falhas históricas da esquerda e pediu unidade entre progressistas em meio a tensões internacionais, como o bloqueio ao Estreito de Ormuz imposto pelos Estados Unidos.
No Fórum Democracia Sempre, iniciativa lançada em 2024 por Lula e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, reuniram-se cerca de 15 líderes, incluindo Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Yamandú Orsi (Uruguai), Claudia Sheinbaum (México) e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O objetivo é combater a 'onda reacionária' global, com foco em autoritarismo, desinformação e enfraquecimento de instituições democráticas.
Chegada de Lula e Encontro Bilateral com Pedro Sánchez
Lula desembarcou em Barcelona na quinta-feira (17), onde se reuniu com Sánchez para a I Cúpula Espanha-Brasil. Foram assinados acordos de cooperação em áreas como comércio, tecnologia e cultura. Lula elogiou a Espanha por negar sobrevoo a aviões americanos rumo ao Irã, destacando a soberania europeia em meio às escaladas no Oriente Médio. 'Entendo quando você diz não à guerra', afirmou Lula a Sánchez, reforçando laços bilaterais.
A parceria estratégica visa ampliar o comércio bilateral, que já ultrapassa €30 bilhões anuais, e promover investimentos em energias renováveis e agricultura sustentável, beneficiando o Brasil como fornecedor de commodities verdes.
Discurso Principal: Orgulho Progressista e Regras Democráticas
Em sua fala na MPG, Lula abriu incentivando os progressistas a não terem vergonha de sua identidade: 'Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade'. Ele reconheceu avanços em direitos de trabalhadores, mulheres, negros e LGBTQIA+, mas alertou para contradições econômicas que abriram espaço para a extrema-direita.
Lula enfatizou que o neoliberalismo prometeu prosperidade, mas entregou fome e desigualdade, e que governos de esquerda muitas vezes gerenciaram essas mazelas com austeridade, perdendo credibilidade: 'Governos de esquerda ganham eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade'.
Coerência como Mandamento Progressista
O cerne do discurso foi o apelo por coerência: 'O primeiro mandamento dos progressistas é a coerência'. Lula cobrou que a esquerda cumpra promessas como acesso a comida digna, moradia, saúde, educação e salário justo, sem trair a confiança popular. Ele acusou a extrema-direita de capitalizar o descontentamento com discursos de ódio contra minorias e imigrantes.
Essa mensagem ressoa no Brasil, onde Lula reconstrói políticas sociais após anos de cortes, com programas como Bolsa Família beneficiando 21 milhões de famílias e reduzindo a pobreza em 27% desde 2023, segundo dados do IBGE.
Crítica à Desigualdade: Escolha Política dos Bilionários
Lula apontou a desigualdade como 'escolha política', culpando bilionários por concentrar riqueza, pagar menos impostos e manipular algoritmos. 'O que faz de nós progressistas é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser sempre estar ao lado do povo', disse. No contexto brasileiro, isso ecoa reformas tributárias em debate no Congresso, visando taxar grandes fortunas para financiar saúde e educação.
Saiba mais sobre as propostas de Lula para igualdade no Sul Global.
Guerras, ONU e Gastos Militares: Os 'Senhores da Guerra'
Lula criticou duramente os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU como 'senhores da guerra', gastando US$ 2,7 trilhões em armas no último ano – recursos que poderiam erradicar fome e analfabetismo. 'O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou', afirmou, defendendo um multilateralismo reformado sem veto e com inclusão de Brasil, Índia e África.
Ele citou contatos com Xi Jinping, Modi, Putin e Macron por paz e desarmamento, alertando para risco de Terceira Guerra Mundial.
Tensões no Estreito de Ormuz: Contexto das Críticas de Lula
O discurso ocorre em meio à escalada no Estreito de Ormuz, bloqueado pelos EUA desde 13 de abril sob ordens de Trump para cortar receitas iranianas de petróleo (10-15% do PIB do Irã). Preços do Brent subiram 8%, acima de US$ 100/barril, ameaçando inflação global. Irã ameaça fechamento total, violando cessar-fogo frágil.
Brasil, exportador de óleo, sente impactos: Petrobras ajusta preços internos em 5%. Lula elogiou Espanha por barrar aviões US ao Irã, ligando à crítica geral a intervenções.Entenda o bloqueio de Trump ao Ormuz.
Entrevista ao El País: Ataques Diretos a Trump
Dias antes, em entrevista ao El País, Lula foi direto: 'Trump não tem direito de acordar de manhã e ameaçar um país'. Criticou tarifas mentirosas sobre Brasil, ataque ao Irã sem prever alta de combustíveis e doutrina de poder unilateral. 'Trump joga um jogo perigoso', disse, preferindo respeito a medo.
Reações no Brasil e no Mundo
No Brasil, apoiadores elogiaram liderança global de Lula; oposição, como bolsonaristas, acusou de antiamericanismo. Internacionalmente, Sánchez reforçou aliança anti-extremista; Petro criticou Netanyahu-Trump. Redes sociais viralizaram trechos, com #LulaBarcelona trending no X.
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Implicações para Progressistas e Democracia Global
O evento sinaliza frente unida contra populismo de direita, inspirando movimentos na América Latina. Para o Brasil, fortalece imagem de Lula como articulador Sul Global, com foco em Mercosul-UE e BRICS. Futuro: mais fóruns para pressionar ONU e paz no Ormuz.
Democracia, para Lula, exige entrega concreta: 'Não é democracia quando um pai não sabe de onde tirar comida'.
