A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, a quarta fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro, considerado homem de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A ação investiga um complexo esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros que envolveu a venda de carteiras de crédito fictícias do Banco Master para o BRB, gerando prejuízos bilionários ao banco público do Distrito Federal.
Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assumiu a relatoria do caso. Além das prisões, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Distrito Federal e em São Paulo. Paulo Henrique Costa foi detido em Brasília e encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto Daniel Monteiro foi preso na capital paulista.
Perfil de Paulo Henrique Costa, o Ex-Presidente do BRB
Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa assumiu a presidência do BRB em fevereiro de 2019, indicado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Com mais de 20 anos de experiência no setor financeiro, sua carreira inclui passagens pela Caixa Econômica Federal, onde ocupou cargos como vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital, além de diretor de Controladoria e Compliance no Banco Panamericano. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Católica de Pernambuco, possui mestrado pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e outro pela Kellogg School of Management, nos Estados Unidos.
Sob sua gestão, o BRB passou por uma reformulação digital e expansão, mas também mergulhou em polêmicas relacionadas às operações com o Banco Master. Costa foi afastado do cargo em novembro de 2025, logo após a primeira fase da Operação Compliance Zero, e demitido posteriormente. Sua defesa alega que ele não cometeu crimes e classifica a prisão como um "exagero da Justiça".
O Papel de Daniel Monteiro no Esquema
Daniel Lopes Monteiro, sócio do escritório Monteiro Rusu, atuou como o "arquiteto jurídico-financeiro" do esquema, segundo a PF. Ele é apontado como operador responsável por ocultar a titularidade de seis imóveis de luxo transferidos por Vorcaro a Costa, avaliados em R$ 146,5 milhões. Utilizando empresas de fachada e fundos de investimento, Monteiro indicou o cunhado de Costa como diretor formal para dissimular a propriedade real dos bens – quatro em São Paulo e dois em Brasília.
Além disso, Monteiro elaborou documentos inconsistentes para as carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao BRB, incluindo contratos com vícios graves, como registros em nome de pessoas falecidas e extratos artificiais. A defesa de Monteiro não foi localizada até o momento.
O Esquema entre BRB e Banco Master: Detalhes da Fraude
O cerne da investigação é a tentativa do BRB de adquirir controle acionário do Banco Master e a compra de carteiras de crédito consignado no valor total de R$ 21,9 bilhões, dos quais R$ 12,3 bilhões apresentam indícios de fraude. O Banco Master, sob comando de Daniel Vorcaro, enfrentava crise de liquidez e vendia ativos sem lastro para sobreviver, transferindo riscos ao banco público.
Para facilitar as operações, Costa teria pressionado pela fragmentação das carteiras, evitando análise detalhada pelo conselho do BRB. Uma auditoria independente contratada pelo banco, realizada pela Machado Meyer com apoio da Kroll e entregue à PF em abril de 2026, confirmou inconsistências graves. Relatório da Folha detalha as falhas de governança.
Em troca, Costa recebeu propinas disfarçadas em imóveis, com mensagens de WhatsApp revelando proximidade entre ele e Vorcaro. O banqueiro teria dito a uma corretora: "Preciso dele feliz", referindo-se a Costa.
Cronologia da Operação Compliance Zero
- Novembro de 2025 (1ª fase): PF prende Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, enquanto tentava fugir para os Emirados Árabes. BC liquida o Banco Master em 18/11. Costa é afastado do BRB.
- 14 de janeiro de 2026 (2ª fase): 42 mandados de busca e apreensão contra Vorcaro e familiares. Bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens.
- Março de 2026 (3ª fase): Vorcaro preso novamente. Investigações apontam corrupção em servidores do Banco Central.
- 16 de abril de 2026 (4ª fase): Prisões de Costa e Monteiro. Foco em lavagem via imóveis.
A operação, autorizada pelo STF, expõe uma rede de fraudes que capturou parte do sistema financeiro brasileiro.
Prejuízos ao BRB e ao Sistema Financeiro
O BRB registra perdas estimadas em R$ 2,5 bilhões não recuperados de pagamentos ao Master após sua liquidação. A instituição enfrentou crise de liquidez, com 83% de seus ativos ligados ao banco problemático, levando a aumentos de capital de R$ 1 bilhão em 2024 – nos quais Vorcaro se tornou acionista com 23,5% via fundos suspeitos.
A liquidação do Master afeta 1,6 milhão de clientes, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) arcando com até R$ 47 bilhões em indenizações, pressionando suas reservas. G1 analisa limites do FGC no caso.
| Fase | Data | Ações Principais |
|---|---|---|
| 1ª | Nov/2025 | Prisão Vorcaro, liquidação Master |
| 2ª | Jan/2026 | 42 buscas, bloqueio R$5,7 bi |
| 3ª | Mar/2026 | Nova prisão Vorcaro |
| 4ª | Abr/2026 | Prisões Costa e Monteiro |
Implicações Políticas no Distrito Federal
O escândalo respinga no governo Ibaneis Rocha, que indicou Costa ao BRB. O governador negou pressão política nas operações e atribuiu responsabilidades ao ex-presidente. Oposição cobra apurações sobre contratos do governo com empresas ligadas ao esquema, como a Reag. O BRB, controlado pelo DF, pode exigir aportes públicos para recapitalização.
Vorcaro negociava delação premiada desde março, assinando confidencialidade, o que pode revelar mais ramificações políticas.
Reações das Autoridades e Defesas
O governo do DF afirmou compromisso com transparência e colaboração com a PF. Ministro Mendonça destacou a "comunhão de desígnios" entre Costa e Vorcaro. A defesa de Costa insiste em inocência, enquanto Vorcaro, em depoimentos, defendeu a solvência do Master.
O Banco Central reiterou vigilância sobre riscos sistêmicos. Agência Brasil divulga nota oficial da PF.
Perspectivas Futuras e Lições para o Setor Bancário
A operação expõe falhas de compliance em bancos públicos e privados, reforçando a necessidade de governança rigorosa. Espera-se recuperação parcial de ativos via bloqueios e delações. Para o BRB, reestruturação é iminente, com possível intervenção do DF. Investidores e clientes aguardam indenizações do FGC, enquanto o caso pode inspirar reformas regulatórias no BC.
Analistas preveem impactos na confiança do mercado em instituições regionais, com foco em due diligence para aquisições de carteiras.
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O desenrolar das investigações promete revelar mais sobre a rede de corrupção que envolveu o setor financeiro brasiliense, destacando a importância da ação rápida das autoridades para mitigar prejuízos públicos.
