A Andifes e o Papel Estratégico do Seu Conselho Pleno
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), criada em 1989, representa as 69 universidades federais brasileiras, além do CEFET-MG e CEFET-RJ, totalizando 314 campi distribuídos por todo o país. Seu Conselho Pleno é o principal espaço de deliberação coletiva, onde reitores e reitoras discutem agendas estratégicas, defendem a autonomia universitária e articulam políticas públicas para o ensino superior. Essas reuniões são cruciais em um contexto de desafios como cortes orçamentários para 2026, expansão da Educação a Distância (EaD) e demandas por inclusão social.
O 185º Conselho Pleno, realizado nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 em Brasília, reuniu líderes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) para debater temas urgentes como o novo Marco Regulatório da EaD, inclusão como eixo transversal e cooperação internacional. Essa edição destacou o protagonismo das IFES na formulação de políticas que ampliem o acesso à educação pública de qualidade, especialmente em regiões periféricas e para populações historicamente excluídas.
Agenda e Destaques da 185ª Reunião do Conselho Pleno
A programação foi dividida em dois dias intensos. No primeiro, foco no Marco Regulatório da EaD à luz do Decreto nº 12.426/2025, com apresentações de modelos inovadores e diálogo com o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência. O segundo dia abordou inclusão com a secretária Zara Figueiredo (SECADI/MEC), relações internacionais com representantes mexicanos e eficiência energética via Procel E3.
- Dia 1 (24/02): Debate EaD + Diálogo movimentos sociais/Governo/IFES.
- Dia 2 (25/02): Inclusão + Cooperação México + Procel E3 + Homenagem ao reitor Sandro Amadeu Cerveira (UNIFAL-MG).
Participaram reitores como Joana Angélica (UFSB), Custódio Almeida (UFC), Irineu Manoel de Souza (UFSC) e Nadir Nogueira (UFPI), além de convidados governamentais e internacionais.

O Novo Marco Regulatório da EaD nas Universidades Federais
O Decreto nº 12.426, de maio de 2025, estabelece diretrizes para cursos EaD, priorizando qualidade, avaliação institucional e integração com o ensino presencial. Ele responde à expansão massiva da EaD pós-pandemia, com mais de 50% de evasão em cursos privados massificados, e posiciona as IFES como reguladoras do sistema. No Brasil, a EaD representa cerca de 40% das matrículas no ensino superior, mas nas federais é estratégica para preencher ociosidade de vagas (estimada em 20-30% em alguns campi) e democratizar acesso.
Passo a passo do marco: 1) Credenciamento de polos EaD com infraestrutura mínima; 2) Limite de 50% EaD em cursos híbridos iniciais; 3) Avaliação in loco pelo MEC/INEP; 4) Integração curricular obrigatória. Eduardo Cezari (MEC) enfatizou o protagonismo das IFES na definição de padrões de qualidade.Política de EaD do MEC
Essa regulação alinha-se ao Plano Nacional de Educação (PNE), visando 33% de matrículas EaD até 2024 (já superado), mas com foco em retenção e empregabilidade.
Modelos Inovadores de EaD: Experiências da UFSB e UFC
A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) apresentou a Rede Anísio Teixeira, lançada em 2014: colégios universitários em polos municipais com aulas síncronas em tempo real ('metapresencialidade'), promovendo interação híbrida. Essa estrutura facilitou a transição pandêmica e integra EaD à Pró-Reitoria de Gestão Acadêmica, equiparando-a ao presencial.
Na Universidade Federal do Ceará (UFC), o modelo semipresencial equilibra 50% presencial e 50% assíncrono, com apoio pedagógico e controle de frequência síncrona. Serve para regiões remotas, reduzindo desigualdades regionais. Ambas visam médio/longo prazo para interiorização do ensino superior.
| Instituição | Modelo EaD | Benefícios Principais |
|---|---|---|
| UFSB | Metapresencialidade em polos | Acesso periférico, cultura híbrida |
| UFC | 50/50 híbrido com suporte | Redução ociosidade, inclusão regional |
Inclusão Social como Eixo Transversal nas Políticas das IFES
Zara Figueiredo (SECADI/MEC) reforçou a inclusão em todas as políticas superiores. Diálogo com Guilherme Boulos destacou IFES como espaços democráticos para produção de conhecimento e políticas públicas, dialogando com movimentos sociais. Reitora Nadir Nogueira (UFPI) defendeu voto paritário e autonomia para legitimar escolhas internas, fortalecendo inclusão.
Desde a Lei de Cotas (2012), ~50% das vagas em IFES são para baixa renda, negros, pardos, indígenas e PcD, elevando diversidade: em 2023, 55% cotistas. Exemplos: indígena da UFAL virando docente.Avalie professores inclusivos Desafios persistem em retenção (evasão 20-30% cotistas) e suporte psicopedagógico.
- Políticas: Assistência estudantil, cotas ampliadas.
- Impactos: Redução desigualdades, formação cidadã.
Cooperação Internacional: Fortalecendo Laços com o México
Diálogo com embaixador Carlos García de Alba e Luis Armando González Placencia (ANUIES) avançou parcerias: ensino de línguas, cátedras temáticas, mobilidade estudantil/docente. Convênio Andifes-ANUIES (set/2025) já promove pesquisa, inovação e intercâmbios. UFES e UFJF assinaram acordos recentes, ampliando internacionalização das IFES (atualmente <5% mobilidade outbound).
Benefícios: Dupla titulação, projetos conjuntos em STEM, línguas indígenas. Em 2026, bolsas Fundação Carolina via Andifes expandem opções.Chamada de Bolsas Andifes-Carolina
Eficiência Energética e Sustentabilidade nos Campi Universitários
Chamada Espaço Procel E3 apresentou oportunidades para inovação em eficiência energética, sustentabilidade e redução de custos operacionais nos 314 campi. Alinha-se a agendas ESG, com potencial economia de milhões em contas de energia, agravadas por cortes orçamentários 2026 (nota Andifes critica reduções nominais).
Juliana Godoy e Marina Reinoldes destacaram projetos pilotos em edificações públicas.
Desafios Orçamentários e Defesa da Autonomia das IFES
Contexto: Cortes no orçamento 2026 ameaçam operações; Andifes defende recomposição. Reitor Irineu (UFSC): "Universidade pública é solução". Voto paritário avança na Câmara, fortalecendo democracia interna.Carreira em universidades federais
Implicações para Estudantes, Docentes e o Futuro das IFES
Para estudantes: Mais acesso via EaD híbrida, inclusão reforçada, mobilidade internacional. Docentes: Oportunidades em pesquisa binacional, eficiência sustentável. Futuro: IFES como polos de desenvolvimento regional, com EaD preenchendo 20%+ vagas ociosas até 2030. Procure vagas em IFES ou empregos universitários.

Conclusão: Rumos Positivos para o Ensino Superior Público Brasileiro
O 185º Conselho Pleno reforça a unidade das IFES ante desafios. Com foco em qualidade EaD, inclusão transversal e parcerias globais, as universidades federais seguem transformando o Brasil. Explore Rate My Professor, Higher Ed Jobs, Career Advice e University Jobs para avançar na carreira acadêmica. Acompanhe atualizações no portal Brasil.
