Um estudo internacional recente, envolvendo instituições brasileiras como a Fiocruz e a FGV, além de universidades como a UERJ e colaborações com Cornell e Imperial College London, alerta para até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue no Brasil na temporada 2025-2026. Com foco de alta intensidade no Sudeste brasileiro, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, as projeções destacam a necessidade de ações preventivas urgentes. O consórcio InfoDengue–Mosqlimate, por meio do Desafio Dengue IMDC, utilizou 19 modelos preditivos de 15 equipes para gerar essas estimativas, integrando dados epidemiológicos, climáticos e demográficos.
Essa pesquisa colaborativa demonstra o papel crucial das universidades brasileiras e internacionais no monitoramento e previsão de epidemias, fornecendo ferramentas para políticas públicas de saúde. Apesar de uma queda significativa em 2025 (de 6,5 milhões em 2024 para cerca de 1,6 milhão), o risco persiste devido à reintrodução do sorotipo DENV-3 e condições climáticas favoráveis.
🦟 Contexto Histórico das Epidemias de Dengue no Brasil
A dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, é uma arbovirose endêmica no Brasil desde os anos 1980. Em 2024, o país registrou recorde de 6,5 milhões de casos prováveis e milhares de óbitos, impulsionado pela cocirculação dos quatro sorotipos (DENV-1 a DENV-4). A temporada 2025 viu redução de mais de 70%, graças a campanhas de vacinação e controle vetorial, mas a vigilância continua essencial.
Instituições como a Fiocruz, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lideram o monitoramento via InfoDengue, um sistema que integra dados semanais do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Universidades como a UERJ contribuem com modelos estatísticos avançados, como o SARIMAX utilizado no IMDC.
Metodologia do Consórcio InfoDengue–Mosqlimate e o Desafio IMDC
O IMDC (InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge) é um sprint anual que reúne modeladores de dados para prever incidência de dengue. Na edição 2025, 52 pesquisadores de 15 equipes de 8 países desenvolveram 19 modelos, testados em temporadas passadas (2022-2025). O ensemble (modelo combinado) usa os 5 melhores modelos por estado, avaliados pelo Weighted Interval Score (WIS), que equilibra precisão e calibração.
Dados incluem notificações SINAN, clima (ERA5 Copernicus: temperatura, umidade, precipitação), índices oceânicos (ENSO, IOD, PDO) e ambientais (biomas, NDVI). Equipes de universidades como UERJ (modelo UERJ-SARIMAX-2), IMPA-Tech e internacionais (Cornell PEH, Imperial TFT) participaram. A FGV/EMAP coordenou vários modelos, como Chronos-Bolt e Dengue Oracle.
Projeções Nacionais e Regionais para 2026
Para a temporada (SE 40/2025 a SE 39/2026), estima-se 1,8 milhão de casos prováveis nacionalmente, com picos menores que 2024-2025, mas acima da média 2019-2023. Incidência acumulada >300/100k hab em vários estados.
- São Paulo: 536.778 casos (54%), incidência 1.167/100k
- Minas Gerais: 274.602 casos (10%), 1.288/100k
- Goiás: 105.457 casos
- Paraná: 77.683 casos
- Rio de Janeiro: 15.068 casos (menor que 2024-2025)
Sudeste concentra ~70%, Centro-Oeste e Sul também elevados. Comparado a 2024-25, redução em SP/PR/RS, mas aumento em MG/SC/DF.Saiba mais sobre saúde pública em São Paulo
Alta Intensidade no Sudeste: Foco em SP, MG e RJ
O Sudeste deve abrigar 65-70% dos casos devido à densidade urbana, suscetibilidade populacional e expansão do DENV-3 de SP para MG/RJ. RJ, apesar de queda em 2025 (29k vs 300k em 2024), tem risco alto por clima quente e chuvas frequentes acelerando ciclo do Aedes.
Modelos do IMDC preveem disseminação rápida em áreas densas sem imunidade recente. Universidades como UERJ, no RJ, foram chave nos modelos preditivos.Consulte o relatório completo (PDF)
O Papel do Sorotipo DENV-3 na Explosão de Casos
A reintrodução do DENV-3, ausente há anos, é fator crítico. Concentrado em SP, espalha-se para vizinhos, atingindo populações suscetíveis sem imunidade cruzada. Estudos da Fiocruz monitoram sorotipagem via genotipagem viral.
Isso eleva risco de formas graves em secundárias infecções. Vacinas como Qdenga (2 doses, SUS 10-14 anos) e Butantan (1 dose, >50 anos) cobrem múltiplos sorotipos.
Fatores Climáticos e Ambientais Impulsionando o Risco
Temperaturas elevadas encurtam ciclo do mosquito (ovo-adulto em <10 dias), chuvas criam criadouros. Mudanças climáticas expandem Aedes para Sul/Centro-Oeste. Modelos incorporam ERA5 e índices como ENSO.Carreira em pesquisa climática e saúde
Contribuições das Universidades Brasileiras
Universidades como UERJ (modelo SARIMAX), UFRN e IMPA-Tech foram essenciais. Fiocruz, com laços acadêmicos (UFRJ), coordena InfoDengue. FGV/EMAP desenvolveu múltiplos modelos. Essa expertise posiciona o Brasil como líder em modelagem epidemiológica.
Para profissionais de saúde pública, oportunidades em vagas em educação superior.
Colaboração Internacional e Universidades Globais
Equipes de Cornell (PEH_2), Imperial College (TFT), KAUST, BSC Espanha enriqueceram o ensemble. Essa parceria global fortalece capacidade preditiva, beneficiando políticas do MS.
Estratégias de Vacinação e Controle Vetorial
Vacinação: 1,3M doses Butantan em SP, Qdenga via SUS. Controle: Elimine criadouros (75% intra-domiciliares), use fungos entomopatogênicos, telas, repelentes (icaridina). Universidades testam armadilhas biológicas.Avalie professores de saúde pública
Implicações para Saúde Pública e Recomendações
Projeções guiam alocação de recursos em SP/MG. Monitoramento semanal atualiza ensembles. Universidades preparam profissionais via cursos em epidemiologia.
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Perspectivas Futuras e Necessidades de Pesquisa
Atualizações IMDC 2026 incorporarão Oropouche/chikungunya. Universidades buscam IA avançada. Integre previsão à carreira em saúde pública, conselhos de carreira, vagas universitárias, avaliações de professores.
