Descoberta Polêmica: Pterossauro Filtrador Encontrado em Vômito Fóssil da Bacia do Araripe
No coração da paleontologia brasileira, uma descoberta recente tem agitado a comunidade científica internacional. Em novembro de 2025, pesquisadores das universidades brasileiras anunciaram Bakiribu waridza, o primeiro pterossauro filtrador dos trópicos, preservado dentro de um regurgitalito – o termo técnico para vômito fossilizado – datado de cerca de 110 milhões de anos, do Cretáceo Inferior. O fóssil, originário da Formação Romualdo na Bacia do Araripe, no Nordeste do Brasil, foi identificado durante um levantamento rotineiro no Museu Câmara Cascudo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Os pterossauros, répteis voadores aparentados aos dinossauros mas com asas membranosas sustentadas por um dedo alongado, dominaram os céus do Mesozoico. Este grupo, conhecido como Pterosauria, evoluiu adaptações únicas para voo, caça e alimentação. O Bakiribu waridza destaca-se por suas mandíbulas extremamente alongadas e dentes finos e densos, semelhantes a um pente, usados para filtrar pequenos organismos aquáticos de rios e lagos, à maneira das baleias modernas com barbas.
A narrativa começa com William B. S. Almeida, aluno de iniciação científica no Museu Câmara Cascudo da UFRN, que notou elementos incomuns em um bloco catalogado como peixe. Sob orientação da professora Aline M. Ghilardi, do Departamento de Geologia da UFRN, o material foi analisado em colaboração com Rubi V. Pêgas, pesquisadora associada do Museu de Zoologia da USP, Tito Aureliano da URCA e UFRN, e Borja Holgado do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens da URCA. Essa equipe interdisciplinar exemplifica como as universidades brasileiras fomentam pesquisa de ponta em paleontologia, integrando estudantes a projetos globais.
O Regurgitalito: Uma Janela Rara para Interações Ecológicas Pré-Históricas
O bloco fóssil, um concreção calcária típica da Formação Romualdo – uma Lagerstätte famosa por preservar tecidos moles graças a condições anóxicas –, continha não só os dois pares de mandíbulas do pterossauro, mas também restos de quatro peixes semelhantes a Tharrhias. A interpretação como regurgitalito baseia-se em tafonomia: ossos fragmentados, alinhados paralelamente, sem compressão litostática, indicando ejeção rápida por um predador, provavelmente um espinossauro piscívoro comum na região. Esse contexto oferece evidências únicas de cadeias tróficas no ecossistema cretáceo do Araripe, onde pterossauros filtradores coexistiam com predadores aquáticos.
A preservação em vômito é excepcional: a primeira vez que uma espécie extinta é descrita exclusivamente a partir de tal estrutura. Os dentes do Bakiribu, com índice de elongação superior a 1:60, densidade de 17,6 dentes/cm e cavidades pulpares visíveis em análise histológica, confirmam adaptações para filtração, posicionando-o filogeneticamente como irmã de Pterodaustro, ponte evolutiva entre Ctenochasma e formas hiper-especializadas.
- Mandíbulas alongadas: Índice rostral estimado em 12-16.
- Dentadura em pente: 440-568 dentes totais, subquadrangulares em seção transversal.
- Implantação acrodonte: Única nos dois maxilares, otimizada para filtração.
A Bacia do Araripe, gerenciada pelo Geoparque Araripe, é um hotspot global de fósseis cretáceos, com mais de 25 taxons de pterossauros descritos, graças a esforços de universidades como UFRN e URCA.
A Contestação dos Cientistas Ingleses: Argumentos e Contexto Histórico
Em dezembro de 2025, um preprint no bioRxiv liderado por David M. Unwin (Universidade de Leicester), Roy Smith e David Martill (Universidade de Portsmouth, UK), e Samuel Cooper (Museu de História Natural de Stuttgart, Alemanha) reinterpreta o Bakiribu como arcos branquiais de peixe, possivelmente Calamopleurus, comum na bacia. Eles argumentam falta de características mandibulares pterossaurianas específicas, semelhança com filamentos branquiais alongados em peixes grandes, e co-ocorrência com peixes como evidência.
O preprint foi aceito nos Anais da Academia Brasileira de Ciências em março de 2026, com editorial de Alexander W. A. Kellner, editor-chefe e especialista em pterossauros (ex-diretor do Museu Nacional/UFRJ), concordando ser peixe e um equívoco inicial. Martill, conhecido por estudos no Araripe, contatou Pêgas por e-mail sugerindo retratação logo após publicação na Scientific Reports.
Esse debate ecoa tensões históricas: Martill envolveu-se em controvérsias com fósseis brasileiros, como o dinossauro emplumado Ubirajara jubatus (Araripe), repatriado da Alemanha em 2021 por exportação ilegal, e críticas por práticas neocoloniais na paleontologia do Santana Group. Universidades brasileiras defendem soberania sobre patrimônio fóssil, com leis rigorosas contra exportação.
Resposta da Equipe Brasileira: Defendendo a Ciência com Dados
Rubi Pêgas qualificou as críticas como "interpretações grosseiras" e "mentiras parciais", destacando detalhes como cavidades pulpares nos dentes, ausentes em filamentos branquiais. Aline Ghilardi relatou ataques online. A Scientific Reports avaliou e manteve o artigo, enfatizando debates normais. Os autores recusaram tréplica na AABC por prazo apertado, preparando reanálise para nova revista, e convidaram críticos a examinar o holótipo no MZUSP – convite não aceito, análise baseada em fotos.
Essa postura reflete maturidade científica nas universidades brasileiras, onde debates peer-reviewed avançam conhecimento sem personalismos.
O Papel das Universidades Brasileiras na Paleontologia Moderna
A UFRN, via Museu Câmara Cascudo, lidera estudos no Araripe, com Ghilardi coordenando o Grupo de Pesquisa Diversidade, Icnologia e Osteohistologia. A USP, pelo MZUSP, abriga Pêgas em pós-doutorado FAPESP, focada em hábitos alimentares de pterossauros. URCA, com Museu Plácido Cidade Nuvens e Holgado, integra redes internacionais. Essas instituições publicam em revistas top (Nature, Scientific Reports), treinam alunos como Almeida, e combatem tráfico fóssil, repatriando espécimes.
Estudos mostram Brasil como potência paleo: Araripe rendeu 25+ pterossauros, com UFRN/USP/URCA contribuindo significativamente para filogenia global de Ctenochasmatidae.
Implicações Evolutivas e Ecológicas da Descoberta
Se confirmado, Bakiribu preenche lacuna biogeográfica: Ctenochasmatinae antes restritos a Laurasia/Europa, agora tropicais. Adaptações intermediárias sugerem dispersão gondwânica, diversificação ecológica no Cretáceo. Regurgitalito revela predadores como espinossauros consumindo pterossauros, expandindo redes tróficas.
- Filogenia: Irmã de Pterodaustro, Pterodaustrini.
- Ecologia: Filtração em águas rasas, nicho inédito no Brasil.
- Tafonomia: Primeira espécie de regurgitalito.
Controvérsia destaca desafios em fósseis fragmentários, mas valida rigor brasileiro.
Desafios e Oportunidades para a Pesquisa em Universidades Brasileiras
Debates como esse fortalecem ciência, mas expõem barreiras: acesso limitado a fósseis, financiamento (CNPq, FAPs), ataques online a pesquisadoras como Ghilardi. Universidades investem em laboratórios (osteohistologia UFRN), parcerias (ICP Barcelona), e divulgação. Futuro: novas análises CT, histologia comparativa resolverão dúvida, beneficiando carreiras acadêmicas.
Estudantes como Almeida mostram como iniciação científica leva a publicações Nature, atraindo talentos para HE brasileiro.
Perspectivas Futuras: Avanços na Paleontologia do Araripe
Com Geoparque Araripe, UFRN planeja mais levantamentos; USP expande estudos funcionais. Controvérsia pode gerar colaborações, se diálogo prevalecer. Brasil consolida liderança em paleo gondwânica, com >100 pterossauros descritos globalmente, muitos daqui. Para pesquisadores, lição: ciência avança por escrutínio construtivo.
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Conclusão: O Espírito da Ciência Brasileira em Ação
A saga do Bakiribu waridza ilustra vitalidade da paleontologia nas universidades brasileiras, onde descobertas inovadoras enfrentam escrutínio global, refinando conhecimento. UFRN, USP e URCA exemplificam excelência, preparando gerações para desafios científicos.
