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Cientistas Descobrem Como Rainhas de Mamangavas Respiram Debaixo d'Água por Dias

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Photo by Neeraj Kumar on Unsplash

No mundo da entomologia, poucas descobertas são tão surpreendentes quanto a capacidade das rainhas de mamangavas de respirarem debaixo d'água por dias. Essa habilidade, revelada por um estudo recente publicado na Proceedings of the Royal Society B, destaca a resiliência desses polinizadores essenciais em tempos de mudanças climáticas intensas. No Brasil, onde as mamangavas desempenham papel crucial na polinização de culturas como maracujá e baru, essa pesquisa canadense abre portas para estudos locais em universidades como a UFPR e UFC, que investigam a ecologia dessas abelhas nativas.

As mamangavas, conhecidas cientificamente como espécies do gênero Bombus, são polinizadores robustos responsáveis por até 70% da produção de frutos em algumas culturas tropicais brasileiras. Com o aumento de inundações devido ao aquecimento global, entender como suas rainhas sobrevivem a eventos extremos é vital para a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar.

A Descoberta Acidental que Mudou Tudo

Tudo começou em 2021, no laboratório da Universidade de Guelph, no Canadá. A pesquisadora Sabrina Rondeau preparava rainhas de Bombus impatiens – uma espécie próxima às mamangavas sul-americanas – para estudos sobre toxinas no solo durante a diapausa, um estado de dormência profunda similar à hibernação. Os insetos foram colocados em tubos com terra dentro de um refrigerador a 4°C, simulando o inverno.

De volta ao lab, Rondeau encontrou seis tubos completamente cheios d'água por condensação. Presumiu que as rainhas haviam morrido, mas quatro delas começaram a se mover ao serem secas e se recuperaram totalmente. Esse 'erro experimental' levou a testes controlados com 143 rainhas, das quais 81% sobreviveram a sete dias submersas, taxa similar ao grupo controle.

Experimento acidental com rainhas de mamangava submersas em laboratório

Os autores, Charles-A. Darveau e equipe da Universidade de Ottawa, expandiram o experimento medindo trocas gasosas e metabólitos, confirmando a respiração subaquática contínua.

Os Mecanismos Fisiológicos: Respiração e Metabolismo Anaeróbico

Durante a diapausa, o metabolismo das rainhas cai mais de 99%, reduzindo a produção de CO₂ para cerca de 15 µl h⁻¹ g⁻¹. Submersas, ele estabiliza em 2-3 µl h⁻¹ g⁻¹ após o pico inicial, com consumo de O₂ detectado por sensores ópticos – o oxigênio dissolvido na água diminui 60% em presença das abelhas.

A respiração ocorre via 'plastron' ou brânquia física: uma fina camada de ar presa aos pelos e cutícula, permitindo difusão de O₂ da água para traqueias. Complementarmente, acumulam lactato (metabolismo anaeróbico), que retorna ao normal após uma semana de recuperação, quando o metabolismo explode para 172 µl h⁻¹ g⁻¹ no primeiro dia para limpar a 'dívida de oxigênio'.

Essa combinação – depressão metabólica profunda, respiração cuticular subaquática e anaerobiose parcial – permite sobrevivência sem impacto duradouro.

Mamangavas no Brasil: Polinizadores Essenciais da Biodiversidade e Agricultura

No Brasil, Bombus pauloensis e espécies como Xylocopa frontalis (frequentemente chamadas mamangavas) são polinizadores chave. Estudos da UFC mostram que mamangavas polinizam maracujá-amarelo com eficiência superior, aumentando produtividade em 70% em estufas. A UNILAB pesquisa criação racional de Xylocopa frontalis para conservação.

O Brasil, maior produtor mundial de maracujá, depende delas: sem polinizadores eficientes, frutos malformados crescem 70%. Relatório BPBES estima que polinizadores sustentam R$ 25 bi anuais em agricultura.

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Photo by Lucas Vasques on Unsplash

Pesquisa Brasileira em Abelhas: Universidades na Linha de Frente

Universidades brasileiras lideram estudos sobre mamangavas. Na UFPR, o Laboratório de Abelhas projeta impactos climáticos em 18 espécies sul-americanas, prevendo perda de habitat para 2050. A ULBRA monitora Bombus terrestris invasora na fronteira RS-Uruguai, risco para nativas.

A UFC, pioneira com prof. Boaventura Freitas em criação racional desde 2001, testa colmeias para mamangavas. Recentemente, Fapesp financia pesquisas FAPESP sobre polinização em Cerrado. Essas iniciativas formam estudantes em entomologia, com pós-graduações em UFSCar, USP e Unesp.

Conheça o estudo da UFPR sobre abelhas e clima

Ameaças às Mamangavas: Invasoras e Mudanças Climáticas

Bombus terrestris, mamangava europeia, avança da Argentina ao RS, competindo por néctar e alterando polinização, alerta DDPA/RS com ULBRA. Mudanças climáticas empurram espécies para sul (UFPR), com inundações mais frequentes – justamente onde a descoberta canadense é relevante.

No Pampa, monitoramento intensivo visa mitigar invasão. Agrotóxicos e perda habitat reduzem populações 30-50% em décadas.

Implicações para Conservação e Agricultura no Brasil

A resiliência subaquática sugere que rainhas nativas como B. pauloensis podem ter adaptações similares, mas estudos locais são urgentes. Criação racional (UFC) e monitoramento (ULBRA) podem preservar populações. Para agricultura, polinização assistida com mamangavas aumenta yields em tomate, morango.

Cultura Dependência Mamangavas Impacto Sem Polinizadores
MaracujáAlta (buzz pollination)70% malformados
BaruCruzadaBaixa produção sementes
TomateMédiaRedução 50% frutos

Universidades Brasileiras: Oportunidades em Entomologia e Pesquisa

Programas como PPG Entomologia UFPR e UFC formam experts. Projetos Fapesp/ CNPq financiam estudos clima-polinizadores. Estudantes podem se engajar em monitoramento invasoras (DDPA/ULBRA) ou criação (UNILAB). Carreiras em extensão rural, conservação.Pesquisadores da UFPR estudando abelhas sul-americanas

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Photo by Darwin Boaventura on Unsplash

Perspectivas Futuras: Diapausa em Espécies Nativas e Colaborações Internacionais

Testar B. pauloensis em diapausa submersa é próximo passo para USP/UFPR. Colaborações Canadá-Brasil podem mapear adaptações genéticas. Com COP30 em Belém, foco em polinizadores amazônicos cresce.

Leia o estudo original na Royal Society

Conclusão: Protegendo as Guardiãs da Polinização

A descoberta reforça urgência de investir em pesquisa higher ed brasileira. Universidades como UFPR, UFC e ULBRA lideram, mas precisam mais funding para enfrentar clima e invasoras. Conservar mamangavas garante futuro sustentável para agricultura e ecossistemas.

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Sarah WestVer autor

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Frequently Asked Questions

🐝Como as rainhas de mamangavas respiram debaixo d'água?

Elas usam uma camada de ar no corpo (plastron) para difusão de O₂ da água e metabolismo anaeróbico com lactato.

🌺Qual o papel das mamangavas na agricultura brasileira?

Polinizam maracujá, baru e tomate, aumentando produtividade em até 70%. Essenciais para R$ 25 bi anuais.

🏫Quais universidades brasileiras pesquisam mamangavas?

UFPR (clima), UFC (criação), ULBRA (invasoras), UNILAB (manejo).

🔬A descoberta afeta espécies nativas como Bombus pauloensis?

Provavelmente similar; estudos locais testam diapausa submersa.

🌡️Como mudanças climáticas impactam polinizadores no Brasil?

Perda habitat, inundações; UFPR prevê migração sul para 2050.UFPR estudo

😴O que é diapausa nas abelhas?

Dormência profunda no inverno, metabolismo -99%, para conservar energia.

⚠️Riscos de Bombus terrestris no Brasil?

Invasora compete com nativas; monitorada por ULBRA/DDPA na fronteira RS.

🌱Como apoiar conservação de mamangavas?

Plantar nativas, evitar agrotóxicos, apoiar pesquisas em unis.

📄Estudo original e autores?

Proc Roy Soc B, Darveau et al., Univ Ottawa. Link

🎓Implicações para higher ed no Brasil?

Oportunidades em entomologia: pós UFPR/UFC, jobs pesquisa polinizadores.

🐝Mamangavas vs abelhas melíferas?

Mamangavas polinizam buzz (tomate, maracujá); Apis mellifera mais geral.