O Instituto Semesp, associação que representa as mantenedoras de ensino superior no estado de São Paulo, lançou recentemente a 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026. Essa publicação anual, baseada nos dados mais recentes do Censo da Educação Superior 2024 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), oferece um panorama detalhado e atualizado do setor de educação superior brasileiro. Com análises abrangentes sobre matrículas, evasão, modalidades de ensino e perfis de estudantes, o relatório destaca uma recuperação modesta após anos de desafios, mas alerta para problemas estruturais como altas taxas de abandono, especialmente na educação a distância (EAD).
O documento consolida informações de fontes oficiais, revelando tendências que impactam universidades, centros universitários, faculdades e estudantes em todo o país. Ele serve como ferramenta essencial para gestores educacionais, policymakers e famílias que planejam trajetórias acadêmicas, mostrando como o setor privado impulsiona o acesso, enquanto a pública enfrenta estagnação.
Crescimento Moderado das Matrículas no Ensino Superior
O ensino superior brasileiro registrou 10,23 milhões de matrículas em 2024, um aumento de 2,5% em relação a 2023. Esse crescimento, embora positivo, representa uma desaceleração em comparação aos 5,6% do período anterior, sinalizando um ritmo mais cauteloso após a expansão acelerada impulsionada pela pandemia. A rede privada foi o motor dessa alta, respondendo por 79,8% do total de alunos e crescendo 3,2%, enquanto a pública mostrou sinais de estagnação.
Entre os novos ingressantes, foram 5,01 milhões de alunos, com a EAD atraindo a maioria. Essa dinâmica reflete a busca por flexibilidade, mas também expõe vulnerabilidades no modelo de expansão rápida. Para contextualizar, o Brasil tem milhares de instituições de ensino superior (IES), com o setor privado dominando a oferta de vagas, especialmente em regiões populosas como Sudeste.
EAD Supera o Presencial pela Primeira Vez
Pela primeira vez na história recente, a educação a distância ultrapassou o ensino presencial, representando 50,7% das matrículas totais. Nos novos alunos, a proporção é ainda mais expressiva: 66,81% optaram pela EAD em 2024. A rede privada concentra 95,9% das matrículas nessa modalidade, com crescimento de 5,6% nas vagas ativas, contra queda de 0,5% no presencial.
Essa virada é atribuída à acessibilidade e ao perfil do público adulto, que representa 67,3% dos estudantes de EAD (maiores de 25 anos). No entanto, o presencial ainda prevalece entre jovens de até 24 anos (70,3% das matrículas nessa faixa etária). Regiões como o Sudeste lideram com 4,5 milhões de matrículas, 51,7% em EAD e 83% na rede privada, crescimento de 3,2%.Consulte os dados regionais no site do Semesp para ver como São Paulo concentra milhões de alunos.
Taxa de Evasão Alarmante, Especialmente na EAD
Um dos alertas mais graves do relatório é a evasão, que atingiu níveis recordes. Na EAD, 41,6% dos alunos abandonaram os cursos em 2024 – o maior patamar histórico –, com 41,9% na rede privada e 32,2% na pública. No presencial, a taxa foi de 24,8% (26,6% privada, 21,4% pública). Acumuladamente de 2020 a 2024, a evasão na EAD privada chegou a 68,1%.Como destacado no G1, isso transforma a evasão em problema estrutural.
Fatores como perfil etário (adultos conciliando trabalho e estudos), concentração em grandes grupos (1,2% das IES privadas detêm 55,1% das matrículas) e falta de suporte contribuem. No acumulado, evasão geral na privada é 64,7%. Concluintes em EAD cresceram 2,3%, mas o fenômeno exige ações como tutoria e personalização.
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Domínio do Setor Privado e Concentração de Mantenedoras
O setor privado é pilar do sistema, com 79,8% das matrículas e quase toda a oferta EAD. Grandes organizações acadêmicas expandiram de 27,7% em 2014 para 47,1% em 2024 das matrículas privadas. Centros universitários cresceram 201% no período, detendo 42% das vagas privadas, enquanto faculdades caíram para 12,4%.
Essa concentração facilita escala, mas levanta debates sobre diversidade e acesso local. A pública, com foco presencial, viu matrículas quase estagnadas pós-2012.
Os Cursos Mais Procurados e Tendências de Mercado
Áreas tradicionais dominam: Pedagogia lidera com cerca de 887 mil matrículas, seguida por Administração (653 mil), Direito (653 mil), Enfermagem (478 mil) e Psicologia. Na EAD, licenciaturas e gestão são campeãs. Cursos de Computação e TIC crescem rápido (+12,5% EAD, +9,2% presencial), refletindo demandas digitais.O Poder360 destaca o domínio EAD em novos ingressos.
| Curso | Matrículas Aprox. | % Total |
|---|---|---|
| Pedagogia | 887.695 | - |
| Administração | 653.126 | - |
| Direito | 652.996 | - |
| Enfermagem | 478.008 | - |
| Sistemas de Informação | - | Top 5 |
Negócios, Saúde e Educação somam 34,5% das matrículas. Híbridos ganham em Saúde e Engenharia para trabalhadores.
Perfil dos Estudantes: Jovens no Presencial, Adultos na EAD
Estudantes presenciais são 70,3% jovens até 24 anos; EAD, 67,3% maiores de 25, muitos conciliando empregos. Mulheres são maioria histórica (cerca de 57%), com brancos prevalecendo em algumas análises passadas. Renda baixa predomina na privada via Prouni/Fies (pouco impacto: Fies <1%, Prouni 3,1% ingressantes privados).
Taxa líquida 18-24 anos: 20,8% (recorde, mas estagnada). DF (36,7%), PR (29,5%), SC (26%) lideram; NE e Norte atrás.
Desafios Regionais e Destaque para São Paulo
Sudeste concentra 44,2% matrículas (4,5M), +3,2%. SP: milhões de alunos, mas concluintes presenciais caíram 10,3% (12,4% privada). Norte: 863k matrículas, +2%; NE similar. Concentração agrava desigualdades.
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Implicações e Perspectivas Futuras
O Mapa sinaliza necessidade de foco em retenção: tutoria, suporte psicológico, alinhamento curricular-mercado. Regulação EAD mais rígida e qualidade via Enade podem estabilizar. Crescimento TIC/IA sugere adaptação. Setor privado inova com centros universitários; pública precisa expandir.
Para estudantes, escolha consciente: EAD flexível mas disciplinado. Gestores: diversificar, reduzir evasão. Futuro: híbridos, lifelong learning para 21% adultos com superior até 34 anos baixo.
Conclusão: Rumo a um Ensino Superior Mais Inclusivo e Eficaz
A 16ª edição reforça o papel pivotal do ensino superior na mobilidade social brasileira. Com 10M+ alunos, Brasil avança, mas evasão e desigualdades demandam ação coletiva. Relatórios como esse guiam reformas para qualidade e equidade.
