Promote Your Research… Share it Worldwide
Have a story or a research paper to share? Become a contributor and publish your work on AcademicJobs.com.
Submit your Research - Make it Global NewsO que revela o novo estudo da USP sobre ultraprocessados e jovens brasileiros
O consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) entre adolescentes brasileiros é um desafio de saúde pública crescente, e um novo estudo da Universidade de São Paulo (USP) traz evidências cruciais: proibir esses produtos apenas em casa não é suficiente. Pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), ligado à Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), demonstram que a regulação da venda em cantinas escolares reduz significativamente o consumo total desses alimentos pelos jovens, inclusive fora do ambiente escolar.
Publicado em janeiro de 2026 na revista Cadernos de Saúde Pública, o trabalho analisou dados de mais de 81 mil estudantes de 13 a 17 anos em 1.804 escolas das 27 capitais brasileiras, com base na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019. Os resultados apontam para uma redução de 0,10 pontos no escore de consumo de AUP em escolas com normas regulatórias, enquanto a disponibilidade nessas cantinas eleva o consumo em 0,02 pontos por item oferecido.
Laura Luciano Scaciota, nutricionista e primeira autora, enfatiza: "Adolescentes que frequentam escolas com regulamentação apresentam menor consumo total de ultraprocessados, sugerindo influência além do ambiente escolar." Esse achado reforça a urgência de políticas públicas mais robustas no Brasil, onde os AUP representam cerca de 28% das calorias diárias dos jovens.
O que são alimentos ultraprocessados? Classificação NOVA explicada passo a passo
Alimentos ultraprocessados, classificados pelo sistema NOVA da USP – Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens-USP) –, são formulações industriais feitas majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos originais ou sintetizadas em laboratório, como óleos hidrogenados, xarope de frutose, proteínas isoladas e aditivos (corantes, emulsionantes, realçadores de sabor). Exemplos incluem refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, nuggets congelados e bebidas adoçadas.
A classificação NOVA divide os alimentos em quatro grupos:
- Grupo 1 (in natura ou minimamente processados): Frutas, vegetais, carnes frescas, leite pasteurizado – alterados minimamente para conservação.
- Grupo 2 (ingredientes culinários processados): Óleos, açúcar, sal – usados em preparos caseiros.
- Grupo 3 (processados): Queijos, pães, conservas – combinam grupo 1 e 2.
- Grupo 4 (ultraprocessados): Hiperpalatáveis, obesogênicos, com alto teor calórico e baixo valor nutricional.
No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda evitar o grupo 4, priorizando preparos caseiros. Contudo, sua prevalência é alta: 62% dos novos produtos lançados entre 2020-2024 são AUP.
Prevalência alarmante de ultraprocessados na dieta de adolescentes brasileiros
No Brasil, os adolescentes consomem em média 28% de suas calorias de AUP, com picos de até 58% em alguns grupos. Dados da PeNSE 2019 mostram que 97,3% relataram ingestão no dia anterior, com refrigerantes (55%), biscoitos recheados (55%) e salgadinhos liderando. Em capitais, 50% frequentam escolas com cantinas, onde 78% oferecem pontos de venda próximos com alta disponibilidade de AUP.
Regiões Sul e Sudeste têm maior consumo municipal médio (até 30% das calorias), impulsionado por marketing e acessibilidade. Escolas privadas agravam: 96% têm cantinas vs. 28% públicas.
| Região | % Capitais com Regulação | Consumo Médio AUP (% calorias) |
|---|---|---|
| Sul/Sudeste/Centro-Oeste | 100% | ~30% |
| Norte/Nordeste | 43-56% | ~25% |
Riscos à saúde: obesidade, depressão e mais, segundo estudos da USP
Nupens-USP associa AUP a 32 agravos, incluindo obesidade (+45% risco em jovens com dietas ricas neles), depressão (+42% sintomas), declínio cognitivo e mortalidade precoce. Em adolescentes, obesidade afeta 1 em 3 (9,4% obesos, 2025), com sobrepeso subindo 9% em 10 anos (2,6 milhões afetados).
Estudos mostram AUP "envelhecem" cérebro (declínio acelerado 35-59 anos) e elevam custos SUS (R$225 mi obesidade infantojuvenil 2013-2022). Para explorar carreiras em nutrição e saúde pública, confira vagas em higher-ed-jobs.
Metodologia do estudo USP: análise multinível inovadora
Os pesquisadores mapearam 51 normas vigentes em 2019 (leis, portarias), reduzindo a 21 eficazes. Cobertura normativa: dicotômica (coberta/não). Escores: disponibilidade (0-9 itens em cantinas), consumo (0-13 itens ingeridos ontem). Regressão multinível ajustada por sociodemografia, tipo escola, ambulantes. Amostra representativa, pioneira no Brasil.
- 78,5% escolas cobertas por normas.
- 1/3 alunos compram semanalmente em cantinas.
- Públicas: 99,4% merenda PNAE (15% AUP limite 2025).
Resultados chave: impacto da regulação por região e tipo de escola
Capitais Sul/Sudeste/Centro-Oeste: 100% reguladas, menor consumo. Norte/Nordeste: gaps regionais elevam exposição. Públicas protegem mais (PNAE prioriza in natura). Disponibilidade em cantinas privadas impulsiona substituição por AUP. Mapa do estudo destaca desigualdades.
Comparações internacionais: lições do Chile e México para o Brasil
Chile baniu AUP em escolas com rotulagem frontal "Alto em...", reduzindo compras 25% e obesidade juvenil 8,9%. México restringe vendas e marketing. Canadá limita em públicas. Brasil poderia adotar lei nacional, alinhando PNAE (10% AUP 2026) a proibições totais em cantinas.Relatório global UPF
Opiniões de especialistas e perspectivas de stakeholders
Renata Levy (Nupens): "Lei nacional uniformiza proteção." MDS apoia via Decreto 11.821/2023. Indústria resiste, mas evidências superam. Nutricionistas defendem: escolas moldam hábitos vitalícios. Avalie professores em rate-my-professor para insights acadêmicos.
Desafios na implementação e soluções propostas
- Desigualdades: Norte/Nordeste baixa cobertura; fiscalização fraca.
- Privadas: Dependem de compra direta, lobby industrial.
- Soluções: Lei federal banindo AUP em todas cantinas; educação nutricional; monitorar ambulantes.
PNAE já reduz para 10% em 2026, mas extensão a privadas é chave.
Perspectivas futuras e tendências para 2026-2030
Com obesidade em 31% adultos (projeção 48% 2030), regulação escolar pode cortar 13% obesidade juvenil. Integração IA para monitoramento dietas, expansão Guia Alimentar. Brasil lidera NOVA globalmente via USP.
Photo by Andrea Qoqonga on Unsplash
Insights acionáveis para pais, educadores e policymakers
- Pais: Incentive lanches caseiros; discuta rótulos NOVA.
- Educadores: Promova hortas escolares, aulas nutrição.
- Políticas: Apoie lei nacional; fiscalize PNAE.
Para carreiras em saúde pública e nutrição, explore higher-ed-career-advice, higher-ed-jobs e university-jobs.

Be the first to comment on this article!
Please keep comments respectful and on-topic.