Dr. Liam Whitaker

Proibição de Celulares em Faculdades de São Paulo Gera Debate sobre 'Geração Ansiosa' e Dependência de Telas

Das salas de aula às mentes: o impacto das telas no ensino superior paulista

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A onda de proibições em instituições de elite

Nos últimos dias de janeiro de 2026, o Insper anunciou por e-mail aos alunos de graduação que celulares e outros dispositivos eletrônicos não poderiam mais ser usados durante as aulas, exceto com autorização do professor para fins pedagógicos. A medida entrou em vigor no início do semestre, surpreendendo muitos estudantes que viam a universidade como um espaço de maior liberdade. Logo em seguida, a ESPM ampliou as restrições para incluir não só smartphones, mas também tablets e laptops, incentivando anotações manuais para estimular a memória e a elaboração de ideias. A instituição justificou a decisão pelo aumento do tempo de exposição a telas e seus impactos na atenção, saúde mental e concentração, alertando para o risco de 'sedentarismo cognitivo' causado pelo uso passivo de tecnologias digitais e inteligência artificial.

A Fundação Getulio Vargas (FGV), uma das mais prestigiadas escolas de negócios do país, planeja implantar a proibição em todos os seus cursos de graduação e pós-graduação nas unidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo o pró-reitor Antonio Freitas, o uso de celulares prejudica o aprendizado da mesma forma que ler um jornal em sala de aula, com alunos distraídos por notificações de WhatsApp mesmo sendo adultos. A FGV já testou restrições parciais em cursos como Administração Pública e vê na medida uma forma salutar de melhorar o foco, sem punições formais, mas com ênfase nos benefícios comprovados por pesquisas.

Essas iniciativas em São Paulo marcam um momento pivotal no ensino superior brasileiro, estendendo para jovens adultos uma tendência que começou nas escolas de educação básica com a Lei nº 15.100, sancionada em janeiro de 2025. Diferentemente do ensino fundamental e médio, onde a proibição abrange até os intervalos, nas universidades as regras são mais flexíveis, focando no período das aulas e permitindo exceções pedagógicas. Ainda assim, o debate sobre dependência de telas e a suposta 'geração ansiosa' ganhou força, questionando se essas medidas são necessárias ou representam uma infantilização dos universitários.

Do básico ao superior: o caminho da legislação

A proibição nacional de celulares nas escolas básicas foi um marco regulatório no Brasil, motivada por evidências de que o uso excessivo compromete a concentração e o desempenho acadêmico. Estudos internacionais, como um realizado com 17 mil universitários na Índia, mostraram que a coleta obrigatória de dispositivos em sala resulta em notas mais altas, especialmente entre calouros e alunos de baixo rendimento. No Brasil, experiências iniciais em escolas relataram aumento de 83% na atenção dos alunos após a implementação da lei.

Agora, as universidades privadas de São Paulo seguem esse caminho voluntariamente, sem obrigatoriedade legal para o ensino superior. Instituições como Insper e ESPM citam relatos de professores sobre dinâmicas de aula prejudicadas pelo uso frequente de smartphones nos semestres anteriores. A FGV, por sua vez, baseia-se em pesquisa de 2024 da Universidade da Pensilvânia e de Copenhague, que confirma ganhos em desempenho com restrições. Esse movimento reflete uma preocupação global, mas ganha contornos locais em um país onde os brasileiros passam, em média, 9 horas e 13 minutos por dia em frente a telas, sendo o segundo maior tempo mundial.

Motivações científicas: distração e prejuízos cognitivos

O cerne das proibições reside em evidências científicas robustas sobre o impacto dos smartphones no aprendizado. A mera presença de um celular reduz a capacidade cognitiva, ativando distrações constantes via notificações que liberam dopamina, criando um ciclo viciante similar ao de jogos. Pesquisas apontam que estudantes com acesso a dispositivos durante aulas têm desempenho equivalente a quem estuda 20% menos tempo. No contexto universitário, onde as aulas demandam participação ativa e interação social, o problema se agrava: a aprendizagem é coletiva, e um aluno distraído afeta o grupo inteiro, comparável ao tabagismo passivo.

No Brasil, estudos locais reforçam isso. Um levantamento com estudantes de saúde revelou prevalência de ansiedade generalizada ligada ao uso excessivo de telas, enquanto pesquisas da USP indicam queda na concentração. Além disso, o 'sedentarismo cognitivo' descrito pela ESPM refere-se à passividade mental promovida por ferramentas de IA que respondem instantaneamente, inibindo o processamento profundo de informações.

A 'geração ansiosa': teses de Jonathan Haidt no Brasil

O termo 'geração ansiosa' popularizou-se com o livro 'A Geração Ansiosa', do psicólogo Jonathan Haidt, professor da NYU, que atribui o aumento de transtornos mentais entre jovens ao boom dos smartphones e redes sociais por volta de 2010. Haidt visitou o Brasil em maio de 2025, participando do Congresso Socioemocional LIV e eventos da Fundação Lemann, alertando que quedas nas notas escolares não se devem à Covid, mas às telas. Ele defende quatro pilares: smartphones só após 14 anos, redes sociais após 16, proibição em escolas e mais brincadeiras ao ar livre.

Suas ideias ressoam nas proibições paulistas, onde coordenadores questionam a capacidade de jovens adultos de gerir tecnologias. Haidt nota que mesmo em universidades de elite, alunos lutam para ler textos longos, um sintoma da fragmentação da atenção. No Brasil, o livro impulsionou debates, com especialistas como o psiquiatra Gustavo Estanislau da UFRGS endossando proibições como oportunidade de autoregulação.

Jonathan Haidt discursando sobre geração ansiosa no Brasil

Estatísticas alarmantes: ansiedade e telas no ensino superior brasileiro

Um levantamento de 2025 com 748 estudantes de nove universidades públicas brasileiras revelou 51% com depressão e 42,5% com ansiedade, níveis alarmantes que especialistas ligam ao uso excessivo de telas. Outro estudo em Cascavel (PR) confirmou impactos na qualidade de vida acadêmica e social. Globalmente, 65% dos universitários brasileiros relatam ansiedade diária, agravada por hábitos como sono insuficiente e sedentarismo digital.

O tempo médio de tela entre jovens é de mais de 8 horas diárias, com picos em redes sociais. No ensino superior, isso coincide com maior vulnerabilidade: o cérebro pré-frontal, responsável pelo autocontrole, só amadurece por volta dos 24 anos, tornando universitários suscetíveis a vícios digitais como nomofobia e FOMO (fear of missing out).

Reações mistas: alunos, professores e sociedade

Estudantes dividem-se: alguns veem infantilização, como Rodrigo Veloso, que criticou o Insper por tratar adultos como crianças; outros, como Carolina Aita Noro, aplaudem a medida. Professores relatam aulas mais dinâmicas pré-banimento em testes da FGV. Especialistas como Felipe Fortes (UERJ) apoiam, destacando competição neural com dopamina das redes, enquanto Milena Seabra (Faculdade Belavista) alerta para falta de preparação ao mercado de trabalho, onde foco é exigido sem proibições.

Em redes sociais, o debate ferve, com posts viralizando críticas à 'tutela excessiva' e elogios à reconexão humana. Pais e educadores veem nas regras um espelho da dependência adulta, questionando: se universitários precisam de bans, como guiar os mais jovens?

Prós e contras: um equilíbrio delicado

  • Prós: Melhora imediata na atenção e notas; proteção coletiva contra distrações; oportunidade de desenvolver hábitos saudáveis.
  • Contras: Pode inibir autonomia e resiliência; transfere problema para pós-formatura; ignora benefícios pedagógicos de apps educativos.

Como no fumo em aviões, o impacto alheio justifica intervenções, mas críticos como Patrícia Blanco (Instituto Palavra Aberta) veem falha societal em ensinar responsabilidade.

Evidências globais e locais para embasar as mudanças

Pesquisas da UNESCO e Unesco alertam para prejuízos na criatividade e aprendizado. No Brasil, estudos da PUC-SP e USP confirmam: uso excessivo eleva ansiedade e reduz memória. A proibição em escolas básicas já mostra menos conflitos e mais interação, sugerindo potencial similar nas faculdades.

Leia mais na Folha sobre o Insper.

Desafios de implementação e alternativas viáveis

Instituições optam por diálogo em vez de punições, com capacitação para uso ético de tech. Alternativas incluem apps bloqueadores e zonas livres de telas. Para estudantes lidando com ansiedade, recursos como conselhos de carreira em educação superior ajudam a equilibrar estudos e bem-estar.

Aula na FGV com foco total dos alunos

Implicações futuras para o ensino superior no Brasil

Se o piloto em São Paulo vingar, outras unis como USP e Unicamp podem seguir. Isso impulsiona debates sobre currículos com alfabetização digital e saúde mental. Para profissionais, reforça demanda por foco em ambientes competitivos – confira vagas em higher-ed-jobs para carreiras resilientes.

No horizonte, regulamentações maiores para big techs e IA podem surgir, preparando uma geração mais autônoma. Avalie professores em rate-my-professor e busque orientação em higher-ed-career-advice.

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Dr. Liam Whitaker

Contributing writer for AcademicJobs, specializing in higher education trends, faculty development, and academic career guidance. Passionate about advancing excellence in teaching and research.

Frequently Asked Questions

📱Por que Insper, ESPM e FGV proibiram celulares?

Para melhorar atenção e dinâmica de aulas, citando estudos que mostram ganhos em notas com restrições.

😰O que é a 'geração ansiosa' de Jonathan Haidt?

Termo do livro que liga smartphones e redes sociais ao aumento de ansiedade e depressão em jovens desde 2010.

📊Quais stats de ansiedade em universitários brasileiros?

51% com depressão e 42,5% ansiedade em unis públicas (2025); 65% sentem ansiedade diária.

🧠Celulares realmente prejudicam o aprendizado?

Sim, presença reduz performance em 20%; notificações ativam dopamina, distraindo coletivamente.

💬Reações dos alunos às proibições?

Mistas: alguns veem infantilização, outros melhor foco e interação.

⚖️A lei de 2025 se aplica a universidades?

Não, só básica; unis agem voluntariamente.

⏱️Tempo médio de tela no Brasil?

9h13min/dia, 2º maior mundo; jovens >8h.

⚖️Prós e contras das proibições?

  • Prós: +atenção, notas.
  • Contras: menos autonomia.

💡Alternativas às proibições totais?

Apps bloqueadores, zonas livres, educação digital. Veja conselhos.

🔮Futuro das regras em outras unis?

Pode inspirar USP, Unicamp; foco em saúde mental e IA ética.

🛡️Como lidar com dependência em faculdades?

Autoregulação, brincadeiras offline, apoio psicológico. Jobs em higher-ed-jobs.