Os Principais Achados do Estudo ASPREE sobre Aspirina e Câncer em Idosos
O estudo ASPREE (Aspirin in Reducing Events in the Elderly), um dos maiores ensaios clínicos randomizados já realizados sobre o tema, analisou os efeitos do uso diário de aspirina em baixa dose (100 mg) em idosos saudáveis. Publicado recentemente na JAMA Oncology, o follow-up de longo prazo acompanhou 19.114 participantes com idade média de 75 anos, provenientes da Austrália e dos Estados Unidos, por uma mediana de 8,6 anos.
Esse achado contradiz estudos anteriores em adultos mais jovens, que sugeriam benefícios preventivos após 10 anos de uso, particularmente para câncer colorretal. No entanto, em idosos acima de 70 anos, o risco-benefício parece inverter, com possível aceleração da progressão tumoral em estágios iniciais.
Metodologia do Estudo: Como Foi Conduzida a Pesquisa ASPREE
O ASPREE foi um ensaio duplo-cego, placebo-controlado, iniciado em 2010 e concluído em 2017, com extensão observacional (ASPREE-XT) até 2024. Participantes eram idosos comunitários, livres de demência, doença cardiovascular ou incapacidade física limitante. Metade recebeu aspirina 100 mg/dia por mediana de 4,7 anos, enquanto a outra metade tomou placebo. Os desfechos primários incluíram incidência de câncer (adjudicada por médicos), tipo, estágio e mortalidade oncológica, com análises de intenção de tratar e subgrupos por estágio e tipo tumoral.
- Participantes: 19.114 (56,4% mulheres), idade média 75,1 anos.
- Follow-up total: Mediana 8,6 anos (IQR 7,4-10,0).
- Casos de câncer: 3.448 incidentes, 1.173 mortes por câncer.
Não houve diferenças na incidência por estágio ou tipo, mas a mortalidade foi maior no grupo aspirina durante o trial (HR 1,27 para diagnosticados no período), sem efeito legatário pós-interrupção.
Incidência de Câncer: Aspirina Não Oferece Proteção em Idosos
Contrariando expectativas baseadas em meta-análises de populações mais jovens, o ASPREE demonstrou HR 1,01 (IC 95% 0,84-1,21) para câncer colorretal, sem benefício em outros tipos como mama, próstata ou pulmão. A incidência total foi similar entre grupos, reforçando que iniciar aspirina após os 70 anos não previne o desenvolvimento de neoplasias. Especialistas como o oncologista Rodrigo Fogace, do Hospital Albert Einstein, alertam que estudos observacionais superestimavam benefícios, e ensaios como ASPREE são mais confiáveis para idosos.
Essa ausência de efeito preventivo destaca a importância de estratégias comprovadas, como rastreamento colonoscópico no SUS para maiores de 50 anos.
Mortalidade por Câncer: Risco Elevado Associado à Aspirina
O ponto mais alarmante foi o aumento na mortalidade oncológica no grupo aspirina, com HR 1,15 no follow-up total e persistência até 5 anos pós-diagnóstico. Para cânceres diagnosticados durante o trial, o risco foi 27% maior (HR 1,27). Não se observou legado protetor pós-cessação, sugerindo que a aspirina pode promover progressão em tumores pré-existentes ou iniciais, possivelmente via efeitos antiplaquetários alterando microambiente tumoral.
Esses dados ecoam análises prévias do ASPREE (2020), que ligavam aspirina a maior risco de câncer avançado.
Câncer Colorretal em Idosos: Por Que a Aspirina Falhou?
O colorretal, terceiro câncer mais comum no Brasil (INCA estima 44 mil casos/ano em 2026-2028), foi foco histórico da aspirina devido a inibição de COX-2 e prostaglandinas pró-inflamatórias. Contudo, ASPREE mostrou neutralidade (HR 1,01), contrastando com trials como CAPP2 em Lynch syndrome. Fatores como idade avançada, comorbidades e duração insuficiente (4,7 anos vs 10+ recomendados) explicam a discrepância.
Diretrizes brasileiras (SBC) priorizam prevenção primária apenas em <70 anos com alto risco CV, contraindicando em idosos por hemorragia.
Oportunidades em pesquisa clínica sobre câncer colorretal estão crescendo no Brasil.Riscos Adicionais da Aspirina em Idosos: Além do Câncer
ASPREE confirmou aumento de hemorragia maior (intracraniana e GI), anemia (20% maior risco em análises prévias) e ausência de benefício CV, alinhando com diretrizes USPSTF e SBC contra uso rotineiro em >60 anos sem história CV. No Brasil, com 32 milhões de idosos (IBGE), isso impacta milhões autoadministrando aspirina para 'prevenção geral'.
- Hemorragia GI: HR 1,38
- Anemia incidente: +38%
- Sem redução em MACE (CV)
Contexto Brasileiro: Câncer em Idosos e o SUS
O INCA projeta 781 mil novos cânceres/ano (2026-2028), com mama (78k), próstata (78k) e colorretal liderando em idosos. Mortalidade alta por diagnóstico tardio (70% avançados). Aspirina não é recomendada pela SBC para prevenção primária em idosos, priorizando estilo de vida, rastreamento (Mama/ colo/próstata via SUS) e vacinas HPV/HepB.
Opiniões de Especialistas Brasileiros e Diretrizes Atuais
Dr. Rodrigo Fogace (Einstein): "ASPREE refuta prevenção universal; cautela em idosos." SBC (Diretrizes Prevenção CV 2023): AAS só se benefício CV claro supera sangramento. Sociedade Brasileira Oncologia Clínica: Foco em rastreio, não quimioprevenção aspirina. Estudos USP/UNIFESP corroboram riscos hemorrágicos.INCA reforça prevenção não farmacológica.
Alternativas Eficazes para Prevenção de Câncer em Idosos
| Estratégia | Benefício Evidenciado | Aplicação Brasil |
|---|---|---|
| Rastreio Colonoscopia (50-75 anos) | Reduz mortalidade 68% | SUS gratuito |
| Vacina HPV (até 45 anos) | Previne colorretal/cervical | SUS |
| Dieta Mediterrânea + Exercício | Reduz risco 30% | Baixo custo |
| Abstinência Tabagismo | Evita 30% cânceres |
Essas opções superam aspirina em evidência e segurança para idosos brasileiros.
Vagas em pesquisa clínica oncológica.Estudos Anteriores vs ASPREE: Evolução da Evidência
Trials como Physicians' Health Study (homens 40-84) sugeriram redução colorretal 20-30% após 10 anos. CAPP2 (Lynch): 40% menos. Mas ASPREE, focado idosos saudáveis, mostra limitação etária. Meta-análises USPSTF (2022) contraindicam >60 anos por riscos.
Implicações para Pesquisa Futura e Universidades Brasileiras
Universidades como USP, UNIFESP e UFRJ lideram estudos locais sobre aspirina e câncer. Futuro: biomarcadores (PIK3CA?) para resposta individual. Monash (ASPREE) inspira colaborações BR-AU. Carreiras em pesquisa higher ed crescem com foco oncologia geriátrica.
Internacionalização pesquisa.Photo by Markus Winkler on Unsplash
Conclusão: Cautela com Aspirina e Foco em Prevenção Comprovada
O ASPREE solidifica: aspirina não previne câncer em idosos e eleva mortalidade riscos. No Brasil, priorize rastreio SUS, hábitos saudáveis e consulta médica. Para dúvidas sobre professores/pesquisa, visite Rate My Professor. Busque vagas higher ed jobs, university jobs, higher ed career advice. Engaje nos comentários!
Artigo JAMA Oncology | Estimativa INCA