Uma nova iniciativa de pesquisa lançada pela Fiocruz em parceria com instituições do Reino Unido está investigando a presença de vírus em roedores silvestres da Mata Atlântica, no Rio de Janeiro. O projeto, iniciado em dezembro de 2025, visa fortalecer a vigilância de zoonoses emergentes, utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genético para detectar patógenos conhecidos e potenciais novos vírus com risco para a saúde humana.
A Mata Atlântica, um hotspot de biodiversidade, abriga espécies de roedores como Akodon cursore e Oligoryzomys nigripes, reconhecidos reservatórios de hantavírus, responsáveis pela Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), uma doença grave com letalidade de até 40% no Brasil.
🦠 Contexto das Zoonoses Transmitidas por Roedores no Brasil
No Brasil, vírus transmitidos por roedores representam uma ameaça significativa à saúde pública. A hantavirose, causada por hantavírus do gênero Orthohantavirus, é endêmica desde 1993, com mais de 2.000 casos confirmados até 2017, concentrados no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e letalidade média de 40%.
Outro patógeno preocupante é o arenavírus Sabiá, causador da Febre Hemorrágica Brasileira (FHB), com apenas três casos documentados em São Paulo (1990 e 2019), mas sem reservatório conhecido identificado.
- Hantavírus Laguna Negra: Reservatório principal Oligoryzomys nigripes na Mata Atlântica e Pampa.
- Arenavírus: Potencial em roedores sigmodontíneos como Akodon spp.
- Riscos adicionais: Novos vírus detectados por metagenômica em estudos prévios da Fiocruz.
Para profissionais de saúde e pesquisadores, entender esses reservatórios é essencial. Oportunidades em vagas de pesquisa em virologia estão crescendo no Brasil.
A Mata Atlântica como Foco de Risco Zoonótico
A Mata Atlântica, reduzida a 12% de sua cobertura original, é um epicentro de biodiversidade e zoonoses devido à fragmentação. Estudos indicam abundância de roedores reservatórios como O. nigripes em bordas florestais, facilitando transmissão para humanos em expansões urbanas.
Fragmentação aumenta densidade de roedores sinantrópicos, vetorizando patógenos. Projetos como o da Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica já mapearam mamíferos médios e grandes, complementando essa vigilância.
Parceria Fiocruz-Reino Unido: Instituições e Financiamento
A colaboração envolve o Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses e o Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios do IOC/Fiocruz com a UK Public Health Rapid Support Team (UK-PHRST). Esta é uma parceria entre a UK Health Security Agency (UKHSA) e a London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), financiada pelo Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido.
Leia a notícia completa da Fiocruz. Essa aliança fortalece redes globais, com LSHTM – renomada em saúde tropical – trazendo expertise em genômica de campo.
Para acadêmicos brasileiros, parcerias internacionais como essa abrem portas para conselhos de carreira em pesquisa global.
Metodologia de Campo: Captura e Biossegurança
O trabalho de campo em Rio Claro incluiu armadilhas para capturar roedores silvestres, com apoio das Secretarias de Saúde estadual e municipal. Amostras de sangue, tecidos e swabs foram coletadas em laboratório de campo BSL-2, garantindo biossegurança.
- Espécies alvo: Akodon cursore e Oligoryzomys nigripes.
- Locais: Interior de mata e bordas florestais.
- Processamento inicial: Identificação taxonômica e testes sorológicos/moleculares para hantavírus e arenavírus.
Técnicas Avançadas: Metagenômica e Sequenciamento Portátil
A inovação está na metagenômica viral, que detecta todos os vírus em uma amostra, além de patógenos conhecidos. Treinamento em sequenciador portátil (Nanopore) permite análises in loco, acelerando respostas a surtos. Bioinformática no IOC caracterizará variantes.
Essa abordagem, transferida pela UK-PHRST, capacita estudantes de pós-graduação do IOC em programas como Biodiversidade e Saúde.
Pesquisadores Líderes e Contribuições
- Jorlan Fernandes (IOC): Líder local, enfatiza preparação climática. - Renata Oliveira (IOC): Chefe do Lab Hantaviroses, destaca histórico regional. - Bernardo Teixeira (IOC): Biologia de reservatórios. - Daniel Carter (UK-PHRST): Genômica. - Edmund Newman (UK-PHRST): Diretor, foco em surtos.
Estudantes de pós do IOC participam, integrando pesquisa avançada à formação.
Implicações para a Saúde Pública Brasileira
Resultados esperados em março mapearão vírus circulantes, permitindo alertas precoces. Com prevenção simples como evitar roedores, o projeto reduz riscos em áreas vulneráveis.
Integração com vigilância do Ministério da Saúde fortalece resposta nacional.
Mudanças Climáticas e Riscos Emergentes
Desmatamento e aquecimento expandem habitats de roedores, elevando zoonoses. Estudos ligam clima a leptospirose e hantavirose no Brasil.
Capacitação e Impacto na Formação Superior
Treinamento de janeiro beneficiou pesquisadores e pós-graduandos do IOC, em programas como Biologia Celular e Molecular. Fortalece ecossistema de pesquisa brasileiro, com LSHTM como modelo.
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Perspectivas Futuras e Chamadas para Ação
Resultados iniciais em março pavimentam expansões. Para acadêmicos, explore avaliações de professores, vagas em educação superior, conselhos de carreira e empregos universitários. Contribua para vigilância zootônica no Brasil.