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Descoberta Surpreendente: Joaninha Minúscula em Árvore de Campus Universitário
A nova espécie de joaninha minúscula, batizada de Parastethorus pinicola, foi identificada em um pinheiro-negro-japonês plantado no campus Hakozaki da Universidade Kyushu, em Fukuoka, Japão. Esse achado, publicado recentemente em uma revista científica internacional, destaca como a biodiversidade pode se esconder em locais inesperados, inclusive em áreas urbanas de instituições de ensino superior.
O inseto, com pouco mais de 1 milímetro de comprimento – menor que um grão de areia –, possui coloração preta que o torna quase invisível a olho nu. Sua descoberta reforça a importância da pesquisa meticulosa conduzida por universidades, onde ambientes cotidianos podem abrigar segredos da natureza ainda não revelados.
Perfil dos Pesquisadores e o Contexto Universitário
A liderança da pesquisa coube a Ryōta Seki, doutoranda no Laboratório de Entomologia da Escola de Pós-Graduação em Ciências de Bio-recursos e Bioambiente da Universidade Kyushu. Orientada pelo professor Munetoshi Maruyama, do Museu da Universidade Kyushu, Seki optou por investigar pinheiros após relatos de que o grupo de joaninhas Stethorini frequenta essas árvores. A coleta ocorreu no Observatório de Hakozaki, demonstrando como campi universitários servem de laboratórios naturais.
Essa colaboração acadêmica resultou na descrição não apenas de P. pinicola, mas também de outra nova espécie, Stethorus takakoae, encontrada em Hokkaido e nomeada em homenagem à avó de Seki, que despertou seu interesse por insetos na infância. O estudo foi publicado na Acta Entomologica Musei Nationalis Pragae, volume 65, edição 2.Acesse o estudo completo aqui.
Métodos Científicos: Analisando 1.700 Espécimes
A identificação de espécies tão diminutas exigiu técnicas avançadas. Os pesquisadores examinaram 1.700 joaninhas coletadas, utilizando dissecação e microscopia para analisar órgãos reprodutivos, pois a morfologia externa é similar entre indivíduos. Esse rigor corrigiu erros taxonômicos históricos, como a confusão entre Stethorus japonicus japonesa e S. siphonulus asiática.
- Coletar amostras em habitats específicos, como pinheiros.
- Preservar espécimes em álcool para análise laboratorial.
- Dissecar genitália masculina e feminina para diagnóstico diferencial.
- Comparar com coleções históricas para validar novidades.
- Publicar revisão abrangente dos gêneros Stethorus e Parastethorus no Japão.
Esse processo passo a passo ilustra o meticuloso trabalho de entomólogos em universidades, essencial para avançar o conhecimento taxonômico.
Características Físicas e Comportamento da Espécie
A Parastethorus pinicola pertence à família Coccinellidae, tribo Scymnini, conhecida por predar ácaros, incluindo os temidos ácaros-aranha em plantações. Seu corpo ovalado, convexo e pilhoso, com pernas e antenas amareladas, adapta-se perfeitamente à camuflagem em troncos de árvores. Adultos e larvas alimentam-se de ácaros fitófagos, contribuindo para o equilíbrio ecológico.
No Brasil, onde há cerca de 700 espécies de Coccinellidae registradas em mais de 90 gêneros, descobertas semelhantes enriquecem o catálogo neotropical.
Significado Ecológico e Biodiversidade Urbana
Embora minúsculas, essas joaninhas desempenham papéis cruciais como predadoras de pragas. No contexto urbano do campus, elas controlam populações de ácaros em vegetação ornamental, prevenindo danos a árvores. A descoberta alerta para a 'biodiversidade invisível' em cidades, onde espécies endêmicas sobrevivem apesar da urbanização.Comunicado da Universidade Kyushu.
Em universidades, esses estudos promovem a conscientização ambiental entre estudantes e comunidades.
Descobertas Paralelas no Brasil: Mada gregaria na Caatinga
No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), via Centro Cemafauna, descreveram Mada gregaria nas Dunas do São Francisco, Bahia. Essa joaninha amarelada, sem manchas típicas, é herbívora, alimentando-se de folhas tóxicas de Strychnos rubiginosa – primeira associação com Loganiaceae. Seu comportamento gregário adapta-se à seca da Caatinga.
- Primeira do gênero Mada na Caatinga.
- Adultos agregam por meses em dormância.
- Larvas raspam folhas jovens.
- Publicada em Annales de la Société entomologique de France.
Esses exemplos de Univasf mostram o potencial de universidades brasileiras em taxonomia de insetos.
O Papel das Universidades Brasileiras na Entomologia
Instituições como USP, UFV, UFPR e UFLA lideram programas de pós-graduação em Entomologia, com conceito CAPES 7. Elas contribuem para o controle biológico na agricultura, onde joaninhas predam pulgões e ácaros, reduzindo agrotóxicos.
Em 2025-2026, novas espécies como Smicridea exu (UFV) e libélulas (IFSULDEMINAS) foram descritas, reforçando o Brasil como hotspot de biodiversidade.
Interessados em pesquisa podem explorar oportunidades em vagas de pesquisa em universidades.
Implicações para Agricultura e Controle Biológico
Joaninhas como P. pinicola combatem ácaros-aranha, pragas em soja e citrus no Brasil. Programas da Embrapa promovem liberação de espécies nativas para agricultura orgânica, economizando em pesticidas e preservando polinizadores.
- Predação: até 200 pulgões/dia por indivíduo.
- Sustentabilidade: reduz uso de químicos.
- Bioindicadores: sinalizam saúde ecossistêmica.
- Agricultura familiar: aliadas em hortas urbanas.
Desafios e Perspectivas Futuras na Pesquisa
Desafios incluem financiamento e treinamento em microscopia. No Brasil, programas como PPG Entomologia (UFV, USP) formam especialistas. Futuramente, DNA barcoding acelerará identificações, revelando mais espécies urbanas.
Universidades incentivam colaborações internacionais, como entre Kyushu e redes neotropicais.
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Oportunidades Profissionais em Entomologia no Ensino Superior
Com demanda por pesquisadores em biodiversidade e biotecnologia, carreiras em universidades oferecem estabilidade. Plataformas como AcademicJobs listam posições em pesquisa de insetos e docência. Avalie professores em Rate My Professor e busque conselhos de carreira.
Essa descoberta inspira jovens cientistas a explorarem o microcosmo ao seu redor.
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