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Os Novos Acordos Transformativos da CAPES: Uma Porta Aberta para Publicações Internacionais Sem Custos
No início de 2026, pesquisadores brasileiros afiliados a mais de 450 instituições ganharam uma vantagem competitiva significativa no cenário global da publicação científica. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), firmou acordos transformativos com grandes editoras internacionais, permitindo a publicação de artigos em acesso aberto (Open Access, ou OA) em periódicos de alto impacto sem o pagamento de taxas de processamento de artigo (Article Processing Charges, ou APCs). Esses acordos combinam acesso à leitura (read) com publicação sem custos (publish), eliminando barreiras financeiras que chegavam a R$ 70 mil por artigo.
Essa iniciativa beneficia universidades federais, estaduais e centros de pesquisa como USP, Unicamp, UFRJ e Fiocruz, projetando a ciência nacional para um público global. Com previsão de até 6 mil artigos OA por ano apenas com a Springer Nature, o impacto na visibilidade e no Qualis CAPES – sistema de classificação de periódicos usado para avaliação de programas de pós-graduação – é imediato.
O Que São Acordos Transformativos e Como Eles Funcionam?
Os acordos transformativos representam uma transição do modelo de assinatura tradicional para o acesso aberto sustentável. Nele, instituições ou consórcios como a CAPES negociam pacotes que incluem leitura ilimitada de todo o portfólio da editora e publicação OA gratuita para autores elegíveis. Diferente do Open Access Diamante (diamond OA), onde não há taxas para autores nem leitores financiado por sociedades ou universidades, esses acordos cobrem APCs em periódicos híbridos (parte paywall, parte OA) e fully OA.
Para o pesquisador brasileiro, o processo é simples e integrado ao fluxo de submissão habitual. A CAPES já havia publicado 2,5 mil artigos OA via acordos anteriores com Wiley e outras, demonstrando eficácia prática.
Editoras Envolvidas e Cobertura de Periódicos
As parcerias abrangem gigantes da publicação científica:
- Elsevier: 434 instituições, 1.619 periódicos híbridos da Freedom Collection, válido até 2028.
- Springer Nature: 414 instituições, 1.738 títulos híbridos, incluindo Nature Portfolio, ilimitado a partir de 2026.
- ACM: 207 instituições, 73 títulos em computação, já em vigor.
- Wiley: 434 instituições, híbridos ilimitados a partir de janeiro 2026.
- Outros: IEEE, ACS, Royal Society (260 inst., 10 títulos).
| Editora | Nº Instituições | Nº Periódicos Cobertos | Vigência |
|---|---|---|---|
| Elsevier | 434 | 1.619 híbridos | 2026-2028 |
| Springer Nature | 414 | 1.738 híbridos | 2026-ilimitado |
| ACM | 207 | 73 | Em vigor |
| Wiley | 434 | Híbridos ilimitados | A partir jan/2026 |
Esses periódicos frequentemente ocupam estratos A1 e A2 no Qualis CAPES, essenciais para progressão acadêmica.
Critérios de Elegibilidade e Passos para Publicar Sem Taxas
Para usufruir dos benefícios:
- Cadastre seu ORCID no sistema CAPES.
- Verifique se sua instituição está listada no Portal de Periódicos CAPES.
- Submeta o artigo com e-mail institucional, selecionando licença CC-BY.
- A editora verifica elegibilidade automaticamente; APC é coberta pela CAPES.
- Acompanhe no portal da editora.
Atenção: exclui custos extras como páginas coloridas. Consulte listas específicas no Portal CAPES.
Benefícios para Universidades e Pesquisadores Brasileiros
Universidades como USP e Unicamp relatam maior visibilidade internacional, com artigos OA citados 20-30% mais. Isso impulsiona rankings globais, atrai funding e atende mandatos de agências como CNPq e FAPESP. Economias individuais superam milhões anualmente, democratizando a ciência.
Para docentes e pós-graduandos, publicações OA fortalecem currículos. Considere recursos como como escrever um CV acadêmico vencedor para maximizar impactos.
Opções de Diamond Open Access: Periódicos Internacionais Gratuitos Puros
Além dos acordos, o Directory of Open Access Journals (DOAJ) lista milhares de diamond OA sem APC. Exemplos indexados Scopus/Qualis A1-A2:
- Journal of Biomedical Science (Q1, Biomedicina).
- Journal of Statistical Software (Q1, Estatística).
- Anais Brasileiros de Dermatologia (Q2, Brasil).
- Arquivos Brasileiros de Cardiologia (Q3, Brasil).
Casos Reais: Sucessos em Universidades Brasileiras
Na USP, geocientistas já utilizam acordos para publicar em Springer sem custos. Fiocruz relata alta em artigos de alto impacto. Em 2025, 2,5 mil publicações OA via CAPES mostram tendência ascendente para 2026.
Para vagas em pesquisa, explore research-jobs e higher-ed-jobs/faculty.
Desafios e Dicas para Maximizar Oportunidades
Desafios incluem limite de artigos em alguns acordos e necessidade de ORCID. Dicas:
- Planeje submissões cedo.
- Use ferramentas como Google Scholar para métricas.
- Combine com SciELO para visibilidade regional.
- Acompanhe atualizações CAPES.
Perspectivas Futuras: Crescimento do OA no Brasil
Com esses acordos, o Brasil consolida-se como líder em ciência aberta na América Latina. Expectativas incluem mais parcerias e migração para diamond OA global, alinhado à UNESCO. Pesquisadores preparados destacar-se-ão em um mercado competitivo.
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