Promote Your Research… Share it Worldwide
Have a story or a research paper to share? Become a contributor and publish your work on AcademicJobs.com.
Submit your Research - Make it Global NewsO Que é Herpes-Zóster e Por Que Afeta Mais Pacientes Reumáticos?
O herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, é uma infecção causada pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial na infância, o vírus permanece latente nos gânglios nervosos e pode se reativar anos depois, causando uma erupção dolorosa e, em casos graves, complicações como neuralgia pós-herpética, paralisia ou infecções secundárias. No Brasil, a incidência de herpes-zóster tem aumentado, especialmente entre idosos e imunocomprometidos, com estudos indicando um crescimento contínuo relacionado à pandemia de COVID-19.
Pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI), como artrite reumatoide (AR) e lúpus eritematoso sistêmico (LES), enfrentam risco até 8 vezes maior de herpes-zóster devido à própria doença e aos imunossupressores como glicocorticoides, metotrexato e biológicos. A prevalência de AR no Brasil é de cerca de 0,46%, afetando mais de 900 mil pessoas, enquanto o LES impacta milhares, com mais de 15 milhões de brasileiros convivendo com alguma doença reumática.
O Estudo Padrão Ouro da USP: Metodologia e Escala Inovadora
A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) liderou o maior estudo randomizado do mundo sobre a vacina recombinante contra herpes-zóster (Shingrix) em pacientes com DRAI. Publicado em fevereiro de 2026 no The Lancet Rheumatology, o ensaio de fase 4, duplo-cego, controlado por placebo e de não inferioridade, envolveu 1.192 pacientes do Hospital das Clínicas (HC-FMUSP) entre maio de 2023 e novembro de 2024. Os participantes, com 18 anos ou mais e em tratamento estável com imunossupressores por pelo menos 4-12 semanas, foram randomizados 1:1 para duas doses da vacina ou placebo, com intervalo de 6 semanas. Um grupo de 393 controles saudáveis recebeu a vacina para comparação.

A USP escolheu esse design rigoroso para superar limitações de estudos prévios observacionais ou pequenos, avaliando flare de doença (piora), imunogenicidade (resposta de anticorpos anti-gE e células T CD4+) e eventos adversos até 84 dias após a primeira dose.
Perfil dos Pacientes e Diversidade das Doenças Incluídas
Os 1.192 pacientes tinham diagnósticos variados de DRAI, incluindo AR (prevalente em 0,46% da população brasileira), LES, espondiloartrites e outras, com 78% mulheres, 49% de descendência africana e 49% branca. Cerca de 30% apresentavam doença ativa, e todos usavam imunossupressores como rituximabe ou micofenolato de mofetila. Essa representatividade reflete a realidade brasileira, onde doenças reumáticas afetam milhões, com maior impacto em mulheres de 30-50 anos.
Os controles saudáveis permitiram comparar tolerância, destacando a excelência da pesquisa da USP em capturar dados reais de pacientes complexos.
Resultados de Segurança: Sem Aumento de Crises da Doença
O desfecho primário mostrou não inferioridade: taxa de flare até dia 84 foi 14% (80/559 vacinados) vs. 15% (84/557 placebo), diferença de -1,2% (IC 95% -4,7 a 2,2; p=0,0018). Mesmo em pacientes com doença ativa ou potentes imunossupressores, a vacina não desencadeou pioras, dissipando receios comuns entre médicos e pacientes.
Eloísa Bonfá, coordenadora e chefe de Reumatologia da FMUSP, afirmou: “30% dos nossos pacientes estavam com a doença ativa, tomaram a vacina e não tiveram piora, mostrando que é altamente segura para essa população.”
Eventos Adversos: Mais Leves que em Saudáveis
Eventos adversos locais (dor, vermelhidão) e sistêmicos (cefaleia, fadiga) foram comuns, mas mais leves e menos frequentes em pacientes reumáticos: após primeira dose, 77% vacinados vs. 31% placebo e 90% controles; segunda dose: 72% vs. 26% e 81%. Eventos graves foram raros e semelhantes (1-2%). “Pacientes reumáticos relataram menos eventos que saudáveis”, destacou Nadia Emi Aikawa, primeira autora.
Imunogenicidade: 90% Desenvolveram Proteção Adequada
Aproximadamente 90% dos vacinados atingiram resposta de anticorpos anti-gE adequada após duas doses, com aumento significativo em células T CD4+, essenciais para proteção duradoura. Resposta foi menor com rituximabe (vacinar 6 meses após última infusão) e micofenolato (suspensão temporária se estável). A publicação no The Lancet Rheumatology reforça a eficácia em imunossuprimidos.
Influência de Medicamentos Imunossupressores na Resposta Vacinal
- Rituximabe: Reduz resposta; vacinar no final do ciclo (6 meses).
- Micofenolato mofetila: Suspensão temporária recomendada se doença controlada.
- Metotrexato e biológicos: Impacto menor, mas monitorar.
Aikawa recomenda: “Ajustamos o momento da vacinação para otimizar resposta sem comprometer controle da doença.” Estudos prévios confirmam risco elevado de HZ com esses fármacos.
Perspectivas dos Pesquisadores da USP
Eloísa Bonfá enfatiza: “É uma vacina muito boa, pois infecções em reumáticos custam caro ao SUS, com hospitalizações e risco de morte.” O estudo preenche lacuna global, influenciando diretrizes. Nadia Aikawa nota receios prévios superados por dados robustos. A FMUSP destaca o papel da USP em pesquisas translacionais.
Implicações para Pacientes e Sistema de Saúde Brasileiro
Com >15 milhões afetados por reumáticas, a vacina pode reduzir HZ grave, neuralgia e custos. No Brasil, incidência hospitalar alta em imunocomprometidos. Apesar disso, Shingrix não entrou no SUS em janeiro 2026 por custo elevado, disponível apenas privado (R$800-1000/dose). Projetos no Congresso visam inclusão para >50 anos e imunossuprimidos.
Disponibilidade da Vacina Shingrix no Brasil e Acessibilidade
Aprovada Anvisa desde 2021 para >50 anos, Shingrix é recombinante (segura para imunossuprimidos, ao contrário de Zostavax viva). Não no Calendário Nacional, mas recomendada por SBR. Campanhas privadas crescem pós-estudo USP. Para reumáticos, priorizar vacinação privada ou via SUS em testes.
Contexto Global e Estudos Relacionados
Estudos prévios mostram Shingrix 50-97% eficaz em artrite inflamatória, reduzindo HZ em 50%.

Perspectivas Futuras e Recomendações da USP
Monitorar proteção longa (>1 ano), doses de reforço e impacto em HZ real. USP planeja estudos longitudinais. Recomendações: vacinar reumáticos >18 anos, ajustar timing medicamentos, conscientizar médicos/pacientes. Posiciona USP como líder em reumatologia brasileira.
Be the first to comment on this article!
Please keep comments respectful and on-topic.