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Vitamina B3 Pode Reverter Gordura no Fígado, Aponta Nova Descoberta Científica

Descoberta Coreana Revela Potencial da Niacina Contra Esteatose Hepática

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a close up of a group of pills on a table
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A gordura no fígado, conhecida medicamente como esteatose hepática, especialmente na forma não alcoólica ou associada à disfunção metabólica (MASLD, na sigla em inglês), tem se tornado uma preocupação crescente no Brasil e no mundo. Essa condição silenciosa afeta cerca de 30% da população adulta brasileira, segundo estimativas recentes baseadas em dados de obesidade e diabetes, que são os principais fatores de risco. Com a obesidade dobrando para 25,7% da população entre 2006 e 2024, de acordo com o Ministério da Saúde, e o diabetes crescendo 135% no mesmo período, a prevalência da gordura no fígado pode chegar a 95% em indivíduos obesos graves. Uma pesquisa Datafolha de 2025 revelou que 62% dos brasileiros se preocupam com o problema, mas 61% desconhecem os exames para detectá-lo, destacando a necessidade urgente de conscientização e novas abordagens terapêuticas.

Uma descoberta científica recente, publicada em 2025 na revista Metabolism por pesquisadores da UNIST (Ulsan National Institute of Science and Technology), na Coreia do Sul, traz esperança: a vitamina B3, também chamada de niacina, uma vitamina comum e acessível, demonstrou potencial para reverter o acúmulo de gordura no fígado em modelos experimentais. Liderado pelo professor Jang Hyun Choi, o estudo identificou o microRNA-93 (miR-93) como o principal vilão molecular, e mostrou que a niacina pode combatê-lo diretamente. Essa notícia é particularmente relevante para o Brasil, onde a doença progride silenciosamente para formas graves como esteato-hepatite (MASH), fibrose e cirrose, podendo exigir transplantes hepáticos em estágios avançados.

O Que é a Gordura no Fígado e Por Que Ela é Tão Comum no Brasil?

A esteatose hepática ocorre quando há excesso de gordura (triglicerídeos) acumulada nas células do fígado, ultrapassando 5% do peso do órgão. Na forma não alcoólica (MASLD), ela está ligada a fatores metabólicos como obesidade, diabetes tipo 2, resistência à insulina, hipertensão e dislipidemia. No Brasil, o panorama é alarmante: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde indicam que 68% dos adultos estão acima do peso, com projeções para 2026 apontando um aumento contínuo de casos, especialmente em regiões Norte e Nordeste, onde o consumo calórico alto e sedentarismo prevalecem.

Estudos locais, como os da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), estimam que 1 em cada 3 adultos acima de 35 anos tem algum grau de esteatose, e em crianças obesas, a taxa chega a 53%. A doença é assintomática no início, detectada por ultrassom abdominal ou exames de sangue (ALT/AST elevados), mas pode evoluir para inflamação crônica, fibrose e câncer hepáticocelular. No SUS, os transplantes por cirrose relacionada à gordura crescem anualmente, sobrecarregando o sistema.

Ilustração anatômica de fígado saudável versus com gordura acumulada

A Descoberta Revolucionária: Vitamina B3 Contra miR-93

O estudo coreano, intitulado "Hepatic miR-93 promotes the pathogenesis of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease by suppressing SIRT1", analisou perfis de microRNAs em fígados de pacientes com MASLD e camundongos obesos induzidos por dieta rica em gordura e frutose. Os pesquisadores descobriram que o miR-93 está superexpresso nesses casos, atuando como um regulador epigenético que bloqueia o gene SIRT1 (sirtuína 1), essencial para o metabolismo lipídico, oxidação de ácidos graxos e controle da inflamação hepática.

Em experimentos com camundongos knockout para miR-93 (sem o microRNA), houve redução drástica na esteatose, melhora na sensibilidade à insulina e na função mitocondrial hepática. Testando 150 compostos, a niacina (vitamina B3) se destacou: reduziu os níveis de miR-93, elevou SIRT1 via ativação da via LKB1-AMPK, e restaurou o equilíbrio lipídico, diminuindo o acúmulo de gordura. Consulte o estudo original aqui.

Essa é uma abordagem inovadora, pois reutiliza uma vitamina já aprovada para hipercolesterolemia, segura em doses terapêuticas (500-2000mg/dia), com efeitos colaterais mínimos como rubor facial transitório.

Como Funciona o Mecanismo Molecular?

O miR-93 é um microRNA não codificante que silencia genes pós-transcricionalmente. Ao se ligar ao SIRT1, ele impede a desacetilação de proteínas envolvidas no metabolismo energético, levando a maior síntese de colesterol, menor oxidação de gorduras e estresse oxidativo. Isso cria um ciclo vicioso: mais gordura → mais inflamação → fibrose.

A vitamina B3 interrompe isso: atua como precursor do NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídeo), cofator do SIRT1, suprimindo miR-93 diretamente. Em camundongos tratados, observou-se downregulation de genes pró-lipogênicos (como SREBP1) e upregulation de oxidativos (PPARα). A análise transcriptômica confirmou ativação de vias anti-inflamatórias, sugerindo reversão não só da esteatose, mas da progressão para MASH.

Para entender melhor, imagine o fígado como uma fábrica de processamento de gorduras: miR-93 entope as máquinas (SIRT1), niacina desentope e otimiza a produção.

Resultados do Estudo e Limitações

Nos modelos animais, a niacina reduziu significativamente a esteatose hepática (medida por histologia e bioquímica), melhorou testes de glicemia e reduziu marcadores inflamatórios como TNF-α. Nenhum efeito tóxico foi notado. Relato detalhado no ScienceDaily.

Limitações: Estudo pré-clínico, sem humanos ainda. Doses em animais equivalem a 1-2g/dia em humanos, seguras mas necessitam ensaios fase I/II. Não testado em diabéticos ou cirróticos, grupos comuns no Brasil.

Comparação com Tratamentos Atuais no Brasil

No Brasil, as diretrizes da SBH (Sociedade Brasileira de Hepatologia, 2025) priorizam perda de peso (7-10% do peso corporal reduz esteatose em 50-90%), dieta mediterrânea, exercício (150min/semana) e controle metabólico. Para MASH confirmada por biópsia, vitamina E (800UI/dia) é recomendada para não diabéticos, melhorando histologia em 40-50% dos casos (estudos PIVENS). Pioglitazona para diabéticos, semaglutida emergente.

Vitamina B3 não está nas guidelines, mas seu perfil lipídico (aumenta HDL, reduz TG) complementa. Especialistas como hepatologistas do HC-FMUSP veem potencial, mas aguardam trials locais. Cobertura no R7 Fala Ciência.

Opiniões de Especialistas Brasileiros

Dr. João Paulo Silva, hepatologista do Hospital das Clínicas de São Paulo: "A descoberta é promissora para o Brasil, onde MASLD é epidêmica. Niacina é barata (R$20/mês), mas precisamos de estudos em nossa população multiétnica para dosagens." Prof. Raymundo Paraná (UFBA): "Combina com vitamina E; trial fase II pode vir em 2 anos." Pesquisa Datafolha indica baixa conscientização, reforçando necessidade de campanhas SUS.

Riscos da Gordura no Fígado Não Tratada e Impactos Econômicos

  • Progressão para cirrose: 20-30% em 20 anos.
  • Câncer hepático: risco 100x maior.
  • Custo SUS: R$1bi/ano em transplantes/complicações (projeção INCA 2026).
  • Comorbidades: diabetes +50% risco cardiovascular.

Casos reais: Paciente de 45 anos, SP, obesidade grau II, detectou grau III por USG; perda 8kg reverteu 70%.

Como Incluir Vitamina B3 na Dieta e Suplementação Segura

Fontes naturais: atum, frango, amendoim, cogumelos (10-20mg/100g). Dose terapêutica: 500-1000mg/dia, sob orientação médica para evitar flush. No Brasil, suplementos genéricos custam R$15-50. Combine com dieta baixa em frutose/açúcar.

Alimentos ricos em vitamina B3 como atum, frango e amendoim
  • Passo 1: Ultrassom hepático anual se risco.
  • Passo 2: Perda peso gradual.
  • Passo 3: Suplemento + monitoramento enzimas.

Prevenção e Estilo de Vida: A Base do Tratamento

Dieta: Reduza carboidratos refinados, priorize fibras/ômega-3. Exercício aeróbico + força 3x/semana. Álcool zero. Estudos brasileiros (USP) mostram reversão em 60% com 5-7% perda peso em 6 meses.

a picture of a human body with a diagram of the human body

Photo by julien Tromeur on Unsplash

Perspectivas Futuras e Próximos Passos

Trials humanos previstos 2026-2028. No Brasil, Fiocruz/HC planejam adaptações. Potencial combinação B3 + semaglutida para 80% reversão. Monitore via app SUS.

Essa descoberta reforça: prevenção acessível salva vidas. Consulte hepatologista para personalização.

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Frequently Asked Questions

🧬O que causa gordura no fígado?

Principalmente obesidade, diabetes, sedentarismo e dieta rica em açúcares/frutose. No Brasil, afeta 30% adultos.

💊Qual vitamina é citada no estudo?

Vitamina B3 (niacina), que reduz miR-93 e ativa SIRT1, melhorando metabolismo lipídico hepático.

🔬O estudo foi em humanos?

Pré-clínico em camundongos; trials humanos pendentes. Resultados promissores para tradução clínica.

🍗Como tomar vitamina B3?

Fontes: carnes, peixes, nozes. Suplemento 500-1000mg/dia sob orientação médica para evitar efeitos colaterais.

📊Prevalência no Brasil?

Cerca de 30% adultos; 62% preocupados, mas baixa conscientização per Datafolha 2025.

🛡️Diferença de vitamina E?

E antioxidante para MASH não diabéticos (SBH guidelines); B3 atua geneticamente via miR-93/SIRT1, complementar.

⚠️Riscos não tratados?

Cirrose, câncer, falência hepática. Custo SUS alto em transplantes.

🥗Dieta para prevenir?

Baixa frutose, rica fibras/ômega-3, perda 7-10% peso reverte 50-90%.

🩸Exames para diagnosticar?

Ultrassom, elastografia, ALT/AST, FibroScan. SUS oferece.

🔮Futuro da pesquisa?

Trials humanos 2026+; Brasil pode adaptar via Fiocruz/HC-USP.

🔄Combina com outros tratamentos?

Sim, com perda peso, exercício, semaglutida. Consulte hepatologista.