Academic Jobs - Home of Higher Ed Logo

CNPq Publica Portaria com Novas Regras Obrigatórias para Uso de IA na Pesquisa Científica no Brasil

Poster une histoire
1 188vues
Native advertising — guest articles from $400See packages
men's green military suit
Photo by Rafaela Biazi on Unsplash

Contexto da Ascensão da IA na Pesquisa Científica Brasileira

No cenário atual da ciência brasileira, a inteligência artificial generativa (IAG), como ferramentas do tipo ChatGPT ou similares, tem revolucionado processos de redação, análise de dados e até concepção de projetos. De acordo com pesquisas recentes, cerca de 74% dos estudantes brasileiros utilizam IA para tarefas acadêmicas, superando a média global, mas com apenas 12 universidades possuindo regulamentações formais até o início de 2026. Essa adoção acelerada, impulsionada pela acessibilidade dessas tecnologias, trouxe benefícios como eficiência na triagem de literatura e geração de hipóteses, mas também riscos como plágio inadvertido, vieses algorítmicos e perda de originalidade intelectual.

Universidades federais, que dependem majoritariamente de financiamentos do CNPq para pesquisa, enfrentam o desafio de equilibrar inovação com ética. Instituições como USP e UFRJ já observam um aumento de 52,9% na adoção de IA no ensino e pesquisa, conforme inquéritos recentes. A ausência de normas nacionais claras gerava um vácuo regulatório, levando a práticas desiguais e potenciais fraudes. É nesse contexto que a Portaria CNPq Nº 2.664, de 6 de março de 2026, surge como marco regulatório pioneiro.

Detalhes da Portaria CNPq Nº 2.664/2026

A Portaria, publicada no Diário Oficial da União em 11 de março de 2026, institui a Política de Integridade na Atividade Científica do CNPq, aplicável a todos os proponentes, beneficiários e usuários de suas plataformas, incluindo o Currículo Lattes. Ela define integridade como 'conduta que garante a qualidade e a idoneidade das informações em todos os aspectos do projeto de ciência, tecnologia e inovação, desde a concepção até a difusão dos resultados'.

Os princípios fundamentais incluem honestidade intelectual, veracidade na autoria, respeito aos participantes de pesquisa e observância a normas éticas. Para a IAG, o Artigo 9º estabelece diretrizes específicas: declaração obrigatória do uso da ferramenta e sua finalidade em qualquer fase (concepção, redação, análise de dados ou submissão); proibição de submeter conteúdo gerado por IA como autoria humana, com responsabilidade total dos autores por plágios ou imprecisões; e vedação à inserção de projetos de terceiros em IA para pareceres científicos. Além disso, recomenda-se evitar IA na elaboração de avaliações por pares.

Essa política revoga normas anteriores e integra o Código de Conduta do CNPq, ampliando deveres para comitês e bolsistas, como relatar intercorrências e manter dados verídicos no Lattes.

Obrigações Práticas para Pesquisadores e Bolsistas

Para cumprir a portaria, pesquisadores financiados pelo CNPq devem incluir seções dedicadas na submissão de projetos, artigos ou relatórios, detalhando: 'Ferramenta utilizada: ChatGPT-4o; Finalidade: revisão gramatical de texto introdutório; Fase: redação final'. Essa transparência permite auditorias pela Comissão de Integridade na Atividade Científica (CIAC), criada em 2011 e agora fortalecida.

Em universidades, isso implica treinamentos obrigatórios. Por exemplo, a USP, via seu Escritório de Transformação Digital, já promove workshops sobre letramento em IA, enfatizando que ferramentas como calculadoras ou editores de texto seguem lógica similar: auxiliam, mas não substituem o raciocínio humano. Bolsistas devem relatar afastamentos ou dificuldades, garantindo que o uso de IA não comprometa a formação autônoma.

Proibições, Infrações e Sistema de Sanções

A portaria classifica infrações em leves, graves e gravíssimas. Uso antiético de IA cai em gravíssimas se envolver falsificação de dados ou plágio, com sanções como suspensão de bolsas, impedimento em editais por até anos, devolução de recursos e suspensão do Lattes. Medidas cautelares, como afastamento preventivo, podem ser aplicadas durante apurações.

ICTs (Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação), como universidades federais, compartilham responsabilidade, devendo promover cultura de integridade e cooperar em investigações. Reincidência em cinco anos agrava penas, mas atenuantes como colaboração voluntária são consideradas na dosimetria.

Pesquisador universitário utilizando IA em laboratório brasileiro

Impactos Diretos nas Universidades Brasileiras

Com o CNPq financiando cerca de 70% das bolsas de pesquisa em universidades federais, a portaria afeta diretamente instituições como UFSCar, UFG e UFRJ. Elas devem adaptar comitês de ética, atualizar manuais de TCC e dissertações, e integrar declarações de IA em plataformas como o Banco Brasileiro de Teses.

Estudos indicam que 73,8% dos docentes usam IA sem diretrizes claras, elevando riscos de sanções. Universidades privadas, menos dependentes, seguem por alinhamento acadêmico global, mas federais enfrentam pressão orçamentária: perda de fomento por não conformidade pode custar milhões em bolsas PQ e DT.

Respostas Iniciais das Universidades e Casos Práticos

A USP São Carlos destacou a portaria como 'organização clara de integridade', com professores como Alan Angeluci defendendo letramento em IA para uso consciente. A UFRJ, via seu Instituto de Biofísica, emitiu nota interna reforçando treinamentos. IFs como IFB já divulgam conformidade em revistas acadêmicas.

Exemplo prático: Em projeto de análise de dados genômicos financiado pelo CNPq, pesquisadores da Unicamp declaram uso de Midjourney para visualizações e GPT para sumarização de literatura, especificando limitações para evitar vieses. Isso preserva funding e credibilidade.

Outras unis, como Unesp e UFG, debatem adaptações em fóruns pós-portaria, com 42,6% já usando IA em pesquisa administrativa.

Opiniões de Especialistas e Perspectivas Acadêmicas

Prof. André Carlos Ponce de Leon F. de Carvalho (ICMC-USP) vê a norma como esperada, alinhada a eventos internacionais. Alan Angeluci alerta para riscos como 'alucinações' da IA e exposição de dados proprietários. No The Conversation, especialistas enfatizam que a política constrói ethos científico à la Merton, promovendo monitoramento e cursos CAPES para jovens pesquisadores.

Reações positivas predominam: transparência fortalece ciência brasileira globalmente, mas há chamadas por ferramentas de detecção acessíveis e treinamentos gratuitos.

Ilustração representando integridade científica com elementos de IA e pesquisa no Brasil

Desafios de Implementação e Soluções Propostas

  • Detecção de IA: Ferramentas como Turnitin IA ainda imprecisas; unis investem em capacitação humana.
  • Treinamento: CNPq planeja parcerias CAPES para cursos online gratuitos.
  • Inclusão: Evitar exclusão de pesquisadores sem acesso a IA premium via bibliotecas universitárias.
  • Ética Global: Alinha Brasil a EUA (NIH guidelines) e UE (AI Act).

Universidades como UFPR propõem comitês híbridos homem-IA para avaliações éticas.

Benefícios para a Pesquisa e Inovação no Ensino Superior

A portaria impulsiona qualidade: declaração rastreável permite meta-análises sobre impacto da IA. Em 2026, espera-se redução de 20-30% em plágios detectados, per projeções baseadas em adoções semelhantes. Beneficia estudantes de pós-graduação, focando aprendizado autônomo, e atrai funding internacional ao sinalizar rigor ético.

Casos reais: Projetos em biotecnologia na Embrapa usam IA declarada para modelagem molecular, acelerando patentes sem comprometer IP.

Visão Futura e Alinhamento Internacional

Até 2030, o CNPq monitorará adesão via declarações, ajustando normas com base em dados. Universidades federais, com 80% de produção científica nacional, liderarão treinamentos nacionais. Alinha com Plano Brasileiro de IA (MCTI), prevendo R$25 mi em bolsas IA para 2026.

Perspectiva otimista: Brasil posiciona-se como hub ético de IA na América Latina, fomentando colaborações globais.

Brazilian flag waving in front of a building

Photo by Gustavo Sánchez on Unsplash

A Portaria CNPq Nº 2.664 representa avanço maduro para integridade científica em era IA. Universidades brasileiras, ao adotarem, garantem não só compliance, mas excelência sustentável. Pesquisadores: declarem, capacitem-se e inovem eticamente – o futuro da ciência nacional depende disso.

Portrait de Sarah West
A propos de l'auteur

Sarah WestVoir auteur

Academic Jobs In House Author

Discussions

Sort par :

Soyez le premier à commenter cet article !

vous

Vous serez invité à vous connecter avant de publier votre commentaire.

Nouvelle0 comments

Rejoignez la conversation !

Ajoutez vos commentaires dès maintenant !

Avoir votre mot

Niveau d’engagement

Browse par faculté

Browse par sujet

Frequently Asked Questions

📜O que é a Portaria CNPq Nº 2.664/2026?

Institui a Política de Integridade na Atividade Científica, definindo regras para uso ético de IA em pesquisas financiadas pelo CNPq.

✅É obrigatório declarar o uso de IA na pesquisa?

Sim, em qualquer fase: especifique ferramenta e finalidade nos projetos e publicações submetidos ao CNPq.

🚫IA pode ser autora de artigos científicos?

Não, vedada submissão de conteúdo gerado por IA como autoria humana; autores humanos são responsáveis.

⚠️Quais sanções por descumprimento?

Infrações gravíssimas levam a suspensão de bolsas, devolução de recursos e impedimento em editais.

🏛️Como universidades federais são afetadas?

Devem promover treinamentos e comitês de ética; não conformidade afeta funding do CNPq.

📝Exemplos de declaração de uso de IA?

'Usado ChatGPT para sumarização de literatura na fase de revisão bibliográfica'.

👥IA é recomendada para avaliações por pares?

Não, proibida inserção de projetos em IA para pareceres; risco de violação de sigilo.

🚀Quais benefícios da portaria para pesquisa?

Garante transparência, reduz plágios e posiciona Brasil como líder ético em IA científica.

🎓Treinamentos estão disponíveis?

CNPq planeja parcerias CAPES; unis como USP oferecem workshops de letramento em IA.

🌍Como alinhar com normas internacionais?

Similar a NIH (EUA) e AI Act (UE), focando declaração e responsabilidade humana.

📚Impacto em TCC e dissertações?

Orientadores devem exigir declarações; evita sanções em banca e Lattes.