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Submit your Research - Make it Global NewsAprovação Histórica da Greve na UERJ: O Que Aconteceu na Assembleia de 19 de Março
Em um momento marcante para a educação superior no Rio de Janeiro, centenas de professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) lotaram o Auditório 11 no campus Maracanã em 19 de março de 2026. Foi uma assembleia docente histórica, a primeira em mais de uma década a aprovar uma paralisação por tempo indeterminado. A decisão veio após esgotadas as negociações com o governo estadual, refletindo anos de frustração com atrasos salariais e subfinanciamento. A greve teve início oficial em 25 de março, com nova assembleia no Auditório 53 para avaliar os rumos do movimento.
A Associação dos Docentes da UERJ (ASDUERJ) liderou o chamado, destacando a necessidade urgente de ação coletiva. "Estamos em GREVE: Em uma Assembleia Docente histórica realizada na tarde desta quinta-feira (19/3), centenas de professores lotaram o Auditório 11 da Uerj e aprovaram a paralisação", anunciou a entidade em suas redes sociais, mobilizando apoio imediato. Essa é a primeira greve docente da UERJ desde 2016, sinalizando uma crise profunda no financiamento das universidades públicas estaduais.
Reivindicações Centrais: Recomposição Salarial e Retorno dos Triênios
As demandas dos professores são claras e ancoradas em leis estaduais não cumpridas. A principal é a recomposição salarial prevista na Lei 9.436/2021, que estipulava 26% em três parcelas: apenas 13,05% foi paga em 2022, deixando pendentes as de 2023 e 2024, além das correções pelo IPCA de 2023 a 2025. "A última greve docente foi há dez anos. De lá pra cá, tivemos perdas inflacionárias e de direitos que pioraram nossa situação salarial", explicou Leonardo Kaplan, vice-presidente da ASDUERJ.
Outro ponto crítico é o retorno dos triênios – adicionais por anos de serviço a cada três anos –, extintos pela Lei 194/2021 para novos servidores e limitados ao salário-base desde 2018, causando perda de até 40% nos benefícios. Os docentes exigem sua incidência sobre o salário total, incluindo a Dedicação Exclusiva (DE), e correção de distorções em auxílios.
- Recomposição das parcelas salariais de 2023/2024 + IPCA acumulado.
- Revogação da Lei 194/2021 e retorno integral dos triênios.
- Incidência dos triênios sobre DE e salário total.
- Correção de benefícios e gratificações.
Perdas Salariais Acumuladas: Mais de 52% em Dez Anos
Desde a adesão do Rio ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) em 2017, os docentes da UERJ acumulam perdas de 52,18% nos salários reais, após 16 anos sem reajustes significativos. Leis como a de 2018 limitaram benefícios ao base, e a pandemia agravou o quadro. Ofícios enviados desde outubro de 2025 foram ignorados pelo governo.
Gregory Magalhães, presidente da ASDUERJ, destacou: "No 2018, uma lei limitou os benefícios ao salário base, causando perda de 40% nos benefícios. Em 2021, leis eliminaram triênios e parcelaram a recomposição." Essa defasagem afeta a retenção de talentos em um momento em que o Brasil precisa de mais doutores e pesquisadores nas universidades públicas.
Crise Orçamentária: Orçamento Estagnado Desde 2014
O orçamento da UERJ executado em 2025 foi de cerca de R$ 2 bilhões, o mesmo de 2014, apesar da expansão de cursos e campi. A Constituição estadual exige 6% da Receita Corrente Líquida (RCL, estimada em R$ 107 bilhões em 2025), o que equivaleria a mais de R$ 6 bilhões – quase o triplo do atual. "É uma política de subfinanciamento que sequer assegura o pagamento de duodécimos", criticou Kaplan. Consulte o site da ASDUERJ para o documento completo de reivindicações.
Com cerca de 1.800 docentes e mais de 40 mil estudantes, a UERJ enfrenta cortes que impactam pesquisa, extensão e permanência estudantil. O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2026-2029 alerta para essa fragilidade.
Resposta do Governo: Ausência de Diálogo e Contexto Político Turbulento
O governo estadual, sob o RRF, alega dificuldades fiscais para equilibrar despesas. Uma tentativa de diálogo em 19 de março falhou, e protestos em 18 de março no Palácio Guanabara não foram recebidos. A renúncia de Cláudio Castro em 23 de março e cassação pelo TSE em 24, por escândalos como Ceperj (R$ 248 milhões irregulares) e Rioprevidência (R$ 960 milhões), complicam as negociações. O governo trabalha em "políticas de valorização", mas sem avanços concretos.
Impactos nos Estudantes e no Calendário Acadêmico
Desde 25 de março, aulas ministradas por grevistas estão suspensas, afetando milhares de alunos no primeiro semestre de 2026. O Calendário Acadêmico prevê possíveis ajustes, como reposições, mas paralisações prolongadas podem estender o semestre. Estudantes relatam preocupação com atrasos em avaliações e formaturas, embora o comitê de greve garanta foco em não prejudicar a comunidade acadêmica desnecessariamente.
Sem números exatos de adesão inicial (dia 3 da greve), o impacto é progressivo. Técnicos-administrativos aprovaram estado de greve em 24 de março, podendo ampliar a paralisação.
Posição da Reitoria: Busca por Diálogo e Manutenção das Atividades
A reitoria da UERJ reafirma compromisso com o diálogo para soluções que garantam o funcionamento da universidade. Em nota, destaca esforços para mitigar impactos, como aulas remanescentes por não-grevistas e planejamento de reposições. No entanto, sem orçamento adequado, a gestão admite limitações.
Apoio Sindical e Greves em Outras Estaduais
O ANDES e Sintuperj apoiam a mobilização, com paralisações unificadas na UENF (Norte Fluminense). Docentes de PR, RJ e MA lutam por recomposições similares. "Ampliamos a mobilização por recomposição salarial", afirma o ANDES. Essa onda reflete crise nacional no financiamento público do ensino superior.
Implicações para o Ensino Superior Público Brasileiro
A greve da UERJ expõe vulnerabilidades das estaduais: subfinanciamento crônico, perda de competitividade global (QS Rankings 2026 mostram USP liderando Brasil, mas estaduais atrás) e êxodo de cérebros. Com 52% de perdas salariais, atrair talentos é desafio. Soluções incluem vinculação constitucional de verbas e fim do RRF punitivo.
| Indicador | 2014 | 2025 | Exigido (6% RCL) |
|---|---|---|---|
| Orçamento UERJ (R$ bi) | 2 | 2 | 6,4 |
| Perdas Salariais Docentes | - | 52% | - |
Perspectivas Futuras: Negociações e Possíveis Soluções Construtivas
Com o governo em transição, nova assembleia pode definir atos. Especialistas sugerem mesa de negociação tripartite (governo, reitoria, sindicatos). Alternativas: emendas parlamentares, parcerias público-privadas para infraestrutura e federalização parcial. Para docentes, greve é último recurso por educação pública de qualidade.
Estudantes e professores unidos podem pressionar por reformas duradouras, beneficiando o ecossistema de inovação no Rio.
Photo by Fabian Lozano on Unsplash

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