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Submit your Research - Make it Global NewsDescoberta Inovadora da USP Revela Como o Ácido Úrico Modifica a Albumina para Causar Inflamação Vascular
No coração das pesquisas sobre doenças cardiovasculares, um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) traz luz sobre um mecanismo inédito pelo qual o ácido úrico provoca dano vascular. Liderado pela professora Flávia Meotti, do Instituto de Química (IQ-USP) e coordenadora do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), o trabalho demonstra que a albumina – a proteína mais abundante no sangue humano – sofre uma modificação chamada uratilação quando exposta a produtos da oxidação do ácido úrico. Essa alteração transforma a albumina em um gatilho para a ativação de células endoteliais, as células que revestem a parte interna dos vasos sanguíneos, iniciando uma cascata inflamatória que pode levar à aterosclerose.
Os experimentos, realizados com células endoteliais vasculares humanas (HUVECs), mostraram que a albumina uratilada altera sua estrutura molecular, promovendo maior adesão de monócitos – células imunes precursoras de macrófagos – à parede vascular. Isso eleva a expressão da molécula de adesão ICAM-1 e estimula a liberação do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), uma citocina pró-inflamatória chave na progressão de placas ateroscleróticas. O processo é catalisado por enzimas oxidantes como a mieloperoxidase, comum em contextos inflamatórios, e ocorre mesmo em concentrações fisiológicas de ácido úrico, destacando sua relevância além da hiperuricemia clássica.
Publicado na revista Redox Biochemistry and Chemistry (DOI: 10.1016/j.rbc.2026.100071), o estudo marca um avanço significativo, pois estabelece uma relação causal entre o ácido úrico, modificações proteicas pós-traducionais e inflamação vascular, abrindo portas para novas terapias antioxidantes ou inibidoras específicas.
Hiperuricemia no Brasil: Prevalência e Contexto Epidemiológico
A hiperuricemia, definida como níveis séricos de ácido úrico acima de 6,8 mg/dL em mulheres e 7,0 mg/dL em homens (ponto de saturação em pH fisiológico), afeta cerca de 13% a 14% da população adulta brasileira, conforme estudos como o ELSA-Brasil e pesquisas locais em Salvador e outras regiões. Esse quadro é agravado por fatores como dieta rica em purinas (carnes vermelhas, frutos do mar), consumo excessivo de frutose (refrigerantes) e condições metabólicas como síndrome metabólica (SM), presente em 29,6% da população geral no Brasil.
Em universidades brasileiras, como a USP e a Unesp, pesquisas do Redoxoma têm destacado como a hiperuricemia não só causa gota, mas também contribui para disfunção endotelial e eventos cardiovasculares. No ELSA-Brasil, coorte longitudinal com mais de 15 mil participantes de seis universidades federais e USP, níveis elevados de ácido úrico sérico (AUS) foram associados independentemente a maior risco de doença cardiovascular (DCV), com hazard ratio (HR) de 1,68 no quintil mais alto após ajustes por idade, sexo, IMC e outros fatores.
Essa prevalência crescente, impulsionada por urbanização e sedentarismo, posiciona o Brasil como foco de estudos em instituições como a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que exploram associações com hipertensão e obesidade.Explore oportunidades em universidades brasileiras.
Mecanismos Moleculares: Da Oxidação do Ácido Úrico à Uratilação Proteica
O ácido úrico (AU), produto final do metabolismo de purinas, atua como antioxidante em baixas concentrações, mas sua oxidação gera espécies reativas que modificam proteínas. No estudo da USP de 2026, o urato (forma ionizada do AU) é oxidado por mieloperoxidase em radical uratila e trihidroperóxido de urato, que adicionam grupos uratila à albumina (uratilação). Passo a passo:
- 1. Oxidação enzimática do urato em ambiente inflamatório.
- 2. Uratilação covalente na albumina, alterando sua conformação (confirmada por espectrometria de massas).
- 3. Albumina modificada liga-se a receptores endoteliais, ativando vias de sinalização NF-κB.
- 4. Upregulação de ICAM-1 e liberação de TNF-α, recrutando monócitos.
- 5. Formação de espuma e placa aterosclerótica.
Complementando, o estudo Redoxoma de 2022 mostrou peroxidasina oxidando AU, inibindo ligações cruzadas de colágeno IV na matriz extracelular, reduzindo adesão e migração endotelial – essencial para reparo vascular.
Globalmente, revisões de 2024 confirmam estresse oxidativo, redução de NO biodisponível e ativação de NLRP3 inflamassoma como vias centrais.
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Estudos Brasileiros e Contribuições Universitárias
O ELSA-Brasil, envolvendo USP, UFRJ, UFMG, UFBA, UFPel e UFRGS, analisou 15.105 adultos (35-74 anos) e encontrou AUS elevado associado a DCV (HR 1,13 por +100 μmol/L), especialmente em não obesos, sugerindo mecanismos independentes de obesidade. Outros trabalhos da UFOP e UFES reforçam hiperuricemia ligada a SM e hipertensão em populações mistas.
A Unesp e USP, via Redoxoma (financiado FAPESP), lideram em redoxômica, com experimentos in vitro e proteômica revelando alvos terapêuticos. Para quem busca carreiras em pesquisa cardiovascular, plataformas como vagas para professores em saúde conectam talentos a essas instituições.
Implicações Clínicas: De Gota a Aterosclerose
Além da gota (prevalência 1-2% no Brasil), hiperuricemia assintomática eleva risco de hipertensão (RP 1,07-1,10), DCV e mortalidade. No contexto brasileiro, com 30% de SM, o dano vascular por AU agrava infarto e AVC. O estudo USP indica que mesmo AU normal em inflamação crônica pode uratilar albumina, sugerindo monitoramento de biomarcadores oxidativos.Leia o artigo completo da USP
Tratamentos como alopurinol (inibidor xantina oxidase) reduzem AUS em 71% eventos CV em IRC, per meta-análises.
Estratégias de Prevenção e Abordagens Terapêuticas
Prevenção inclui dieta baixa purinas, hidratação e exercício. Estudos USP sugerem antioxidantes para bloquear oxidação. No Brasil, diretrizes SBP e SBC recomendam triagem AUS em risco CV. Universidades como UERJ testam uricosúricos. Para profissionais, dicas de CV acadêmico ajudam em bolsas FAPESP.Estudo FAPESP 2022
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- Hidratação: >2L/dia reduz cristais.
- Dieta mediterrânea: baixa frutose, rica vegetais.
- Alopurinol: primeira linha, monitorar função renal.
Perspectivas Futuras: Pesquisa em Universidades Brasileiras
O Redoxoma planeja estudos in vivo e terapias anti-uratilação. Colaborações USP-Unesp-UFRGS visam biomarcadores. Com prevalência crescente, unis federais priorizam grants CNPq/FAPESP para DCV redox. Oportunidades em vagas universitárias no Brasil.
Impacto na Saúde Pública Brasileira e Chamada para Ação
Com 781 mil novos cânceres/ano e DCV líder em mortalidade, compreender mecanismo de dano vascular pelo ácido úrico é crucial. Universidades como USP posicionam Brasil como hub redox. Avalie seu AUS e consulte especialistas. Para carreiras, visite Rate My Professor, Higher Ed Jobs, Career Advice e University Jobs.

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