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O que é o Plano Nacional de Pós-Graduação da Capes?
O Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), coordenado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), é o documento estratégico que orienta o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) no Brasil. Ele estabelece diretrizes, objetivos e recomendações para o desenvolvimento dos programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em universidades e instituições de ensino superior. O VII PNPG, vigente de 2025 a 2029, representa um marco ao colocar a equidade e a diversidade como eixo temático central, respondendo a demandas históricas por maior inclusão no ensino superior brasileiro.
Elaborado ao longo de dois anos, com participação de comissões, oficinas em todos os estados, consultas públicas que receberam mais de 1.800 contribuições e análises de dados de 2013 a 2023, o plano busca alinhar a formação de pós-graduandos às necessidades acadêmicas, científicas, tecnológicas e sociais do país. Anualmente, o Brasil forma mais de 60 mil mestres e 25 mil doutores, mas ainda enfrenta desigualdades regionais e sociais que o PNPG pretende mitigar.
Lançamento e Aprovação do VII PNPG: Um Novo Capítulo para a Pós-Graduação
O Conselho Superior da Capes aprovou por unanimidade o VII PNPG em 20 de maio de 2025, com lançamento oficial em 11 de julho de 2025, durante as comemorações dos 74 anos da agência. A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, destacou que 'o futuro do Brasil depende das universidades federais, institutos federais, estaduais e privadas que produzem boa ciência', enfatizando a superação do subfinanciamento passado.
O documento atualiza a rota do SNPG, priorizando o protagonismo dos pós-graduandos e abordando temas complexos como assimetrias regionais e inclusão. Esper Abrão Cavalheiro, presidente da comissão de consolidação, reforçou que 'a ciência pode ajudar no combate à assimetria econômica e social'.
Equidade e Diversidade: O Eixo Central do Plano
A grande inovação do VII PNPG é elevar equidade e diversidade a eixo prioritário. Isso inclui a criação de mecanismos para ações afirmativas, com acompanhamento de beneficiários, e políticas para inclusão de grupos historicamente sub-representados, como negros, indígenas, pessoas com deficiência e mulheres em áreas STEM. O plano reconhece que, apesar dos avanços com cotas na graduação, a pós-graduação stricto sensu ainda reflete desigualdades: dados preliminares mostram que pretos e pardos representam cerca de 43-50% dos alunos em instituições privadas e públicas, mas com sub-representação em programas de excelência no Norte e Nordeste.
- Promoção de ambientes acadêmicos inclusivos.
- Formação de profissionais em diversidade, equidade e inclusão (DEI).
- Integração com a internacionalização, combatendo barreiras linguísticas e culturais.
Para profissionais em busca de vagas em educação superior, essas diretrizes abrem portas para projetos inclusivos em universidades brasileiras.
O Censo da Pós-Graduação: Ferramenta Chave para Mapear Diversidade
Iniciado em dezembro de 2025 e prorrogado até 26 de fevereiro de 2026, o primeiro Censo da Pós-Graduação stricto sensu coletará dados de mais de 360 mil estudantes de mestrado e doutorado, 21 mil pós-doutorandos e 92 mil docentes. Perguntas abordam idade, gênero, raça/cor, condição socioeconômica e distribuição geográfica, fornecendo o 'verdadeiro retrato' do SNPG.
Os resultados, previstos para 2026, subsidiarão políticas públicas. Historicamente, estudos mostram crescimento na proporção de pretos, pardos e indígenas entre titulados nas últimas três décadas, impulsionado por ações afirmativas, mas ainda aquém da composição populacional.
Permanência Estudantil: Estratégias para Reduzir a Evasão
A permanência estudantil ganha destaque, com diretrizes para bolsas de apoio, assistência psicológica e monitoramento de trajetórias. Taxas de evasão em doutorados giram em torno de 15%, influenciadas por fatores socioeconômicos e concilição trabalho-estudos.
- Auxílios financeiros ampliados.
- Programas de mentoria para minorias.
- Parcerias com setor produtivo para estágios remunerados.
Universidades como a UFPR e UFRGS já implementam cotas com foco em retenção, elevando a diversidade étnica em 20-30% nos últimos anos.
Reformas na Avaliação dos Programas de Pós-Graduação
O plano responde a críticas judiciais com avaliação multidimensional: ênfase em formação, impacto social, autoavaliação e planejamento estratégico, sem métricas únicas. No quadriênio 2021-2024, notas subiram, com mais programas 6-7 no Norte/Nordeste, apesar da pandemia e cortes orçamentários.
| Região | % Programas Nota 6-7 (2021-2024) |
|---|---|
| Sul/Sudeste | 65% |
| Norte/Nordeste | 25% (crescimento 10pp) |
Para conselhos de carreira acadêmica, essa mudança valoriza contribuições locais.
Combate às Asimetrias Regionais e Mobilidade Nacional
O Brasil concentra 70% dos programas de excelência no Sudeste, mas o PNPG fomenta mobilidade e investimentos no interior. Exemplos incluem aumento de 44% em bolsas na Amazônia Legal.
Internacionalização e Visibilidade Global
Ênfase em parcerias Sul-Sul, sanduíches no exterior e inclusão de diversidade na mobilidade. Programas como Capes-Print serão expandidos.
Estudantes interessados em oportunidades globais podem explorar bolsas acadêmicas.
Opiniões de Especialistas: Entusiasmo com Ressalvas
Helena Nader (ABC) alerta para o 'arbítrio na avaliação', enquanto Antonio Gomes de Souza Filho (Capes) celebra avanços regionais. Críticas centrais: falta de orçamento definido – custos das ações de diversidade ainda não estimados, dependendo do Congresso.
Leia a análise completa na Folha de S.Paulo.
Casos Reais: Universidades em Ação
Na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), cotas raciais elevaram negros em 25% nos PPGs. A UERN ampliou internacionalização via Capes Global.edu. Esses cases ilustram o impacto prático das diretrizes.
Perspectivas Futuras e Implicações para o Ecossistema Acadêmico
Com monitoramento por comissão desde dezembro 2025, o PNPG pode transformar o SNPG em modelo inclusivo. Para egressos, mais opções no mercado acadêmico e setor privado. Desafios persistem: aprovar verbas e implementar ações concretas.
Profissionais podem se preparar acessando avaliações de professores e vagas de pós-doc.
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