Dr. Elena Ramirez

Menos da Metade dos Médicos Respeita Desejos de Pacientes no Fim da Vida, Revela Novo Estudo: Implicações para o Brasil

Lacunas na Comunicação Médica no Fim da Vida

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Detalhes do Estudo de Hong Kong que Revelou as Lacunas na Comunicação Médica

O estudo, publicado na revista Palliative Medicine, foi liderado pela professora assistente clínica Jacqueline Yuen Kwan-yuk, do Departamento de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong (HKUMed), com Steven Chu Tsun-wai como primeiro autor. A pesquisa analisou 137 consultas reais gravadas em áudio, envolvendo médicos, pacientes com câncer avançado ou doença renal crônica em estágio terminal e seus familiares. Essas consultas ocorreram em cinco hospitais e um centro de cuidados paliativos comunitário em Hong Kong. 79 59

A ferramenta ACP-CAT (Advance Care Planning - Communication Assessment Tool), validada pela primeira vez em contextos clínicos reais, foi usada por avaliadores treinados para medir a qualidade da comunicação. Ela avalia aspectos como clareza das explicações médicas, demonstração de empatia, exploração dos valores do paciente e alinhamento das recomendações de tratamento com esses valores. Os resultados mostraram que menos da metade dos médicos ligou explicitamente as sugestões terapêuticas aos desejos declarados pelos pacientes, e em menos de um terço dos casos houve menção a prioridades não médicas, como passar tempo com a família. 79

"Uma Diretiva Antecipada de Vontade (DAV) é apenas um documento. O que importa mesmo são as conversas que nos ajudam a entender o que é mais importante para os pacientes", destacou Yuen. 79

A Situação dos Cuidados Paliativos no Brasil: Estatísticas e Desafios Atuais

No Brasil, os cuidados paliativos (CP), definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares enfrentando doenças que ameaçam a vida, ainda enfrentam barreiras significativas. Segundo dados de 2021, o país ocupa a 79ª posição em um ranking global de qualidade de cuidados no fim da vida, elaborado pelo The Journal of Pain and Symptom Management. 48 A Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), oficializada em 2024 pelo Ministério da Saúde, visa expandir o atendimento, mas a implementação é lenta devido à falta de profissionais capacitados e recursos. 47

  • Apenas uma fração dos cerca de 300 mil médicos brasileiros recebe treinamento formal em CP durante a graduação ou residência.
  • Estudos indicam que 78% dos pacientes com câncer desconhecem o termo "cuidados paliativos", e 96% não conhecem as Diretivas Antecipadas de Vontade (DAVs). 40
  • No Instituto Nacional de Câncer (INCA), pioneiro em CP no país há 36 anos, ainda há sobrecarga em unidades de terapia intensiva para pacientes terminais.

Esses números refletem um cenário onde a distanásia – prolongamento desnecessário da vida por tratamentos fúteis – prevalece sobre a ortotanásia, respeitando o processo natural da morte.

Lacunas no Conhecimento dos Médicos Brasileiros sobre Cuidados no Fim da Vida

Um levantamento com médicos brasileiros revelou falta de treinamento e conhecimento em medicina de fim de vida. Publicado em 2020, o estudo mostrou que a educação é fator crucial, com muitos profissionais sem contato adequado com pacientes em fase terminal durante a formação. 9 52 Em escolas de medicina, o ensino de CP é insuficiente: uma pesquisa com 179 coordenadores indicou que apenas 50% incluem o tema de forma estruturada. 70

Gráfico ilustrando a baixa taxa de treinamento em cuidados paliativos nas faculdades de medicina brasileiras

Para suprir essa demanda, universidades como a Unicamp e a USP estão integrando módulos de CP em rotações clínicas, mas desafios emocionais e culturais persistem entre docentes. 49

O Papel das Universidades Brasileiras no Treinamento de Profissionais para CP

Faculdades de medicina no Brasil precisam priorizar a educação em cuidados paliativos. Programas como o da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), pioneiro em serviços de dor e CP, servem de modelo regional comunitário. 55 No entanto, apenas duas escolas ofereciam programas formais em 2013, e a situação evoluiu pouco.Oportunidades em vagas para professores de medicina com expertise em CP crescem, impulsionando currículos atualizados.

Estudantes relatam baixa autoeficácia em CP, com necessidade de simulações práticas e contato com pacientes reais. 72 Universidades podem colaborar com o Ministério da Saúde para residências em orientação de carreira em saúde.

Diretivas Antecipadas de Vontade no Brasil: Legislação e Aplicação Prática

As DAVs, regulamentadas pela Resolução CFM nº 1.995/2012, permitem que pacientes registrarem vontades sobre tratamentos em fim de vida. Cartórios registraram aumento histórico em 2026, surpreendendo famílias. 44 No entanto, conflitos surgem entre desejos do paciente, família e equipe médica.Política Nacional de CP.

AnoRegistros de DAVs% Respeitados
2024Baixo<20%
2026Aumento históricoEm ascensão

Casos Reais e Perspectivas de Stakeholders no Brasil

No Hospital de Clínicas da Unicamp, o projeto Wishes realiza desejos finais de pacientes oncológicos em CP. 30 Especialistas do INCA enfatizam sedação paliativa e ortotanásia. Famílias relatam frustração com intervenções fúteis em UTIs.

  • Pacientes: Querem autonomia, mas temem não serem ouvidos.
  • Médicos: Falta de treinamento leva a dilemas éticos.
  • Famílias: Conflitos culturais sobre morte.

Para médicos interessados em CP, vagas em universidades oferecem especialização.

Soluções Inovadoras: Ferramentas como ACP-CAT e IA no Treinamento

A ACP-CAT pode ser adaptada ao Brasil para treinar residentes. Integração de IA para simulações empáticas, como sugerido por Yuen, resolve escassez de especialistas.Press release HKU.

Universidades devem incluir CP no currículo obrigatório, com rotação em hospices.

Perspectivas Futuras e Recomendações para o Brasil

Com a PNCP, espera-se expansão para 2026. Recomendações: CV acadêmico para especialistas em CP; parcerias universidade-SUS; campanhas de conscientização.

Profissionais podem buscar avaliações de professores em CP e vagas em higher-ed jobs.

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Dr. Elena Ramirez

Contributing writer for AcademicJobs, specializing in higher education trends, faculty development, and academic career guidance. Passionate about advancing excellence in teaching and research.

Frequently Asked Questions

💭O que é Planejamento Antecipado de Cuidados (PAC)?

O PAC envolve conversas entre paciente, família e médico para definir preferências em tratamentos no fim da vida, alinhando cuidados aos valores pessoais.

📊Quais os principais achados do estudo de Hong Kong?

Em menos de 1/3 das consultas, recomendações foram ligadas a valores do paciente; apenas 30% discutiram prioridades não médicas como família.

🎓Como está o ensino de cuidados paliativos nas faculdades de medicina brasileiras?

Insuficiente; apenas metade inclui o tema estruturalmente. Universidades como Unesp Botucatu são pioneiras. Veja vagas para docentes.

📜O que são Diretivas Antecipadas de Vontade (DAVs) no Brasil?

Documento registrado em cartório definindo vontades sobre tratamentos em incapacidade. Aumento histórico em 2026, mas baixa adesão.

Por que médicos não respeitam desejos dos pacientes terminais?

Falta de treinamento, pressão cultural, medo jurídico e foco em cura vs. conforto.

🌍Qual o ranking do Brasil em cuidados paliativos globais?

79º em 2021; PNCP de 2024 visa melhorar acesso via SUS.

🤖Como a IA pode ajudar no treinamento de CP?

Simulações empáticas para prática em larga escala, como proposto no estudo ACP-CAT.

🏫Exemplos de programas universitários em CP no Brasil?

Unicamp (Projeto Wishes), INCA, Unesp Botucatu. Necessidade de expansão curricular.

🔧O que profissionais de saúde podem fazer para melhorar?

Buscar residências em CP, usar ferramentas como ACP-CAT e discutir DAVs precocemente. Consulte conselhos de carreira.

🔮Qual o futuro dos cuidados paliativos no Brasil em 2026?

Expansão com PNCP, mais especialidades médicas e integração universitária-SUS para melhor qualidade de morte.

🌎Diferenças culturais afetam decisões no fim da vida no Brasil?

Sim, famílias intervêm muito; educação em autonomia paciente é chave.