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A Ascensão do EAD Barato como Solução para Estudantes em Universidades Públicas Federais
No cenário do ensino superior brasileiro, especialmente nas universidades públicas federais, um fenômeno crescente tem chamado atenção: estudantes recorrendo a cursos de Educação a Distância (EAD, ou Ensino a Distância) de baixo custo, por volta de R$ 60, para validar disciplinas e escapar da reprovação em múltiplas matérias, conhecida coloquialmente como 'bombar'. Essa prática ganhou tração pós-pandemia, quando a modalidade EAD se expandiu rapidamente, e reflete desafios profundos como altas taxas de reprovação, rigidez curricular e pressões acadêmicas em instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
Esses cursos isolados, oferecidos por instituições privadas, prometem conclusão rápida em 10 a 32 dias, 100% online, e são anunciados em redes sociais como Instagram e TikTok. Estudantes de áreas como engenharia, economia, direito e biomedicina veem neles uma forma de 'destravar' o diploma sem o esforço completo de uma disciplina presencial difícil. No entanto, universidades têm rejeitado muitos pedidos de equivalência, citando incompatibilidades de conteúdo e suspeitas de fraude.
Contexto das Altas Taxas de Reprovação nas Federais
As universidades federais brasileiras, gratuitas e altamente concorridas via Enem e Sisu, enfrentam taxas de reprovação significativas. Embora dados precisos do Inep para 2025 ainda em consolidação, relatórios anteriores indicam que em cursos como medicina, até 30% das turmas privadas reprovam em exames nacionais, com públicas ligeiramente melhores mas ainda preocupantes. Fatores incluem transição abrupta do ensino médio, falta de preparo em disciplinas básicas como anatomia e cálculo, e horários sobrecarregados.
Em Santa Catarina, por exemplo, colegiados da UFSC relataram picos de dependências disciplinares (DPs), onde alunos acumulam reprovações por frequência ou notas insuficientes. Um caso emblemático envolveu um estudante da Udesc solicitando validação de 16 disciplinas, totalizando 1.152 horas – equivalente a 48 dias ininterruptos de estudo, inviável paralelamente às aulas regulares. Essa pressão leva muitos a buscarem atalhos no EAD barato.
- Desafios comuns: disciplinas acumulativas como fisiologia e farmacologia exigem bases sólidas.
- Impacto psicológico: medo de 'bombar' e perda de semestre inteiro.
- Estatísticas gerais: censo superior 2024 mostra evasão em torno de 20-30% em públicas.
Como Funciona o Processo de Matrícula e Validação
O fluxo é simples e acessível. Primeiro, o estudante identifica uma disciplina equivalente no catálogo de uma plataforma EAD privada – muitas oferecem mais de 1.700 opções. Paga R$ 60 a R$ 87 via boleto ou Pix, acessa materiais pré-gravados, completa atividades e provas online em poucas semanas. Recebe certificado digital com carga horária (geralmente 60-72 horas).
Em seguida, protocola pedido de equivalência na coordenação do curso na federal, anexando ementa, bibliografia e histórico. A análise varia: algumas coordenções verificam compatibilidade de conteúdos, horas e qualidade institucional. Se aprovada, a disciplina é convalidada, liberando créditos. Mas, como visto na UFSC, mismatches levam a indeferimentos sistemáticos.
Passo a passo:
- Busca por anúncios em redes sociais ou sites de EAD.
- Contato via WhatsApp para adaptação de ementa, se necessário.
- Matricula e conclusão acelerada.
- Pedido formal na secretaria acadêmica da federal.
- Aprovação ou rejeição pelo colegiado.
Essa agilidade atrai, mas levanta questões sobre aprendizado real.
Plataformas e Ofertas: O Mercado das Disciplinas Isoladas
Embora nomes específicos evitem autopromoção em anúncios, instituições como Anhanguera, Unopar e Cruzeiro do Sul são citadas em fóruns como Reddit por ofertas acessíveis de disciplinas avulsas. Preços partem de R$ 60 para 60 horas, com pacotes para múltiplas. Anúncios destacam 'aceitação em 90% das instituições' e foco em áreas reprováveis.
Exemplo: uma oferta de anatomia para biomedicina por R$ 72, com vídeos curtos e provas múltipla escolha. Estudantes compartilham em grupos de WhatsApp sucessos parciais, mas falhas em federais rigorosas como UFRJ ou UFMG, onde regras de equivalência demandam análise profunda.

Respostas das Universidades: Barreiras e Controles
UFSC e Udesc lideram em escrutínio. Na UFSC, resoluções normativas exigem equivalência plena em objetivos, conteúdos e avaliação. Um professor relatou: 'Ementas não batem; bibliografias genéricas'. Udesc discute fraudes, como documentos falsos. Outras federais, como UFMG, permitem até 20% EAD em presenciais, mas validações externas são raras sem prova suplementar.
Políticas variam: USP oferece disciplinas abertas próprias, modelo legítimo. Se você estuda em federal e enfrenta DPs, avalie avaliações de professores para escolher turmas mais acessíveis.
Regulamentações do MEC: Autonomia com Supervisão
O Decreto 12.456/2025 e portarias subsequentes reformularam EAD: proíbe 100% online em novos cursos, exige avaliações presenciais em polos e limites em semipresenciais. Para validações, MEC delega às IES regras próprias, mas supervisiona irregularidades via Seres.
Desde maio 2025, transições forçam adaptações, impactando ofertas baratas. ABMES alerta para anúncios irregulares prometendo '100% online' em prazos curtos.
Portaria de Transição MECVisões de Especialistas: Qualidade em Xeque
Claudia Costin, ex-diretora de educação do Banco Mundial, defende como ferramenta de inclusão, mas critica bypass de aprendizado: 'Não é para fugir de disciplinas difíceis'. Alexandre Busko Valim, professor da UFSC, aponta lógica produtivista pós-pandemia: 'Prioriza créditos sobre formação, gerando profissionais rasos'.
Consenso: necessidade de regulação em equivalências, com provas de proficiência. Para carreiras acadêmicas, consulte conselhos de carreira no ensino superior.
Riscos, Controvérsias e Impactos na Formação
Riscos incluem fraude documental, conteúdos 'enlatados' superficiais e fragmentação curricular. Controvérsias: ética de comprar créditos vs. direito à mobilidade acadêmica (LDB). Impactos: diluição de qualidade em profissões reguladas como medicina e direito.
- Fraude: documentos falsos detectados em Udesc.
- Qualidade: provas fáceis vs. presenciais rigorosas.
- Desigualdade: acessível só com internet estável.

Alternativas Legítimas e Estratégias de Recuperação
Opções melhores: disciplinas EAD próprias das federais (até 20%), tutorias, estágios probatórios ou reaprovações com apoio. Universidades oferecem núcleos de permanência. Para jobs acadêmicos, explore vagas no ensino superior ou empregos universitários.
Estratégias:
- Planejamento semestral com orientadores.
- Uso de MOOCs gratuitos para reforço (USP, Unicamp).
- Grupos de estudo e rate de profs em Rate My Professor.
Perspectivas Futuras: Mais Regulamentação e Qualidade
Com novas regras MEC em vigor até 2026, espera-se escrutínio maior em validações EAD, possivelmente exigindo provas presenciais. Tendências: hibridização, IA em avaliações e foco em retenção estudantil. Estudantes devem priorizar aprendizado genuíno para sucesso profissional em Brasil.
Para mais insights, visite oportunidades educacionais no Brasil ou dicas para CV acadêmico. O equilíbrio entre acessibilidade e rigor definirá o futuro do ensino superior público.
Reportagem UOL sobre o tema