A arqueologia na Amazônia está vivendo um momento de transformação graças ao uso de tecnologias avançadas como o LiDAR, conhecido como radar a laser, e ao aumento significativo de verbas para pesquisas. Essas ferramentas estão revelando sítios antigos escondidos sob a densa cobertura florestal, desafiando visões antigas sobre a capacidade da região de sustentar sociedades complexas. Projetos como o Amazônia Revelada, liderados por universidades brasileiras, marcam o início de uma nova era para o campo, combinando ciência, parcerias indígenas e proteção ambiental.
Por séculos, exploradores europeus consideraram a Amazônia uma terra 'virgem', incapaz de abrigar civilizações avançadas devido ao clima úmido e solos aparentemente pobres. No entanto, evidências acumuladas mostram que povos ancestrais modificavam o ambiente com técnicas como a criação de terra preta – solos férteis antropogênicos – e construções de terra e madeira. O LiDAR permite 'remover' virtualmente a vegetação, expondo valas, estradas, praças e montes que indicam ocupações de milhares de anos.
Como Funciona o LiDAR na Arqueologia Amazônica
O LiDAR (Light Detection and Ranging, ou Detecção e Alcance por Luz) emite pulsos de laser de aviões ou drones, medindo o tempo de retorno da luz para criar modelos 3D do terreno. Na Amazônia, onde a copa das árvores bloqueia a visão, essa tecnologia penetra a folhagem, gerando mapas de alta resolução do solo. Um voo pode cobrir centenas de km² em horas, revelando padrões lineares ou circulares invisíveis a olho nu.
No Brasil, o uso começou em 2024 com o projeto Amazônia Revelada, escaneando 1.600 km² no sul do Amazonas na primeira fase. Descobertas incluem um conjunto de terraços circulares como uma 'colmeia', praças quadradas ligadas a estradas e estruturas radiais com valas de 1 metro de altura perto do rio Purus. Esses achados sugerem planejamento urbano de baixa densidade, similar a outros na região andina.

História da Arqueologia Amazônica no Brasil
A pesquisa arqueológica na Amazônia brasileira remonta aos anos 1970, com foco em cerâmicas e terra preta. Universidades como a USP e o Museu Goeldi pioneiraram estudos sobre ocupações pré-colombianas. Descobertas como geoglifos no Acre (mais de 1.000 documentados) e vilas no Alto Xingu expandiram o entendimento. O LiDAR acelera isso, permitindo estudos em áreas remotas sem desmatamento.
Antes do LiDAR, escavações eram custosas e limitadas. Hoje, a tecnologia complementa fieldwork, como nos projetos do IPHAN e universidades federais.
Projeto Amazônia Revelada: Pioneirismo Brasileiro
Lançado em 2024, o Amazônia Revelada é coordenado por Eduardo Góes Neves, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Parceiros incluem UFOPA, UFAM, Museu Goeldi, Instituto Mamirauá e Povos da Floresta. A segunda fase, iniciada em abril de 2026, expande escaneamentos para Tapajós, Terra do Meio e Marajó, com consentimento indígena.
O projeto mapeou mais de 60 sítios, incluindo conexões com os Andes, e usa dados para proteção legal. Visita o site do projeto para detalhes.
Universidades Brasileiras na Vanguarda
Instituições de ensino superior são centrais. A USP lidera via MAE, com Neves comparando LiDAR ao carbono-14: 'uma revolução'. UFOPA e UFAM contribuem com coordenação regional, enquanto Goeldi e INPA fornecem expertise em etnoarqueologia. Instituto Mamirauá, parceiro de universidades, investiga Médio Solimões.
Programas de pós-graduação nas últimas duas décadas formaram dezenas de doutores, impulsionando o campo. FAPESP e CNPq financiam, integrando arqueologia a ciências ambientais.
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Descobertas Recentes e Seu Significado
Além de geoglifos, LiDAR revelou vilas portuguesas perdidas em Rondônia e ocupações de 13.000 anos. No Equador (Upano, 2.500 anos), e Bolívia (Casarabe), estruturas semelhantes inspiram brasileiros. No Brasil, sul do Amazonas mostra 'floresta-jardim' com praças e estradas, indicando populações de milhares sustentadas por agroecologia.
Esses sítios comprovam que a Amazônia sustentava sociedades complexas, refutando mitos colonialistas.
Aumento de Verbas e Apoio Institucional
A Amazônia+10 destinou R$14,4 milhões em 2024 para arqueologia (18,95% das verbas), contra 0% em 2022. FAPESP apoia eventos como o seminário no MUSA (Manaus, 2024). Verbas crescem com interesse indígena em defender territórios via patrimônio cultural. Veja detalhes na reportagem da DW.
Parcerias com Povos Indígenas e Quilombolas
Projetos priorizam consulta prévia. Povos da Floresta treinam técnicos indígenas para LiDAR via drones (Kuikuro no Xingu). Arqueologia fortalece direitos territoriais, registrando sítios como patrimônio imaterial.
Desafios: Logística, Custos e Preservação
Escala brasileira dificulta logística; áreas remotas exigem autorizações. Desmatamento ameaça 6.000+ sítios cadastrados. Soluções incluem normas IPHAN para registro remoto e turismo sustentável.
Perspectivas Futuras para a Pesquisa
Expansão do LiDAR, mais doutores e verbas prometem mapear toda bacia. Universidades planejam centros como MUSA para análise. Integração com IA acelerará interpretações.
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Esses avanços posicionam o Brasil como líder global em arqueologia tropical, com universidades fomentando conhecimento que protege a floresta e honra ancestrais. Para carreiras em pesquisa, explore oportunidades em instituições amazônicas.

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