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A Revelação Chocante do Estudo Trase sobre Consumo Hídrico na Pecuária
Um estudo recente divulgado pela iniciativa Trase, em colaboração com MapBiomas e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), expõe uma realidade alarmante: a pecuária brasileira consome anualmente entre 10,1 bilhões e 10,4 bilhões de metros cúbicos de água extraída de rios e aquíferos. Esse volume supera o consumo doméstico combinado dos estados de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Bahia (BA), Paraná (PR) e Distrito Federal (DF), que juntos totalizam 7,8 bilhões de metros cúbicos por ano.
Esse consumo refere-se principalmente à água azul – aquela retirada de fontes superficiais e subterrâneas –, que é crítica para a sustentabilidade hídrica. Diferente da água verde (proveniente de chuvas, usada na pastagem), a azul é finita e compartilhada com ecossistemas, indústrias e populações urbanas. A pesquisa enfatiza que o Brasil, como maior exportador mundial de carne bovina, está inadvertidamente exportando recursos hídricos virtuais embutidos nos produtos agropecuários.
Detalhamento da Pegada Hídrica da Pecuária Brasileira
A pegada hídrica (Water Footprint) é um indicador que quantifica o volume total de água doce usado para produzir bens e serviços. Na pecuária, ela se divide em três componentes: verde (chuva na pastagem), azul (irrigação e bebida) e cinza (diluição de poluentes). Para o rebanho bovino brasileiro, estimado em cerca de 235 milhões de cabeças em 2025 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o foco do estudo Trase está na água azul consumida diretamente para manutenção dos animais.
Os 10,1 a 10,4 bilhões de m³ anuais representam uma demanda equivalente a cerca de 171 m³ por segundo, conforme dados complementares de análises anteriores.
| Componente | Volume Anual (bilhões m³) | % do Total |
|---|---|---|
| Água Azul (Pecuária) | 10.1 - 10.4 | 100% |
| Perda por Evaporação | ~6.7 - 6.9 | ~66% |
| Consumo Direto (Bebida) | ~3.4 - 3.5 | ~34% |
Comparativamente, a soja – outro pilar do agronegócio – usa 188 a 206 bilhões de m³, quase toda água verde, com irrigação mínima (menos de 1 bilhão m³).
Comparação com o Consumo Urbano: Números que Impressionam
Para contextualizar, o consumo doméstico dos cinco entes federativos citados soma 7,8 bilhões de m³/ano. Considerando populações aproximadas (SP: 46 milhões; RJ: 17 milhões; BA: 15 milhões; PR: 11,5 milhões; DF: 3 milhões), o per capita médio brasileiro varia de 110 a 150 litros/dia (0,04 a 0,055 m³/dia), conforme dados da ANA e IBGE.
- SP: Maior consumidor absoluto, ~3-4 bilhões m³/ano.
- RJ: Alto per capita (~200 L/dia histórico).
- BA, PR, DF: Juntos ~3-4 bilhões m³.
A pecuária sozinha demanda mais, ilustrando a pressão do agro sobre recursos hídricos limitados, especialmente em regiões de expansão como MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia).
Hotspots Regionais e Riscos de Escassez Azul
O estudo mapeia dependências em 12 regiões hidrográficas: 28% na bacia Paraná, 26% Tocantins-Araguaia e 23% Amazônica para pecuária. Alto risco no São Francisco, onde exceto Marfrig, traders como JBS e Minerva enfrentam escassez crítica. No Cerrado, vazão dos rios caiu 27% desde 1970, chuvas 21%; na Amazônia, desmatamento atrasou chuvas, custando US$1 bi em perdas agrícolas (2006-2019).
Probabilidade de seca: 10-20% em áreas chave, agravada por mudanças climáticas. Universidades como USP e UFJF pesquisam pegadas hídricas locais, confirmando pressões em bacias como Doce e Paraguai.
Exportação de Água Virtual: O Lado Oculto das Exportações de Carne
O Brasil exporta ~2 milhões de toneladas de carne bovina/ano, embutindo bilhões de m³ de água virtual. China e UE dependem heavily, com cadeias expostas a riscos brasileiros. Lathuillière alerta: "O Brasil está exportando recursos hídricos."
Perspectivas de stakeholders: Indústria defende eficiência; ONGs como WWF cobram transparência; governo via ANA regula outorgas, mas falhas persistem (reservatórios sem licença).
Impactos Ambientais e Sociais da Pressão Hídrica
Evaporação em bebedouros reduz recarga de aquíferos; competição afeta geração hidrelétrica (70% da matriz energética). Comunidades ribeirinhas no Oeste baiano relatam rios secos pela expansão agro. Estudos da Embrapa ligam qualidade da água à saúde ruminal, impactando produtividade.
- Desmatamento agrava secas regionais.
- Poluição cinza de esterco afeta qualidade.
- Riscos a biodiversidade em Cerrado/Amazônia.
Soluções Inovadoras e Tecnologias da Embrapa e Universidades
A boa notícia: soluções existem. Embrapa recomenda hidrômetros para monitoramento, bebedouros cobertos (reduz evaporação 30-50%), sombra artificial (corta consumo 20-30 L/animal/dia).
- Sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta (ILPF): diminui pegada em 69%.
39 - Tecnologias Pectech: apps para otimização.
94 - Pesquisas UFJF/UFVJM: pegada local para políticas.
Para profissionais da pesquisa, oportunidades em vagas de pesquisa em ciências ambientais crescem, impulsionando inovações. Consulte conselhos de carreira em educação superior para se preparar.
Boas práticas da EmbrapaCasos Reais: MATOPIBA e Cerrado como Exemplos Críticos
No MATOPIBA, expansão pecuária duplicou desde 2010, elevando captações sem outorga. No Cerrado ocidental (BA), agricultores familiares competem com agroindústria, rios com vazão 38% menor. Caso Trase: Bunge exposta em 1/3 da soja com risco seco >20%.
Soluções locais: cooperativas adotam ILPF, reduzindo demanda 20-40%.
Perspectivas de Especialistas e Políticas Públicas
Lathuillière: "Empresas podem avaliar riscos e investir em sustentabilidade." ANA impulsiona outorgas digitais; Marco Legal do Saneamento prioriza eficiência. Universidades como USP (Jornal USP) destacam agricultura como 50% do uso setorial.
Desafios: fiscalização fraca, clima extremo. Oportunidades em empregos acadêmicos no Brasil.
Visão Futura: Rumo a uma Pecuária Hídrica Sustentável
Projeções CEPEA/Esalq indicam rebanho estável, mas demanda global cresce 15% até 2030. Necessário: metas empresariais (JBS carbono zero), políticas como ABC+ Plano, pesquisa em rações hidroeeficientes. Para 2026-2030, integração Trase-ANA pode mapear riscos reais.
Engaje-se: explore vagas em educação superior, avalie professores em sustentabilidade, ou oportunidades universitárias. O futuro depende de pesquisa inovadora.
Relatório Trase completo
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