Dr. Elena Ramirez

Justiça Suspende Lei Anti-Cotas Raciais em Universidades de Santa Catarina

Suspensão Provisória Mantém Cotas na UDESC e Outras IES: O Que Muda Agora?

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O Contexto da Suspensão da Lei Estadual em Santa Catarina

Em um desdobramento recente que impacta diretamente o acesso ao ensino superior no estado, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) concedeu liminar suspendendo os efeitos da Lei Estadual nº 19.722/2026. Essa norma, sancionada pelo governador Jorginho Mello em dezembro de 2025, visava proibir a adoção de cotas raciais e outras ações afirmativas em processos seletivos de universidades públicas estaduais, instituições comunitárias e privadas que recebem recursos públicos. 81 82 A decisão provisória, proferida pela desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta em 27 de janeiro de 2026, mantém as políticas de cotas em vigor até o julgamento definitivo pelo Órgão Especial do TJSC.

Essa suspensão ocorre em meio a um debate nacional sobre ações afirmativas, especialmente no contexto das universidades estaduais como a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). A lei gerou controvérsias imediatas, com ações judiciais movidas por entidades como o PSOL, levando a questionamentos também no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Que Prevê a Lei 19.722/2026 e Suas Sanções

A legislação estadual declarava expressamente proibida a reserva de vagas ou contratações baseadas em critérios raciais ou étnicos. Seu escopo abrangia não apenas o ingresso de estudantes, mas também a admissão de professores, técnicos e outros profissionais em instituições de ensino superior que recebem verbas do governo catarinense. Exceções eram mantidas para cotas destinadas a pessoas com deficiência (PCD), egressos de escolas públicas estaduais de ensino médio e critérios puramente econômicos. 82

  • Anulação imediata de editais seletivos em desacordo;
  • Multa de R$ 100 mil por edital irregular;
  • Suspensão de repasses financeiros públicos;
  • Processos administrativos disciplinares contra responsáveis.

Essas penalidades visavam garantir cumprimento rigoroso, mas foram criticadas por interferir na autonomia universitária e contrariar precedentes do STF sobre a constitucionalidade das cotas raciais.

A Decisão Liminar do TJSC: Argumentos Jurídicos Centrais

A relatora destacou a plausibilidade de inconstitucionalidade material e formal da lei. No mérito, argumentou que a proibição ampla de ações afirmativas raciais viola princípios constitucionais como a igualdade material (artigo 5º da CF/1988), a redução de desigualdades regionais e sociais (artigo 3º), o combate ao racismo e a autonomia didático-científica das universidades (artigo 207). Formalmente, a iniciativa parlamentar invadiu competências exclusivas do Executivo para criar sanções administrativas. 81

A urgência da medida foi justificada pelo risco de anulação de vestibulares em andamento, como o da UDESC para 2026/1, cujos editais foram publicados antes da sanção da lei, evitando caos no início do ano letivo.

Campus da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), principal afetada pela controvérsia das cotas raciais.

Impactos nas Universidades Catarinenses: Foco na UDESC

A UDESC, com 59 cursos de graduação presenciais em 13 centros, é o epicentro do debate. Desde a implementação de cotas em 2011, o percentual de estudantes autodeclarados pretos ou pardos saltou de 6,4% para 17,6% em 15 anos, demonstrando o impacto positivo na diversidade. 42 A suspensão evita interrupções em processos seletivos e preserva ganhos em inclusão, beneficiando cerca de 100 mil alunos em instituições da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE).

Para profissionais acadêmicos, a proibição afetaria contratações, potencialmente reduzindo a representatividade em docência e administração.

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Perfil Demográfico de Santa Catarina e o Argumento Governamental

O governo catarinense defendeu a lei no STF alegando que o estado possui a maior proporção de população branca do Brasil: 76,3% brancos, 19,2% pardos e 4% pretos, conforme Censo IBGE 2022. 58 70 Argumentou que cotas socioeconômicas seriam mais eficazes, focando em necessidade real em vez de identidade racial, e que não há obrigatoriedade constitucional para cotas raciais em âmbito estadual.

No entanto, críticos apontam crescimento de 84% na população preta e parda nas últimas décadas, justificando ações afirmativas contínuas.Saiba mais no G1.

Contexto Nacional: Lei Federal de Cotas e Jurisprudência do STF

A Lei nº 12.711/2012 estabelece reserva de 50% das vagas em universidades federais para estudantes de escolas públicas, com sub-reserva proporcional para pretos, pardos e indígenas com base na composição populacional local. Embora aplicável apenas a federais, inspirou políticas estaduais e foi chancelada pelo STF na ADPF 186/2012, reconhecendo cotas como instrumento de igualdade material. 59

Estudos mostram que, nacionalmente, cotas aumentaram em 250% o ingresso de negros em federais desde 2012, transformando o perfil universitário sem comprometer desempenho acadêmico. 71

Perspectivas dos Stakeholders: De Entidades Estudantis ao Governo

  • PSOL, UNE e Educafro: Ação no STF alega retrocesso social e violação à Sepúlveda Pertence.
  • PGR (Paulo Gonet): Recomenda suspensão para evitar danos irreversíveis em seletivos. 69
  • Governo SC: Enfatiza isonomia e foco socioeconômico.
  • Opositores: Deputado Fabiano da Luz (PT) chamou de vergonha estadual.

Para quem busca carreiras acadêmicas, plataformas como higher-ed-jobs oferecem vagas alinhadas à diversidade.

Casos no STF: Três ADIs e Posição do Ministro Gilmar Mendes

Três Ações Diretas de Inconstitucionalidade tramitam: uma do PSOL com UNE, outras de entidades. Gilmar Mendes concedeu 48 horas para explicações do governo, Alesc e UDESC. A PGR apoia liminar, citando risco de irreversibilidade. 82 O desfecho pode redefinir limites estaduais às ações afirmativas.

Decisão oficial do TJSC.

Debate sobre cotas raciais em universidades brasileiras, com foco em diversidade acadêmica.

Implicações para o Ensino Superior Catarinense e Brasileiro

A manutenção das cotas fortalece a inclusão, mas reacende debates sobre meritocracia e proporcionalidade. Em SC, preserva avanços na UDESC e ACAFE, potencializando retenção de talentos diversos. Nacionalmente, reforça tendência de expansão de políticas afirmativas em estados. 42

Universidades ganham com maior pluralidade, melhorando pesquisa e inovação via perspectivas múltiplas.

Perspectivas Futuras e Recomendações para Estudantes e Profissionais

Com o STF em análise, espera-se julgamento em meses, possivelmente alinhado à jurisprudência pró-cotas. Para vestibulandos, monitore editais da UDESC; profissionais, busquem conselhos de carreira em higher-ed. Soluções incluem avaliações periódicas de impacto e hibridização de critérios.

Em resumo, a suspensão marca vitória provisória para inclusão no ensino superior catarinense, convidando reflexão sobre equidade duradoura. Explore avaliações de professores e vagas em higher-ed-jobs no AcademicJobs.com.

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Dr. Elena Ramirez

Contributing writer for AcademicJobs, specializing in higher education trends, faculty development, and academic career guidance. Passionate about advancing excellence in teaching and research.

Frequently Asked Questions

📜O que é a Lei 19.722/2026 de Santa Catarina?

A lei proibia cotas raciais em admissões e contratações em universidades públicas estaduais, comunitárias e privadas com verbas públicas, com multas e anulações de editais.

⚖️Por que o TJSC suspendeu a lei?

Por inconstitucionalidade: viola igualdade material, autonomia universitária e jurisprudência do STF. Liminar evita caos em vestibulares.

🏫Quais universidades são afetadas?

UDESC, instituições ACAFE e privadas com fundos estaduais. Cotas para PCD e renda baixa permanecem.

📈Qual o impacto das cotas na UDESC?

Aumentou estudantes pretos/pardos de 6,4% para 17,6% desde 2011. Veja vagas acadêmicas.

👥Demografia racial em SC justifica fim das cotas?

Gov alega 76% brancos (IBGE 2022), mas críticos notam crescimento de pardos/pretos e desigualdades persistentes.

🏛️Qual posição do STF sobre cotas raciais?

Constitucionais desde ADPF 186/2012. Lei 12.711/2012 regula federais; estados têm autonomia, mas sob escrutínio.

PGR recomenda suspensão da lei?

Sim, Paulo Gonet alerta para danos irreversíveis em seletivos.

⚖️Há ações no STF contra a lei?

Três ADIs; Gilmar Mendes pediu infos em 48h. Julgamento pode redefinir políticas estaduais.

📚Cotas afetam desempenho acadêmico?

Estudos mostram não: beneficiam diversidade sem prejuízo. Nacionalmente, transformaram universidades.

🎓O que estudantes devem fazer agora?

Monitore UDESC e career advice. Cotas seguem até decisão final.

🔮Futuro das cotas em universidades brasileiras?

Tendência de manutenção com avaliações periódicas; foco em retenção e equidade.