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Novo Marco na Cooperação Científica Bilateral
O Brasil e o Uruguai acabam de dar um passo histórico rumo à integração científica regional com a assinatura de um memorando de entendimento que cria o Centro Brasil-Uruguai de Pesquisa e Inovação em Ciências da Vida. Assinado em 28 de janeiro de 2026, em Montevidéu, durante a visita oficial da ministra Luciana Santos ao país vizinho, o acordo representa não apenas uma aliança estratégica, mas uma resposta concreta aos desafios globais por meio da ciência compartilhada.
A iniciativa surge em um contexto de realinhamento político entre os dois países, impulsionado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Yamandú Orsi, que durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu comprometeram-se com maior colaboração em ciência e tecnologia. Luciana Santos destacou que "a assinatura do memorando é um marco para traduzir a amizade entre nossos povos em ações práticas, com a pesquisa como motor do desenvolvimento conjunto".
O Que é o Centro Brasil-Uruguai de Ciências da Vida?
O Centro Brasil-Uruguai de Pesquisa e Inovação em Ciências da Vida (CB-U) é uma estrutura conjunta que estabelece mecanismos para o desenvolvimento colaborativo de projetos de pesquisa, intercâmbio de pesquisadores e estudantes, uso compartilhado de infraestrutura avançada e organização de eventos científicos. Pelo lado brasileiro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), sediado em Campinas (SP), são os principais atores. No Uruguai, participam o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e o Instituto de Investigaciones Biológicas Clemente Estable (IIBCE), em Montevidéu.
Os objetivos incluem definir áreas prioritárias de pesquisa, executar projetos R&D conjuntos e capacitar jovens cientistas. Isso permitirá acesso a instalações de ponta, como o acelerador de partículas Sirius no CNPEM, para experimentos em biologia estrutural e molecular, beneficiando ambos os países com avanços em vacinas, terapias genéticas e bioeconomia.
Essa parceria é particularmente relevante para o Brasil, onde o CNPEM abriga laboratórios nacionais de referência, e para o Uruguai, cujo IIBCE é líder em biologia molecular. Juntos, eles podem gerar publicações em revistas de alto impacto, fortalecendo o currículo de pesquisadores e atraindo oportunidades de vagas em pesquisa.
Lançamento do Programa Prosul Pepe Mujica
No mesmo evento no IIBCE, foi lançado o Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação (Prosul) Pepe Mujica, com investimento de R$ 50 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), executados pelo CNPq. Inspirado no legado do ex-presidente uruguaio José Mujica, o programa homenageia sua visão de uma América Latina unida pela ciência em prol da vida e da solidariedade.
O Prosul financia redes temáticas de pesquisa consolidadas e emergentes, além de mobilidade de pesquisadores. A chamada pública MCTI/CNPq Nº 02/2026 está aberta até 30 de abril de 2026, com eixos temáticos como ambiente e sustentabilidade, alimentação e agricultura, energia, saúde, tecnologia da informação e ciências humanas.
A Associação de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), rede que inclui instituições como USP, UNICAMP, UFRGS (Brasil) e Universidad de la República (Uruguai), é parceira chave, facilitando mobilidades e colaborações acadêmicas.
Áreas Prioritárias e Oportunidades de Pesquisa
Os temas do Prosul Pepe Mujica abordam desafios comuns: na saúde, foco em doenças tropicais e vacinas; em biotecnologia agrícola, soluções para o bioma Pampa compartilhado. No Centro CB-U, espera-se avanços em ciências da vida, como edição genética (CRISPR) e biologia sintética, com potencial para CVs acadêmicos mais competitivos.
- Saúde: Medicinas personalizadas e sistemas resilientes.
- Sustentabilidade: Energias renováveis e biodiversidade.
- Agro: Biotecnologia para segurança alimentar.
- TI: IA ética e cibersegurança regional.
Essas áreas prometem publicações em plataformas como SciELO e Scopus, impulsionando métricas de impacto para universidades brasileiras e uruguaias.
Histórico de Colaborações e Case Studies
A cooperação não é nova: em dezembro de 2025, Embrapa e INIA (Uruguai) criaram uma Unidade Mista de Pesquisa em agroinovação. Acordos anteriores em bioinsumos (novembro 2025) e parcerias FAPESP-ANII (2015) geraram projetos conjuntos. Exemplos incluem estudos em biomas compartilhados, com publicações em revistas como "Journal of Agricultural Science".
Saiba mais no site do MCTI. Essas experiências pavimentam o caminho para o CB-U, onde espera-se multiplicar outputs científicos.
Soberania Tecnológica pela Integração Regional
Em um mundo de tensões geopolíticas, a cooperação fortalece a soberania: reduz dependência externa em biotech e TI, promove autonomia em vacinas e alimentos. Para o Brasil, que investe cerca de 1,2% do PIB em C&T, parcerias como essa otimizam recursos, enquanto o Uruguai ganha acesso a infra como Sirius.
Declarações de autoridades enfatizam: "Apostar na cooperação científica é estratégico para autonomia regional", disse o ministro uruguaio Mahía. Isso alinha com políticas do Sul Global, como BRICS em soberania digital.
Oportunidades para Pesquisadores e Publicações
Para acadêmicos, o Prosul oferece bolsas e projetos multilaterais, ideais para avaliações de professores e carreiras. Universidades AUGM, como UFRGS e Udelar, liderarão redes, gerando papers co-autorados – fator chave em rankings QS e Times Higher Education.
Exemplos passados mostram aumento de 20-30% em citações para colaborações bilaterais. Pesquisadores devem submeter à chamada CNPq para captar funding.
Desafios e Soluções para Expansão
Desafios incluem burocracia em vistos e funding contínuo, mas soluções como mobilidade AUGM e FNDCT recorde (R$26 bi em 2024-25) mitigam. Comparado a UE-Brasil agreements, essa é mais focada em soberania.
- Passo 1: Submissão conjunta via CNPq.
- Passo 2: Intercâmbio via AUGM.
- Passo 3: Publicação e patente compartilhada.
Implicações para o Ensino Superior e Mercado de Trabalho
Essa cooperação abre portas para doutorados sanduíche, pós-docs e vagas de postdoc binacionais. Universidades brasileiras podem atrair talentos uruguaios, enquanto o Brasil exporta expertise. Para profissionais, é chance de prosperar em pesquisa.
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Perspectivas Futuras e Integração Mercosul
Com chamadas abertas, espera-se 50+ projetos aprovados até 2030, impactando SDGs da ONU. No Mercosul, isso pode evoluir para um polo biotech sul-americano, blindando soberania contra crises globais. Fique atento a vagas universitárias emergentes.
Em resumo, Brasil e Uruguai constroem um futuro científico compartilhado. Participe das oportunidades em higher-ed jobs, rate my professor e career advice.
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