Dr. Elena Ramirez

Produção Científica Pós-Pandemia: Brasil Retoma Crescimento no Número de Publicações Científicas Após Quedas Sucessivas

Brasil Recupera Terreno na Produção Científica em 2024

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A Trajetória de Recuperação da Produção Científica Brasileira Pós-Pandemia

A produção científica no Brasil passou por um período turbulento nos últimos anos, marcado inicialmente por um boom durante o auge da pandemia de COVID-19, seguido de quedas sucessivas em 2022 e 2023. Esse contexto reflete não apenas os impactos globais da crise sanitária, mas também desafios internos como cortes orçamentários em agências de fomento como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, National Council for Scientific and Technological Development) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel). Universidades públicas, que concentram a maior parte da pesquisa no país, foram as mais afetadas, com redução no número de bolsas de doutorado, pós-doutorado e projetos financiados.

Em 2021, o Brasil atingiu o pico histórico de 82.440 artigos científicos publicados em periódicos indexados, impulsionado principalmente por estudos sobre a COVID-19. No entanto, o retorno gradual às atividades presenciais e o esgotamento do tema pandêmico levaram a uma contração. A queda de aproximadamente 8,2% em 2022 e 7,3% em 2023 resultou em cerca de 70.095 publicações no último desses anos, retornando aos patamares pré-pandemia, mas sem o vigor anterior. Esse declínio foi agravado por uma desaceleração na taxa de crescimento anual composta (TCAC, Compound Annual Growth Rate) de autores, que caiu de mais de 13% ao ano entre 1996 e 2013 para apenas 4,8% após 2013, com quase dois terços dessa perda ocorrendo entre 2014 e 2019 devido a restrições fiscais.

2024: O Ano da Retomada com 73.220 Artigos Publicados

O relatório '2024: Retomada no Crescimento da Produção Científica no Brasil e em Outros 51 Países', parceria entre a Agência Bori e a Elsevier, confirma a reversão da tendência negativa. Em 2024, o Brasil produziu 73.220 artigos científicos associados a instituições nacionais, um aumento de 4,5% em relação a 2023. Esse crescimento posiciona o país em 14º lugar no ranking global de produção científica entre nações com mais de 10 mil publicações anuais, mantendo a posição estável desde 2022.

Das 32 principais instituições brasileiras analisadas, 29 registraram expansão, demonstrando resiliência no sistema de ensino superior. O número de pesquisadores por milhão de habitantes também evoluiu, passando de 205 em 2004 para 932 em 2024, sinalizando um estoque humano qualificado pronto para impulsionar avanços futuros.

Evolução do número de publicações científicas no Brasil de 2020 a 2024

Universidades Líderes: USP, Unesp e Unicamp na Vanguarda

As universidades estaduais de São Paulo dominam o cenário da produção científica brasileira. A Universidade de São Paulo (USP) liderou com quase 13 mil artigos em 2024, crescimento de 2,7% ante 2023, consolidando-se como a principal produtora nacional e 61ª no ranking global de instituições pelo Scimago Institutions Rankings. Em seguida, a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) publicou 5.152 artigos (+6,6%), e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) contribuiu com 4.277 (+4,9%), ocupando as posições 722 e 658 globais, respectivamente.

Outras federais como Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também se destacam, formando o núcleo de excelência que sustenta cerca de 80% da pesquisa acadêmica no país. Essas instituições exemplificam como investimentos em infraestrutura e parcerias internacionais podem mitigar impactos de crises.

  • USP: ~13.000 artigos, foco em ciências da natureza e médicas
  • Unesp: 5.152 artigos, expansão em engenharia
  • Unicamp: 4.277 artigos, liderança em inovação tecnológica

Para pesquisadores em busca de oportunidades nessas instituições de ponta, plataformas como vagas em pesquisa e empregos para docentes oferecem acesso a posições em universidades brasileiras.

Tendências por Áreas do Conhecimento: Engenharia e Ciências Naturais Impulsionam o Crescimento

O avanço em 2024 foi puxado por campos estratégicos. As ciências da natureza mantiveram a liderança em volume, seguidas pelas ciências médicas. Engenharia e tecnologias renováveis cresceram 7,1%, refletindo demandas globais por sustentabilidade e inovação. Já as humanidades registraram leve declínio de 1,1%, possivelmente devido à preferência por livros e formatos não indexados em bases como Scopus.

Essa diversificação destaca a maturidade do ecossistema acadêmico brasileiro, com colaborações internacionais crescendo em áreas como biotecnologia e mudanças climáticas, essenciais para o desenvolvimento regional.

Causas da Queda Anterior: Cortes Orçamentários e Impactos Políticos

A contração de 2022-2023 decorre de múltiplos fatores. Cortes sucessivos nos orçamentos do CNPq e CAPES, iniciados em 2015 e intensificados até 2022, reduziram bolsas e projetos em mais de 50%. Durante o governo anterior, ataques retóricos à ciência e priorização de agendas ideológicas desestimularam o setor, levando a um efeito cascata: menos financiamentos, menor retenção de talentos e brain drain para Europa e EUA.

Sabine Righetti, da Bori, enfatiza: 'Cortes de recursos e ataques às instituições durante o governo Bolsonaro e o auge da Covid levaram a menos demanda por recursos'. A pandemia agravou, com laboratórios fechados e foco exclusivo em saúde pública.

Relatório Bori-Elsevier completo (PDF)

Respostas Institucionais e Governamentais: Caminho para a Sustentabilidade

A partir de 2023, o governo Lula elevou investimentos em ciência, restaurando parte dos cortes e lançando chamadas como o Novo PAC da Ciência. CAPES e CNPq aumentaram bolsas em 20%, priorizando pós-graduação stricto sensu. Universidades adotaram estratégias como parcerias público-privadas e uso de plataformas como o Portal de Periódicos CAPES para acesso irrestrito a literatura global.

Essas medidas explicam a retomada, com projeções de retorno ao pico de 2021 em 2025, conforme analistas da Elsevier.

Comparações Internacionais: Brasil em 14º, mas com TCAC Moderado

Globalmente, 52 de 54 países cresceram em 2024, exceto Rússia (-6,3%) e Ucrânia (-0,6%). Brasil ocupa 39ª em TCAC 2014-2024 (3,4%), similar a Suíça e Coreia do Sul, mas atrás de emergentes como Indonésia (+20%). Líderes: China, EUA, Índia, Alemanha, Reino Unido.

  • Top 5 à frente do Brasil: China, EUA, Reino Unido, Índia, Alemanha (aprox.)
Ranking global de países por publicações científicas 2024

Desafios Persistentes: Financiamento, Qualidade e Brain Drain

Apesar da retomada, desafios estruturais permanecem: subfinanciamento crônico (0,5% do PIB vs. 2% em OCDE), assimetrias regionais (Sudeste concentra 60%) e queda na qualidade média (menos citações por artigo). Êxodo de cérebros continua, com jovens doutores migrando para melhores salários.

Soluções incluem diversificação de funding via FAPs estaduais e atração de talentos via conselhos de carreira em educação superior.

Casos de Sucesso: USP e Unicamp como Modelos

Na USP, programas interdisciplinares em saúde e IA geraram 42,5% dos artigos no top 50% global por impacto. Unicamp destaca-se em inovação, com patentes derivadas de publicações crescendo 15%. Esses cases ilustram como governança autônoma e redes internacionais elevam a produção.

Perspectivas Futuras: Projeções Otimistas para 2025-2030

Com investimentos crescentes, espera-se crescimento de 6-8% anual, recuperando liderança latino-americana. Foco em ODS da ONU e bioeconomia pode posicionar Brasil no top 10 global. Para profissionais, oportunidades abundam em pós-docs e vagas de professor.

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Implicações para Carreiras Acadêmicas e o Ecossistema de Higher Education

A retomada fortalece o setor universitário, mas exige adaptação: ênfase em open access, IA para análise de dados e colaborações. Estudantes de pós-graduação beneficiam-se de maior visibilidade, enquanto docentes acessam mais funding. Plataformas como avalie seu professor e vagas universitárias conectam talentos ao mercado.

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Dr. Elena Ramirez

Contributing writer for AcademicJobs, specializing in higher education trends, faculty development, and academic career guidance. Passionate about advancing excellence in teaching and research.

Frequently Asked Questions

📉O que causou as quedas na produção científica brasileira em 2022 e 2023?

As quedas de cerca de 8% em 2022 e 7% em 2023 resultaram de cortes orçamentários no CNPq e CAPES, impactos da pandemia e menor foco pós-COVID. Dicas para navegar desafios em carreiras acadêmicas.

📊Quantos artigos científicos o Brasil produziu em 2024?

73.220 artigos, crescimento de 4,5% vs. 2023, segundo relatório Bori-Elsevier. Ainda abaixo do pico de 82.440 em 2021.

🏆Qual a posição global do Brasil em publicações científicas?

14º lugar entre 54 países com +10k artigos/ano, estável desde 2022. Veja o relatório completo.

🎓Quais universidades brasileiras lideram em publicações?

USP (~13k artigos), Unesp (5.152) e Unicamp (4.277). Elas concentram o grosso da pesquisa em higher ed. Busque vagas em empregos universitários.

🔬Quais áreas cresceram mais em 2024?

Engenharia e tecnologias (+7,1%), ciências da natureza e médicas lideram volume. Humanidades caíram 1,1%.

💡Por que a produção caiu apesar do crescimento populacional de pesquisadores?

Subfinanciamento (0,5% PIB) e brain drain. TCAC autores em 4,8% pós-2013, baixo para emergentes.

🏫Qual o papel das universidades no ecossistema científico brasileiro?

80% das publicações vêm de unis públicas. Elas formam o núcleo, com foco em pós-graduação. Oportunidades em pós-doc.

📈Há sinais de recuperação sustentável?

Sim, com +20% em bolsas CAPES/CNPq desde 2023. Projeções: volta ao pico em 2025.

📚Como o relatório Bori-Elsevier mede produção científica?

Base Scopus, artigos peer-reviewed de instituições brasileiras, 54 países analisados.

💼Quais oportunidades para pesquisadores no Brasil pós-retomada?

Aumento em projetos financiados abre vagas. Confira pesquisa jobs e avaliações de profs.

🌎Comparação com América Latina?

Brasil lidera regionalmente, mas perde ritmo para emergentes globais como Índia.