Dr. Oliver Fenton

STF Dá 48 Horas ao Governo de SC para Explicar Lei que Barra Cotas Raciais em Vestibulares

Controvérsia em Santa Catarina: Cotas Raciais no Fogo Cruzado entre STF e Lei Estadual

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O Contexto das Cotas Raciais no Ensino Superior Brasileiro

As cotas raciais, também conhecidas como ações afirmativas étnico-raciais, representam políticas públicas implementadas para corrigir desigualdades históricas no acesso ao ensino superior. No Brasil, a Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012) estabeleceu que 50% das vagas em universidades e institutos federais devem ser reservadas para estudantes de baixa renda, com proporção de pretos, pardos e indígenas correspondente à população local, conforme dados do IBGE.9 Essa medida transformou o perfil das instituições federais, elevando a presença de estudantes negros de cerca de 17% em 2009 para 47% em 2022.66

Estudos demonstram que as cotas não comprometeram a qualidade acadêmica. Pelo contrário, beneficiários apresentam desempenho similar ou superior aos não cotistas, ajustados por fatores socioeconômicos, promovendo maior diversidade e enriquecendo o ambiente universitário.3061 Em escala nacional, o ingresso por cotas étnico-raciais cresceu 167% entre 2012 e 2022, com 55.371 entradas em 2022.31

No âmbito estadual, universidades como a UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina) adotaram cotas raciais desde 2011, alinhando-se a essa tendência corretiva.

A Lei 19.722/2026 de Santa Catarina: O Que Diz a Norma

A Lei Estadual nº 19.722, sancionada em 22 de janeiro de 2026 pelo governador Jorginho Mello (PL), veda a adoção de políticas de reserva de vagas ou qualquer forma de cota ou ação afirmativa baseada em critérios étnico-raciais em instituições de ensino superior públicas ou financiadas com recursos estaduais. A norma preserva cotas sociais para baixa renda e egressos de escolas públicas, mas impõe multa diária de R$ 100 mil por descumprimento, aplicada ao gestor responsável.012

O projeto de lei originário (PL 753/2020) foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em dezembro de 2025, após anos de tramitação. Defensores argumentam que Santa Catarina, com altos índices sociais e população majoritariamente branca (76,3% segundo Censo IBGE 2022), prioriza meritocracia pura, evitando divisões raciais desnecessárias em um estado onde pretos representam apenas 4,1% e pardos cerca de 15% da população.6870

Texto da Lei Estadual 19.722/2026 de Santa Catarina sobre cotas raciais

Decisão do STF: Prazo de 48 Horas ao Governo de SC

O Supremo Tribunal Federal (STF) foi acionado por meio de pelo menos três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs): uma pelo PSOL, UNE e Educafro; outra pelo PT; e a terceira pela OAB/SC e entidades como APUFSC e ADUFSC. O ministro Gilmar Mendes, relator, concedeu 48 horas ao governo estadual e à Alesc para prestarem informações, sob pena de análise monocrática.021

Essa decisão, proferida recentemente, intensifica o debate, considerando precedentes do STF que validaram cotas raciais como medidas de igualdade material (ex: RE 597.285 e ADPF 186).

Argumentos Contra a Lei: Retrocesso e Inconstitucionalidade

Entidades argumentam que a lei viola artigos 3º, 5º e 206 da Constituição Federal, promovendo discriminação reversa, ferindo a dignidade humana e a autonomia universitária. Na UDESC, cotas desde 2011 dobraram a presença de negros de 6,4% para 17,6% em 15 anos, beneficiando milhares de estudantes e diversificando campi.57 O MEC classificou a medida como "inconstitucional e antiética".55

  • Viola jurisprudência do STF favorável a ações afirmativas temporárias.
  • Ignora racismo estrutural, mesmo em SC com crescimento de 84% na população preta/parda (de 15,3% em 2010 para 23,3% em 2022).72
  • Risco de danos irreparáveis a processos seletivos vestibulares/Sisu.

Reações nas redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), destacam indignação de ativistas e estudantes, com hashtags como #CotasFicam viralizando.47

Veja vagas em universidades de Santa Catarina

Perspectiva dos Defensores: Meritocracia e Realidade Demográfica

O governador Jorginho Mello e deputados da Alesc defendem a lei como avanço para igualdade formal, argumentando que cotas raciais perpetuam divisões e que SC, líder em IDH e educação básica, alcançou equidade via políticas universais. Com apenas 4,1% pretos, cotas beneficiariam minorias desproporcionalmente, priorizando renda sobre raça.53

Estudos locais sugerem bom desempenho geral em vestibulares, questionando necessidade racial específica.

Impacto nas Universidades Estaduais de SC: Foco na UDESC

A UDESC, principal afetada, ingressou 143 cotistas em 2019 (31 raciais), contribuindo para composição mais inclusiva. Revogação pode reduzir drasticamente negros em cursos como Medicina e Direito, revertendo ganhos de diversidade. Unoesc e outras estaduais enfrentam dilema similar, com risco de ações judiciais internas.64

Período% Estudantes Negros UDESC
Pré-20116,4%
202517,6%

Dados internos UDESC mostram evolução positiva.57

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Reações da Comunidade Acadêmica e Sociedade

Universidades federais como UFSC emitiram nota de repúdio conjunta. MEC, OAB e movimentos negros condenam como retrocesso. Nas redes, trending com críticas ao PL como "racista", mas defensores celebram fim de "privilégios". Para mais sobre carreiras acadêmicas, confira dicas para CV acadêmico.

Estudantes da UDESC representando diversidade racial após cotas Site oficial STF | Dados IBGE Censo 2022

Implicações para o Vestibular e Futuro do Acesso Universitário

Vestibulares 2026/2027 da UDESC podem ser afetados, com urgência em liminares. Se STF suspender, mantém status quo; se validar, abre precedente para outros estados.

  • Passo 1: Manifestação gov em 48h.
  • Passo 2: Análise Mendes, possível cautelar.
  • Passo 3: Julgamento plenário.

Estudantes negros de baixa renda ainda acessam via cotas sociais, mas perda racial específica agrava desigualdades.

Perspectivas e Soluções Construtivas para o Higher Ed em SC

Debate sugere alternativas híbridas: cotas amplas com foco renda + bolsas meritórias. Universidades buscam autonomia via resoluções internas. Para profissionais, oportunidades em vagas universitárias Brasil. Outlook: STF likely invalidar, reforçando cotas nacionais.

Em conclusão, caso destaca tensão entre igualdade formal/material no higher ed brasileiro, impactando milhares de jovens catarinenses.

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Frequently Asked Questions

⚖️O que proíbe exatamente a Lei 19.722/2026 de SC?

A lei veta cotas baseadas em raça/etnia em unis públicas/estaduais, mantendo cotas renda/escola pública. Multa R$100k/dia.0

Por que o STF deu 48 horas ao governo?

Gilmar Mendes, relator das ADIs, determinou manifestação urgente para avaliar liminar contra a lei.

📈Qual impacto das cotas na UDESC?

De 6,4% para 17,6% estudantes negros desde 2011. Unis SC

👥SC tem população negra para justificar cotas?

Pretos 4,1%, pardos ~15%, total ~20% Censo 2022 IBGE. Crescimento 84%.

🏆Argumentos pró-lei?

Meritocracia, altos IDH SC, evita divisão racial em estado com baixa % negros.

🏛️Quem acionou STF?

PSOL/UNE/Educafro, PT, OAB/SC + sindicatos prof.

🇧🇷Cotas federais afetadas?

Não, Lei 12.711/2012 vale para UFSC etc. Só estaduais.

📜Precedentes STF cotas?

Valida como temporárias para igualdade. Veja STF.

📱Reações nas redes?

Indignação majoritária no X, #CotasFicam trending contra retrocesso.

🔮Futuro: STF suspenderá lei?

Likely sim, por inconstitucionalidade e autonomia uni. Monitore higher ed news.

💡Alternativas a cotas raciais em SC?

Cotas amplas renda + bolsas diversidade. Carreiras: vagas.

📊Estatísticas nacionais cotas?

47% negros unis federais 2022 vs 17% 2009.
DOF

Dr. Oliver Fenton

Contributing writer for AcademicJobs, specializing in higher education trends, faculty development, and academic career guidance. Passionate about advancing excellence in teaching and research.