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Contexto Histórico do Declínio do Tabagismo no Brasil
O Brasil tem sido reconhecido internacionalmente por suas conquistas no controle do tabagismo. Desde a adesão à Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2006, o país implementou uma série de medidas rigorosas que resultaram em uma queda expressiva no número de fumantes. Em 1989, cerca de 35% da população adulta fumava, número que diminuiu para aproximadamente 9,3% em 2023, de acordo com dados do Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Essa redução foi impulsionada por leis antifumo em ambientes fechados, proibições de publicidade, embalagens padronizadas com alertas gráficos e aumentos significativos nos impostos sobre cigarros.
Entre 2006 e 2016, a prevalência caiu de forma acelerada, passando de 15,7% para níveis abaixo de 10% nas capitais brasileiras. Políticas como a Lei 12.546/2011, que ampliou as áreas de proibição ao fumo, e os reajustes anuais de preços contribuíram para tornar o cigarro menos acessível, especialmente para jovens e populações de baixa renda. No entanto, dados recentes indicam que essa trajetória positiva está em risco, conforme revelado por um novo estudo do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (CIDACS/Fiocruz).
Essa conquista não foi acidental. Envolveu esforços coordenados do Ministério da Saúde, Instituto Nacional de Câncer (Inca) e instituições como a Fiocruz, que monitoram tendências epidemiológicas. Para profissionais de saúde pública interessados em contribuir com essa área, oportunidades em vagas de pesquisa em saúde estão disponíveis em instituições acadêmicas brasileiras.
Principais Descobertas do Estudo CIDACS/Fiocruz
Publicado em janeiro de 2026 na revista Ciência & Saúde Coletiva, o estudo "Retrocessos no alcance das metas de controle do tabagismo: uma análise das tendências do consumo de cigarros nas capitais brasileiras (2006-2023)" analisou dados do Vigitel de 27 capitais. Os pesquisadores observaram uma redução média anual percentual (AAPC) de -3,3% na prevalência de fumantes, de 15,7% em 2006 para 9,3% em 2023. No entanto, após 2016, o ritmo de queda desacelerou drasticamente, configurando um platô.
Entre 2010 e 2014, o Brasil registrou sua maior redução, graças a medidas regulatórias fortes. Mas de 2016 em diante, a prevalência estabilizou em torno de 9-10%, sem avanços significativos. Projeções indicam que a meta da OMS de reduzir em 30% a prevalência até 2025 (base 2010) e 40% até 2030 não serão atingidas, com estimativa de 7,96% em 2030, acima do necessário.
| Ano | Prevalência (%) | Redução Anual Média (%) |
|---|---|---|
| 2006 | 15,7 | - |
| 2016 | ~10 | -3,3 |
| 2023 | 9,3 | Platô pós-2016 |
O estudo destaca que essa estagnação ocorre em todos os estratos sociodemográficos, mas com variações regionais: o Sul e Sudeste tiveram quedas mais lentas recentemente.
Causas da Estagnação Identificadas pelos Pesquisadores
Vários fatores contribuíram para o platô na redução do tabagismo. Principalmente, o enfraquecimento das políticas regulatórias após 2016:
- Congelamento de preços do cigarro, reduzindo o impacto fiscal como barreira ao consumo.
- Diminuição na fiscalização de anúncios e vendas ilegais.
- Sugestões governamentais para flexibilizar regras, influenciadas por lobby da indústria tabagista.
- Aumento no mercado ilegal, de 2,4% em 2008 para níveis mais altos recentemente.
Além disso, a pandemia de COVID-19 interrompeu programas de cessação, com queda nas tentativas de parar de fumar de 51,1% para 46,6% entre 2019 e 2021.
Esses retrocessos contrastam com os sucessos iniciais e demandam ação urgente de policymakers.
A Emergente Ameaça dos Cigarros Eletrônicos e Vapes
🚭 Apesar de proibidos pela Anvisa desde 2009, os cigarros eletrônicos (vapes ou dispositivos eletrônicos para fumar - DEF) representam um novo vilão. Mais de 2 milhões de brasileiros os consomem pelo menos uma vez, com prevalência crescente entre jovens de 18-24 anos, atingindo 8,4% em experimentação no Vigitel 2024.
Dados preliminares do Vigitel 2024 indicam que a prevalência total de uso de nicotina (incluindo vapes) subiu para 11,6% em 2024, revertendo a tendência de queda. Esses dispositivos, com sabores atrativos e marketing nas redes sociais, visam rejuvenescer o tabagismo. A Fiocruz alerta para riscos como dependência de nicotina, toxicidade pulmonar e porta de entrada para cigarros tradicionais.
O Observatório do Tabaco da Fiocruz monitora essas estratégias da indústria, enfatizando a necessidade de fiscalização reforçada.
Disparidades Demográficas e Regionais
A estagnação afeta desigualmente a população:
- Gênero: Homens mantêm prevalência de 10,2%, mulheres 7,2%.
- Idade: Pico em 40-59 anos; jovens atraídos por vapes.
- Renda: Maiores taxas em baixa renda (12% vs. 6% alta renda).
- Região: Sul (14,99% em 2023), Nordeste melhor (7,71%).
Essas desigualdades destacam a necessidade de intervenções direcionadas, como programas em áreas vulneráveis.
Impactos na Saúde Pública e Economia
O tabagismo causa 156 mil mortes anuais no Brasil (428/dia), 12,6% do total. Custos diretos ao SUS: R$ 39,4 bilhões/ano em tratamentos, mais perdas de produtividade de R$ 17,5 bilhões. Doenças associadas incluem câncer de pulmão, DPOC e cardiovasculares.
Com o platô, espera-se estabilização ou aumento nessas cargas. Estudos mostram que cada cigarro diário extra eleva sintomas depressivos, agravando saúde mental.
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Recomendações de Políticas e Especialistas
Os autores do estudo, afiliados ao CIDACS/Fiocruz, propõem:
- Reajustes anuais de impostos acima da inflação.
- Reforço na fiscalização de vapes e mercado ilegal.
- Campanhas nacionais de conscientização e acesso gratuito a terapias de cessação.
- Monitoramento contínuo via Vigitel e pesquisas longitudinais.
A Fiocruz e Inca defendem manutenção da proibição de DEF e adesão plena à CQCT.
Observatório do Tabaco FiocruzO Papel das Instituições de Pesquisa como a Fiocruz
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), maior instituição de pesquisa em saúde pública da América Latina, lidera estudos como esse via CIDACS e Cetab (Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde). Seus dados informam políticas nacionais e treinam gerações de pesquisadores em universidades parceiras.
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Exemplos Regionais e Estudos de Caso
No Rio de Janeiro, prevalência estagnou em 10%; em Salvador, queda mais acentuada devido a campanhas locais. Caso do Nordeste: redução de 11,94% graças a educação comunitária. Em contrapartida, o Sul enfrenta lobby forte da indústria do tabaco.
Esses casos ilustram como intervenções locais podem quebrar o platô.
Perspectivas Futuras e Projeções
Sem ações, a prevalência pode subir com vapes. Mas com retomada de políticas, meta de <5% até 2040 é viável. O Vigitel 2025 será crucial para monitorar tendências. Inovações como terapias digitais e IA em predição de recaídas oferecem esperança.
Ações Individuais e Apoio Profissional
Parar de fumar reduz riscos cardiovasculares em semanas. Linhas gratuitas como Disque Saúde (136) e apps de cessação ajudam. Profissionais de saúde devem usar aconselhamento breve 5A's (Ask, Advise, Assess, Assist, Arrange).
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Conclusão: Hora de Reiniciar o Combate
O estudo Fiocruz alerta para um momento crítico. Com colaboração entre governo, pesquisa e sociedade, o Brasil pode retomar a liderança global no controle do tabagismo. Explore rate-my-professor, higher-ed-jobs e higher-ed-career-advice para se envolver em saúde acadêmica.

